quinta-feira, 16 de junho de 2016

DEUS É MENINO OU MENINA?



Recentemente um padre católico de Massachussetts, oficialmente morto por mais de 48 minutos, antes dos médicos serem capazes de milagrosamente reiniciar os batimentos de seu coração, afirmou que durante esse tempo foi para o céu e, se encontrou com Deus, que ele descreveu como uma figura reconfortante e maternal.


O clérigo John Micheal O'neal, de 71 anos foi levado para o hospital no dia 29 de janeiro, depois de um ataque cardíaco. Foi declarado clinicamente morto logo após sua chegada, mas, com a ajuda de uma máquina de alta tecnologia, chamada LUCAS 2, manteve o sangue fluindo para seu cérebro. Os médicos do Hospital Geral de Massachussetts conseguiram desbloquear suas artérias vitais e fazer voltar seu coração a um ritmo normal. Os médicos ficaram com medo que ele tivesse sofrido algum dano cerebral devido o incidente, mas, ele acordou em menos de 48 horas e parece ter se recuperado perfeitamente.

O idoso afirma ter lembranças nítidas e vívidas do que aconteceu com ele enquanto esteve morto. Descreveu uma experiência estranha fora do corpo. Afirmou ter experimentado um intenso sentimento de amor incondicional e de aceitação, bem como ser rodeado por uma esmagadora luz. Afirmou ainda, que nesse ponto de sua experiência, foi ao céu e encontrou com Deus, que descreveu como sendo uma mulher, mãe boa, "Ser de Luz".

"A presença dela era tão esmagadora quanto reconfortante", afirmou o padre católico. "Ela tinha uma voz suave e sua presença era calma e reconfortante como um abraço de mãe. O fato de Deus ser uma Santa Mãe e não um Santo Pai não me perturbou, ela era tudo o que eu esperava que fosse e ainda mais!".

As declarações do clérigo causaram uma grande celeuma no clero católico da arquidiocese ao longo dos últimos dias, fazendo o arcebispo convocar uma coletiva de imprensa para tentar acalmar os rumores.

Isso nos leva a pensar: Deus é masculino ou feminino?

A igreja cristã sempre teve um pouco de problema com o sexo de Deus. Ele/Ela não tem um, mas, como a declaração demonstra, é difícil falar de Deus sem dar-lhe um gênero. Para falar de Deus, temos que chamá-lo de alguma coisa, e, evitar pronomes torna-se bem complicado. Chamá-lo de "coisa", parece bem rude, dar a entender Deus como uma força impessoal, como a gravidade ou a inflação. Assim, devemos chamar "ele" ou "ela" e, em uma sociedade patriarcal como a nossa, parece que "ele" ganha a competição.

Como diz o catecismo da Igreja Católica: "Deus não é homem, nem mulher: ele é Deus". Outros grupos cristãos vão mais longe. Uma igreja Síria do terceiro século parece ter criado o hábito de orar ao Espírito Santo com termos do sexo feminino. Um dos seus livros sagrados, Os Atos de Tomé, conta a história de São Tomé presidindo um serviço de comunhão, invocando o Espírito Santo dizendo: "Vinde, mulher que se manifesta nas coisas ocultas e faz coisas indizíveis serem simples, pomba sagrada que leva o jovem solteiro. Vamos, mãe escondida... venha se comunicar conosco nesta eucaristia".

Outros, grupos cristãos gnósticos ou místicos da igreja primitiva foram mais longe do que a corrente majoritária do cristianismo, crendo em Deus, irreconhecível em si mesmo, com emanações, tanto masculina quanto feminina. As femininas incluem espíritos chamados Aletheia (Verdade) e Zoe (Vida), Spiritus (Espírito), Ecclesia (Igreja), e Sophia (Sabedoria). O Universo foi feito por intermédio de Sophia (embora gnósticos considerem isto como uma má jogada) e no fim ela foi feita a noiva de Cristo. Os gnósticos foram batizados de acordo com Irineu, adversário da Igreja Católica, com as palavras: "Em nome do Pai desconhecido do universo, em verdade, mãe de todas as coisas".

