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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pastores evangélicos divergem sobre orientação sexual em debate

Os pastores João Leite, da Igreja da Comunidade Metropolitana, e Fabrício Fonseca da Igreja Batista Nova Vida, travaram um áspero debate durante o jornal do Piauí desta segunda (26). Um dia após a realização da Parada da Diversidade, o programa debateu o papel da religião na Orientação Sexual.

Evelin Santos/Cidadeverde.com
João Leite representa uma igreja que acolhe pessoas com diferentes orientações sexuais. Em seu depoimento, o pastor explicou que durante muitos anos teve a sexualidade reprimida na igreja onde frequentava e chegou a casar-se.
"Fui pastor da Igreja Presbiteriana por seis anos e acabei por minha orientação saindo da igreja de tanto as pessoas falarem. Cheguei a casar e isso me afetava muito. Deixei de acreditar no amor de Deus por mim e hoje eu sei que o amor dEle é para todas as pessoas", relatou.
João Leite explicou que a nova igreja acolhe homossexuais. Muitos membros estiveram presentes ontem (25) na Parada da Diversidade. "A gente crê no Espírito Santo, seguimos a Bíblia e todos os preceitos religiosos. Nossa ideia não é causar polêmica. Só queremos o direito de seguir a Deus", declarou.
Mas o pastor Fabrício Fonseca contestou com veemência. Para ele, o papel da igreja é mostrar os preceitos bíblicos e cada pessoa, assim, se modificará. Fabrício prega que a ciência define a existência apenas de homens e mulheres, pelos cromossomos, e que a atuação do Espírito Santo é capaz de orientar a conduta.



"A ciência comprova que o homem nasce por causa dos cromossomos. Isso é científico. Se ele quiser, ele pode ser heterossexual. Porque ele não deixa o Espírito Santo trabalhar? Tudo na vida tem que ter regras. Eu não mando ninguém mudar nada. Romanos diz que a fé vem pelo ouvir. Eu vou pregando a palavra e o Espírito de Deus vai trabalhando na pessoa. A Bíblia é que vai orientar. Se você quiser eu trago duas pessoas no seu programa para prvar que são ex-homossexuais", desafiou.


Leilane Nunes
leilanenunes@cidadeverde.com

PASTOR JOÃO LEITE FALA SOBRE A PRIMEIRA IGREJA INCLUSIVA DO PÚBLICO HOMOAFETIVO EM TERESINA.

O Pastor João Leite, fundador da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) em Teresina, contou a reportagem do 180graus um pouco da história dessa igreja conhecida por ter uma doutrina inclusiva para o público homoafetivo.
O Pastor estudou em seminário teológico, é especializado em ensino religioso, e atualmente, faz o curso de enfermagem. João Leite foi Pastor durante muitos anos em igrejas presbiterianas em Teresina, no Pará e no Espírito Santo. Ele conta, porém, que tinha o que ele chamou de "sentimento homossexual" que o sufocava. E quando abriu o jogo com a igreja a qual pertencia na época acabou sendo rejeitado.
"Muitas vezes eu subia no púlpito e condenava a homossexualidade. E aquilo me fazia mal, porque quando eu estava condenando, condenava a mim mesmo. E, a homossexualidade é um sentimento e não só prática. Eu sentia, mas não aceitava aquilo", confessou.
Ao sair da igreja, separou-se da mulher com quem era casado e começou a levar uma vida bem distante dos princípios bíblicos. Porém a situação ainda o incomodava e foi através da internet que o Pastor descobriu a ICM.
"Entrei em contato ali mesmo pela internet, mesmo sem saber inglês, e eles me responderam que já tinha uma sede no Rio de Janeiro. A partir daí tentei várias vezes montar uma célula em Teresina, até que um grupo começou a se reunir em uma casa no Dirceu", destacou.

 Pr. João Leite concede entrevista ao Blog Bafão 180 do 180graus.
A ICM de Teresina não é a única no Piauí e já completou 2 anos desde a sua fundação. Atualmente, são 17 membros, entre eles heterossexuais e homossexuais. Possui uma doutrina livre: "Na nossa igreja agente crer muito no poder do Espírito Santo, não proibimos nada, nós acreditamos que o Espírito Santo é quem provoca a mudança", explicou também.

Vitor Kozlowski, coordenador do Centro de Referência Homossexual do Piauí e Pastor João Leite, fundador da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) Teresina.

Sobre a Polêmica "Cura Gay"
"Nós somos extremamente contra a Cura Gay, primeiro porque não existe necessidade disso. Com um texto isolado da Bíblia você levanta qualquer teologia que quiser", declarou a respeito do assunto.
E citou como exemplo o livro de Levítico: "Porque o livro de levítico condena a homossexualidade? Porque na época do livro a descendência era que determinava a força de uma nação. Então, era importante que os homens procriassem. Naquele momento histórico homossexualismo realmente não era conveniente a Israel", finalizou o pastor.
Saiba mais sobre a ICM.
A ICM teve sua origem nos Estados Unidos, em 1968, com o reverendo Troy Perry. Ele era membro de outra igreja, mas era homossexual não assumido e chegou a tentar suicídio devido o sufoco que a situação lhe impunha.
João Leite conta que quando o reverendo Troy estava no hospital, viu uma mulher de branco que disse: "não precisava". E, ele ficou encantado com aquilo, e sem respostas de quem seria aquela mulher, já que nenhuma enfermeira a tinha visto. Troy chegou a conclusão de que era um anjo do Senhor e, então começou a fazer uma releitura da Bíblia com um olhar inclusivo. E mais tarde fundou o que no Brasil é a ICM.
O pastor ainda ressalta que dos dias 6 a 9 de setembro acontecerá o Congresso Nordeste das ICM em Fortaleza.
Maiores informações: (86) 8888-6288/99455152.

Fonte: http://180graus.com/Bafão180/pastor-joao-fala-sobre-a-primeira-igreja-inclusiva-do-publico-homossexual-em-teresina