Embora tenha sido uma longa caminhada até a perspectiva estabelecida da Igreja, o escrito cristão, totalmente aceito pela Igreja, também vê um lado feminino de Deus. Juliana de Norwich, uma reclusa inglesa, escreveu em seu livro Revelações do Amor Divino, do século XIV: "Assim como Deus é nosso Pai, Ele também é nossa mãe". Ela fala sobre "Nossa preciosa mãe, Jesus". Fala da trindade, geralmente descrevendo como Pai, Filho e Espírito Santo, nos seguintes termos: "Nosso Pai deseja, nossa Mãe opera e nosso bom Senhor Espírito Santo, os confirma".

Santo Anselmo, do século XI, arcebispo de Canterbury, orava: "Cristo, minha mãe", e pedia a Deus "a grande Mãe". São João Crisóstomo chama Cristo de nosso "amigo, membro e cabeça, irmão, irmã e mãe".

Tais formas de falar de Deus foram apenas ocasionais até os últimos 50 anos, quando teólogas feministas começaram a rediscutir nas igrejas a linguagem tradicional religiosa que excluíam as mulheres. Como Mary Daly, por exemplo, escreveu em 1973: "Se Deus é macho, então o sexo masculino é de Deus".

Desde a década de 1980, novas traduções da Bíblia têm utilizado uma linguagem mais inclusiva. Na nova versão da Bíblia do Rei James o texto: "Que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?", tornou-se: "O que são os seres humanos, para que estejas ciente deles? E os mortais para que te importes?".

A maioria das tradições da Bíblia ainda usam uma linguagem masculina para Deus, mas não para os seres humanos, com algumas exceções. A tradução recente "Good as New", traduzida por John Henson, traz uma releitura radical das escrituras do Novo Testamento, ela chama Deus de "parente" em vez de "pai". O Espírito Santo é uma mulher e se evita terminantemente usar um pronome para Jesus.

Quanto à linguagem dos cultos nas igrejas, algumas denominações têm saído na frente em matéria de inclusão. A Igreja Metodista Inglesa introduziu um novo livro de serviço em 1999, que usa ambos os sexos para Deus: "nossa Pai e nossa Mãe". A Igreja Reformada Unida concordou em 1984 em usar uma linguagem inclusiva para todas suas publicações, e, no ano passado, em Assembleia Geral, convocou todas as congregações da IRU para "expandir a linguagem inclusiva para as imagens de adoração".

O que dizem as Escrituras?

Quando olhamos para a forma de como Deus se comunicou através das Escrituras, descobrimos que os pronomes utilizados são consistentemente masculinos. As línguas originais da Bíblia (hebraico, aramaico e grego) referem-se a Deus como "Ele" em vez de "Ela". Além disso, Deus é chamado de "Pai" cerca de 170 vezes nas Escrituras. Com base na prática da Bíblia, os cristãos usam o pronome masculino para se referirem a Deus.

No entanto, também encontramos passagens nas Escrituras que revelam a feminilidade de Deus. Por exemplo, em Mateus 23:37, Jesus declarou: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como uma galinha ajunta sua ninhada debaixo de suas asas, e vós não o quisestes!" (ver também Lucas 13:34). A comparação evoca as ações de uma galinha, nitidamente uma ilustração maternal, no entanto, foi expressa por Jesus, o Filho do sexo masculino de Deus.

Deus pode perfeitamente se identificar com as necessidades e emoções de todas as pessoas, homens e mulheres. Gênesis 1:27 afirma: "E criou Deus o ser humano à sua imagem; a imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou". Tanto homem como mulheres foram feitos a imagem de Deus; Ele é tanto mulher quanto homem.

A questão sobre se Deus é homem e mulher, sugere a preocupação sobre se o cristianismo valoriza igualmente tanto homem, quanto mulheres. A Bíblia deixa nítido que Deus dar valor de forma igual. Paulo escreve em Gálatas 3:28 "Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há macho nem fêmea, pois todos vós são um em Cristo Jesus". Deus nos ama completamente. Somos todos e todas um/uma em Cristo Jesus.

Então, oremos a Deus mãe e pai para que dê um F5 em nossa arcaica teologia, e, assim, possamos pensar em uma teologia que inclua Deus de forma não binária.

Imagens do Femininas de Deus na Bíblia

Gênesis 1:27, mulheres e homens são criados/criadas à imagem de Deus
"A humanidade foi criada como o reflexo de Deus: à imagem de Deus, Deus os criou; feminino e masculino Deus os fez".

Oséias 11:3-4, Deus descrito como Mãe
"No entanto, fui eu quem ensinou a andar Efraim, tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. Atrai-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre suas queixadas, e lhes dei alimento".

Oséias 13:8, Deus descrito como uma mãe ursa
"Como ursa roubada de seus filhotes, vou atacá-los e rasgá-los em pedaços...".

Deuteronômio 32:11-12, Deus descrito como uma mãe águia
"Como a águia desperta sua ninhada, e paira sobre seus filhos, Deus estende suas asas para pegar você, e carregá-lo em pinhões".

Deuteronômio 32:18, Deus que dá à luz
"Esqueceste da Rocha que te gerou, e em esquecimento puseste o Deus que te formou".

Isaías 66:13, Deus confortando como uma mãe
""E como uma mãe consola seu filho, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém sereis consolados".

Isaías 49:15, Deus se compara com uma mãe que não esquece do filho
Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto do seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho de seu ventre? Mas ainda que está se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti".

Isaías 42:14, Deus se compara a uma mulher em trabalho de parto
"Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a que está de parto, e a todos os assolarei e juntamente devorarei".

Mateus 23:37 e Lucas 13:34, Deus como uma galinha mãe
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir teus filhos, como uma galinha ajunta sua ninhada debaixo de suas asas, e vós não o quiseste!".

Lucas 15:8-10, Deus comparado a uma mulher com uma moeda perdida
Ou qual a mulher que, tendo dez moedas de prata, se perder uma moeda, não acende a lâmpada, varre a casa, e busca com diligência até encontrá-la? E, achando-a, reúne as amigas e as vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda que tinha perdido. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.

Compilados pela Conferência de Ordenação das Mulheres.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

É DEUS CONTRA A HEGEMONIA?

Provavelmente não exista uma passagem mais difícil para os literalistas bíblicos do que a história da Torre de Babel em Gênesis 11. Como exatamente se constrói uma torre que chegue ao céu no mundo real, onde a física e a atmosfera existem? E que tipo de Deus soberano iria esmagar esse projeto por medo de "não haver restrições para tudo o que eles intentassem fazer" (v.6)? O texto não dá nenhum tipo de razão moral para que possamos considerar errada a construção da torre, e, para que os criadores de vídeos bíblicos infantis preencham um monte de espaços em branco. Mas, podemos considerar que esta história, incluídas nas leituras da semana de pentecostes, traga a realidade de que Deus odeie a hegemonia.

Talvez a ação de Deus contra a Torre de Babel seja, supostamente para descrever uma propensão divina para a rebentar a confiança. As pessoas que construíram Babel, tinham uma uniformidade na linguagem (todos falavam a mesma língua), no método (eles usavam os mesmos tamanhos de tijolos), e na finalidade (queriam "fazer seus nomes"). Babel pode ser considerada, em certo sentido, o primeiro monopólio. Como muitos outros projetos de menores de construção foram engolidos por Babel. Sob a hegemonia, as pessoas se fixam na visão do líder ou coagulam da vontade da principal corrente.

O discurso encontrado na comunidade durante o Pentecostes é inerentemente polifônico. Não há uma visão, mas, várias visões.

Então, o que há de errado com a uniformidade? O que há de errado em encontrar o caminho certo e, em seguida, fazer todos/todas os/as outros/outras terem uma conformidade com isso? Esta parece ser a busca zelosa de um certo tipo de cristianismo evangélico para os quais a ortodoxia implica em uma exatidão de mesmice. Seria um problema se apenas estivéssemos em uma conformidade de exatidão errada? E, se fosse possível criar uma hegemonia com uma perfeita exatidão?

A melhor resposta que podemos encontrar é na história de Pentecostes. O Espírito Santo traduzindo as "grandezas do poder" de Deus em vários idiomas diferentes, em vez de dar aos/as ouvintes o poder de compreender no aramaico ou na língua em que os discípulos falavam. Pedro explica o Pentecostes na profecia de Joel: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão" (Atos 2:17). Esta parte do discurso é inerentemente polifônica. Não há uma visão, mas várias visões. Na hegemonia, pelo contrário, filhos e filhas não tem espaço para profetizar, pois tudo o que precisam saber, já foi dito.

Se cada instrumento de uma sinfonia tocasse exatamente a mesma nota, o tempo todo, a verdade da sinfonia estaria comprometida. Isso não quer dizer que não haja verdade, e que todo mundo deva observar apenas aquilo que gosta, mas, sim, que é uma verdade harmônica em vez de notas individuais. Estamos dando aos acordes e as melodias mudanças básicas, mas, talvez, o Deus que odeia a Torre de Babel, quer que façamos de Sua canção a nossa própria, improvisando junto com Ele.

Ao invés de hegemonicamente se esforçar para desenhar tudo em conformidade exata, talvez a vida de uma comunidade cristã saudável seja um processo de improvisação, encontrando as harmonias que são belas, aceitando uma canção cuja as tensões estejam perpetuamente insolúveis. Essa improvisação é difícil de controlar e, de fazer dela um produto que se possa vender, mas, novamente, por isso, é o Espírito Santo.

Baseado no texto de Morgan Guyton.

terça-feira, 14 de junho de 2016

ONDE ESTAVA DEUS ENQUANTO PESSOAS ERAM MORTAS EM ORLANDO?

Sempre perguntamos: "Onde está Deus?" "Até que ponto você pode exatamente contar com Deus?"


Até que ponto podemos confiar que Deus é conosco? Ele pode realmente transformar tudo? Em tempos de crise, bem como em tempos de calmaria?

Assistimos estarrecidos o mais mortal tiroteio em massa dos Estados Unidos e o pior ataque terrorista a nação desde 9/11, dizem as autoridades americanas. Foram 49 pessoas mortos em uma boate gay na cidade de Orlando. Mas onde estava Deus neste momento? Muitas pessoas fazem essa pergunta. Se Deus é todo poderoso e é amor, por que Ele permitiu esse sofrimento?

Podemos dar várias respostas, mas não resolveríamos o problema permanentemente, pois nossas respostas levantariam a mais questionamentos. Porém, nossa falta de capacidade de responder às perguntas não significa que não possamos oferecer soluções. É certo que não poderei responder a estas perguntas de forma definitiva, mas posso oferecer alguma solução.

Quero deixar nítido, porém, que não quero aqui fazer uma defesa de Deus, pois sei muito bem que Ele não precisa de defesa. Quero apenas, como cristão, dar uma alternativa a estas dúvidas.

Quem é Deus?

Como cristão, acredito que Deus é o criador do universo que anseia que nós possamos conhecê-lo. É por isso que estamos todos aqui. Seu desejo é que possamos experimentar e contar com sua força, amor, justiça, santidade e compaixão. Por isso Ele diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28).

Ao contrário de nós, Ele sabe o que vai acontecer amanhã, na próxima semana, no próximo ano, na próxima década. Ele diz: "Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam" (Isaías 46:10). Ele sabe o que vai acontecer no mundo. O mais importante, Ele sabe o que vai acontecer em sua vida, e, pode estar lá com você. Ele nos diz que é: "Nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente em tempos de angústia" (Salmos 46:1). Diz ainda: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo vosso coração" (Jeremias 29:13).

Onde está Deus nos tempos difíceis?

Isso não significa que aqueles que estão sempre buscando a Deus escaparão dos tempos difíceis. Quando um ataque desses provoca sofrimento e morte, aqueles que o buscam constantemente também estarão envolvidos. Mas há uma paz e força que a presença dEle traz. Nós, cristãos entendemos desta forma. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados" (2 Coríntios 4:8). A realidade nos diz que teremos problemas na vida, no entanto, se passarmos por ela, enquanto buscamos a Deus, podemos reagir com uma perspectiva diferente e, de uma forma que não é nossa. Nenhum problema tem a capacidade de ser intransponível para Deus. Ele é maior que todos os problemas que possam nos alcançar, e, nós não estamos sozinhos para lidar com eles.

A Palavra de Deus nos diz: "O Senhor é bom, Ele serve de fortaleza no dia da angústia, e cuida dos que confiam nEle" (Naum 1:7). E, "Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam de verdade" (Salmos 145:18).

Jesus Cristo disse estas palavras a seus seguidores: "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois, mais valeis vós do que muitos passarinhos" (Mateus 10: 29-31). Deus cuida de nós, de uma forma que ninguém mais cuida!

Nossa capacidade de escolha

Acreditamos que Deus criou a humanidade com a capacidade de fazer suas próprias escolhas. Isto significa que ninguém é forçado a ter um relacionamento com Deus. Ele nos permite rejeitá-lo e cometer maus atos também. Ele poderia nos forçar a amar os outros. Poderia nos forçar a ser bons. Mas, então, que tipo de relacionamento teríamos com Ele? Não seria uma relação de todo livre, mas uma relação forçada, obediência absolutamente controlada. Em vez disso, Ele nos deu a dignidade da escolha.

Naturalmente, choramos lá no fundo de nossas almas: "Mas Deus, como você pôde deixar algo desta magnitude acontecer?". Como é que queremos que Deus aja? Queremos que Ele controle as ações das pessoas? No caso desse ataque, qual seria o número de mortes que deveriam ser permitidas por Deus? Será que nos sentiríamos melhor se Ele permitisse apenas o assassinato de 20 pessoas? Será que Ele deveria ter permitido apenas uma morte? No entanto, se Deus impedisse o assassinato de uma única pessoa, não haveria mais liberdade de escolha. As pessoas escolhem ignorá-lo, seguem o seu próprio caminho e cometem atos horríveis como este.

Este mundo não é um lugar seguro. Alguém pode atirar em nós a qualquer momento. Ou podemos ser atropelados por um carro, cair de uma escada, ou qualquer outra coisa pode acontecer conosco neste ambiente hostil chamado Terra, lugar onde nem sempre a vontade de Deus é seguida. No entanto, Deus não está à mercê das pessoas, pelo contrário, nós que estamos a sua mercê, felizmente. Este é o Deus que criou o universo com suas estrelas incontáveis, simplesmente falando: "Haja luminares no firmamento do céu" (Gênesis 1:14). Ele é ilimitado em poder e sabedoria. Embora os problemas pareçam intransponíveis para nós, temos um Deus incrivelmente capaz de nos lembrar: "Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; acaso haveria alguma coisa demasiado difícil para mim?" (Jeremias 32:27). De alguma forma Ele é capaz de manter a liberdade dos seres humanos, mas ainda fazer prevalecer sua vontade. Ele afirma: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Isaías 46:10).

Onde está Deus, quando o rejeitamos?

Muitos de nós, não todos/todas, escolhemos a dura forças estar ao lado de Deus. Em comparação com os/as outros/outras, principalmente em comparação a um terrorista, podemos nos considerar bons, pessoas que amam o próximo. Mas, se formos honestos de coração, se tivéssemos de encarar a Deus, saberíamos o quanto somos pecadores. Quando começamos a orar, não vem aquela sensação de que Deus é consciente do quanto somos pecadores? Em nossas vidas e ações, nos distanciamos de Deus. Vivemos muitas vezes como se pudéssemos levar nossas vidas muito bem sem Ele. A Bíblia nos diz que: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (Isaías 53:6). As consequências? Nosso pecado nos separou de Deus, e isto afetou mais do que esta vida. A penalidade para nosso pecado foi a morte, ou a separação eterna de Deus. No entanto, Deus providenciou um caminho para sermos perdoados/perdoadas e conhecê-lo.

Deus nos Oferece seu Amor.

Sentimos o amor de Deus todos os dias, no sol que nasce para todos/todas, na linda natureza que Ele criou para que a admirássemos. Mas, nem todas as pessoas conseguem perceber tal coisas. Muitas não enxergam o Deus de amor que está sempre a nosso lado. O projeto de Deus para o homem, é um projeto de amor. Se realmente o buscássemos de todo nosso coração, muitas destas coisas seriam evitadas.

Deus estava naquela boate. E, esteve ao lado de cada um que ali se encontrava. Ele amou profundamente todas aquelas pessoas. Ele amou profundamente o terrorista que cometeu aquela barbaridade. Apesar de não termos respostas para muitas coisas, saiba que, independente do que aconteça, Ele sempre estará de seu lado.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

UMA PERGUNTA HONESTA PARA FUNDAMENTALISTAS BÍBLICOS


Queria fazer uma pergunta honesta. Em parte, é um questionamento pesado, mas em parte, é um reconhecimento de que minha experiência não é universal. Se você é um cristão ou uma cristã que gosta de falar sobre: "submeter-se a autoridade bíblica" ou, "obedecer ao que a Bíblia ensina", qual foi a última vez que você tomou uma decisão de vida baseado diretamente em algo que tenha lido na Bíblia? Não estou falando sobre decisões de colocar algo em seu status de Facebook ou compartilhar algum "meme bíblico", mas uma decisão real de vida que alterasse seu comportamento.

Talvez eu esteja errado, mas suspeito que muitos/as conservadores/as gostam da ideia de obediência e submissão à autoridade, mas que na verdade, não abrem a Bíblia como manual de referência quando estão tentando tomar decisões de vida. É semelhante a maneira que muitos/as liberais lidam com a ideia de "justiça social". Se você quer me fazer uma pegadinha, pergunte qual foi a última vez que estive envolvido em um ato de justiça social ao invés de apenas compartilhar um meme ou um pôster em meu status no Facebook. Honestamente, em meu dia-a-dia, não há muitas oportunidades de colocar a ação no campo real, substancial para a justiça social. Gostaria muito de dizer que sempre tomo decisões reais, mas, muitas vezes tomo o caminho mais fácil e mais barato. Tenho certeza que não possuo o melhor histórico a este respeito.
Aqui está o cerne da Bíblia para mim. Leio a Bíblia todos os dias pelo computador, para ser mais exato, a seleção do Lecionário que traz: uma passagem do Antigo Testamento, um salmo, uma epístola do Novo Testamento e finalmente uma leitura dos Evangelhos. Mas, muito pouco do que encontro em minhas leituras das escrituras consistem em comandos explícitos e diretos de como devo ou não devo fazer as coisas concretas em minha vida diária. A maioria das coisas que encontro são poesias ou narrativas que me inspiram indiretamente a buscar o reino de Deus e a cultivar meu coração em Jesus Cristo.

Assim, realmente me parece estranho falar sobre ser "obediente" de acordo com a Bíblia, pois, ela realmente não me emite comandos diretos, da mesma maneira que Deus dava ordens a Abraão e Moisés. Ora, o Espírito Santo me diz como fazer as coisas através de meu encontro com as escrituras, mas, os convites e inspirações, raramente são dados ou mesmo nunca articulados no sentido nítido e explícito do texto. Sei que este tipo de afirmação soa irritante para os fundamentalistas, que dizem, que a Bíblia é "perfeitamente explícita". Pode ser perfeitamente explícita, quando se mina o texto para apoiar sua ideologia, mas, quando se lê apenas por aprendizagem de vida, como um discípulo cristão fiel, ela se torna muito mais obscura.

Li muito a Bíblia para tentar vê-la como um Manual de Instruções. Ela proclama verdades surpreendentemente sublimes que devem ser descobertas e refinadas de forma intuitiva, através das orações. Quando você compreende e experimenta estas verdades misticamente, Deus muda seu coração, e, naturalmente você se comporta da maneira que o Espírito conduz. Que é diferente de "obedecer aos comandos", como um robô, que executa seu código de programação. Não é um processo racionalista, behaviorista, é uma abordagem de demolição para uma vida moral que, Paulo, passa a maior parte do tempo explicando em Gálatas e Romanos. Em minha experiência, entrar em sintonia com o Espírito Santo, tem sido um movimento misterioso de graça. Meu crescimento espiritual não tem sido um produto de decisões morais deliberativas, como se estivesse com fome e sempre pedisse que Ele me saciasse.

Essa é apenas minha experiência. Se você tem um exemplo específico de como um versículo bíblico causou-lhe tamanho impacto a ponto de alterar uma decisão em sua vida, é, então razoável que você diga que "obedece" a Bíblia. Por favor, compartilhe seu exemplo para que eu possa aprender com ele.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

HOJE LIVRE SOU

No deserto


Já deixamos o Egito, não somos mais escravos, por isso, suas ordens e mandatos, suas convicções e baixarias não nos afetam mais. Já deixamos o Egito, somos livres! Agora somos diferentes, sabemos que não somos escravos, que não nascemos para dizer sim à maneira que você vê o mundo. Temos vergonha se algum dia acreditamos e colaboramos com sua injustiça, tendo interiorizado suas mentiras. Agora somos livres! Agora, decidimos por nós! Cada um é o que é, sente e pensa. Não somos divinos ou poderosos e influentes, simplesmente, somos livres!

E a nossa liberdade não pode ser vivida no Egito, não há lugar ou significado. Nossa liberdade, nos leva diretamente para o nada, para o deserto. Nós nos conhecemos, nos apoiamos e nos ajudamos. Nos reconhecemos enquanto irmãos e irmãs, para a construção de uma nova família, uma comunidade de diferentes, que sempre lembrará que um dia foi escravizado no Egito. Vozes absurdas nos convidam a voltar ao Egito, para esperar que seu mundo mude e, a sorte mude com ele. Mas não queremos, não gostamos desse mundo. Não queremos estar em lugares onde os seres humanos não são respeitados, onde seus maravilhosos talentos são guardados em nome de uma ideologia opressiva. Seu mundo não é para nós, e, decidimos ir em busca de um mundo melhor. Em busca de uma nova terra, onde "o lobo e o cordeiro apascentarão juntos, o leão comerá palha como o boi, e o pó será comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor" Isaías 65:25.

Na caminhada no deserto, encontraremos tentações, enganos ou pequenas coisas disfarçadas de vontade divina. Lembraremos que precisamos ser alimentados, corrermos riscos, para enfim ver saciada nossa fome de justiça. Diremos que Jesus, o Verbo de Deus, é quem nos justifica de qualquer coisa ou pessoa. Teremos que explicar que é preciso testar nosso Deus, mesmo sabendo que ele nos salvou como somos. Finalmente, teremos que colocar seu mundo a nossos pés, para depois desprezá-lo, voltando-nos para nós mesmos. Teremos que repreender o diabo que nos oferece tal coisa, depois, dizer que nós adoramos apenas o Deus verdadeiro, que nos encoraja a ser e viver a verdade.

O deserto da esperança também é Deus, sabíamos disso desde o início, pois, foi Ele nos empurrou para fora do Egito, para nos testar. Deus está do nosso lado, revelado numa maneira nova e diferente. Agora descobrimos um amigo como nosso aliado. Sabemos quem ficará com a gente para construir o Tabernáculo. Não será como os grandes templos do Egito, será uma construção humilde e rústica, que é o que o deserto pode nos oferecer. Mas será neste lugar que Ele se revelará a nós e, em nós. Será o lugar que escolheu para nos mostrar quem Ele é, e, excluir todos os enganos que havíamos crido como sua exigência e seu querer. Tiremos todos os pensamentos que aprendemos nos locais religiosos, que Ele se revelará a nós no deserto. É o lugar que Ele escolheu para vir à nós. Construiremos um Tabernáculo, embora não sejamos dignos e dignas, Ele nos chamou para fazer. Um Tabernáculo inclusivo, onde todos e todas possam encontrar um novo caminho para Deus, onde todos e todas possam curar suas feridas que as chicotadas egípcias deixaram em seu corpo.

Caminhemos em direção da Terra Prometida. Mas, certamente, ainda enxergamos o Egito. Podemos transformar o deserto que ainda não se encontra pronto. Devemos esperar por aquelas pessoas que ainda não se atreveram a atravessar o Mar Vermelho. Nós chegamos mais cedo e, mais tarde nossa esperança ficará satisfeita. Enquanto isso, vivemos onde Deus queria que vivêssemos, no deserto da tentação, mas, também da revelação. No deserto, somos mais livres e felizes do que nunca. Mas as nossas necessidades ainda não foram satisfeitas em tudo, pois, embora saibamos que, temos conosco nosso Salvador, estamos conscientes de que a promessa de Deus é muito maior. Não estamos satisfeitos, nós ansiamos ainda mais para nós, e para outros milhões de pessoas.

Baseado no texto de Carlos Osma
homoprotestantes.blogspot.com

quarta-feira, 1 de junho de 2016

DIREITO DAS COMUNIDADES


Um/Uma por Todos/Todas, Todos/Todas por um/uma

Assim como os primeiros/primeiras cristãos/cristãs acreditavam que a ligação ajuda a fortalecer a compaixão humana e, fornece motivos de preocupação social, eles e elas, acreditavam também serem chamados/chamadas a exemplificar uma nova comunidade humana que estabelecesse a verdadeira liberdade em vez de liberdades individuais que pudessem levar a divisão e alienação com base na raça, classe, gênero, identidade sexual, orientação sexual etc., em outras palavras, uma vez que os/as cristãos/cristãs acreditavam que a fé derivava dos direitos humanos, e, que Deus criou o ser humano à sua imagem, reconheciam seus direitos como indivíduos, mas, que também, existiam deveres correspondentes em relação aos/as outros/outras em suas comunidades e, finalmente a Deus, ilustrado no artigo 29.
Acreditando que os extremos de individualismo e coletivismo possam levar a degradação da personalidade, fazendo crescer o crime, e alienando outros, os cristãos acreditam que deva existir um equilíbrio entre os direitos individuais e a responsabilidade das pessoas ante o/a outro/outra. Os/As cristãos/cristãs acreditam que o amor permite que a pessoa, e, todos/todas aqueles/aquelas em torno dela desfrutam a total liberdade no cuidar de seu/sua próximo/próxima. Isso na verdade pode ser visto no artigo 1 da ordem social. Em uma comunidade, a existência da individualidade é facilitada, desde que os seres humanos tenham interações com os/as outros/outras, através de suas ideias e personalidade.

Cuidar do Ambiente

Uma vez que Deus deu o domínio ao ser humano sobre o resto da vida animal e vegetal, os/as cristãos/cristãs acreditam que todos/todas devam cumprir seu propósito de, não só governar a terra, mas preservar sua criação terrestre.

Devem reconhecer ainda, que os recursos da terra não são apenas de propriedade da humanidade, mas, antes de tudo, uma criação de Deus, para que todos/todas possam usá-la sem egoísmo. Por isso, enquanto cristãos/cristãs, estamos proibidos de ter uma fome ilimitada de satisfação de nossas necessidades materiais, pois isso, leva a pobreza e degradação do meio ambiente, sem mencionar o pecado contra Deus. Em vez disso, os seres humanos devem ter necessidades moderadas que vão ajudar a preservar a beleza e a riqueza da natureza de Deus.

Além de ter nascido em um estábulo e de ter se alimentado de peixe e pão, Jesus pode ser considerado um campeão nos direitos dos animais. Na verdade, ele sempre comeu qualquer coisa, demonstrando seu respeito por toda a vida e agradecendo a Deus, tratando o alimento como sagrado. Além disso, Ele se enfureceu ao ver animais enjaulados à venda no templo, que devia ser uma casa de oração, não um "covil de ladrões". Ele não só expulsou os vendedores e compradores, mas derrubou as mesas dos cambistas e daqueles que vendiam pombas. Aqui, a raiva de Jesus não vem só de perceber o mau uso dos animais, mas também de ver pessoas tirando a vida deles para lucro próprio e não para os sacrifícios a Deus. Por ter o dever de cuidar do meio ambiente e suas criaturas, essa cena prefigura o uso de bens públicos, como ar, água, luz solar, que são impossíveis de se colocar um preço, pois não se pode viver sem eles.

Respeito às Crianças

Em todo o Novo Testamento, Jesus nitidamente é amoroso com as crianças. Em várias ocasiões, Ele chama as crianças para adiante dele, e, lembra as multidões de se tornarem como uma dessas inocentes e humildes. De fato, Ele proíbe qualquer um de colocar uma "pedra de tropeço" diante de qualquer uma delas, pois, melhor seria se colocasse uma "grande pedra" em torno de seu pescoço, e se afogar nas profundezas do mar. Em outras palavras, os/as cristãos/cristãs interpretam "pedra de tropeço", como: abuso sexual, pornografia infantil, ou mesmo envolver uma criança em sofrimentos físicos ou psicológicos, como seres humanos, somos terminantemente proibidos de se envolverem em tais atos. Mostrando o quão importante as crianças são para Deus, Jesus acrescenta: "Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais; pois das tais é o reino de Deus". Por isso, a humanidade deve ver as crianças como "anjos de Deus", ou seja, exemplos de paz e prosperidade.