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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TEOLOGIA TRANS (PARTE 1)

 
"Precisamos de um Deus-trans... que transgrida todas as nossas ideias sobre quem é, o que é e o que possa ser Deus, que nos transporte para novas possibilidades de como Deus pode encarnar a multiplicidade das formas das realizações humanas, que transfigure nossas imagens mentais de limitações, que transforme as nossas ideias sobre nossos companheiros seres humanos e sobre nós, que transcenda tudo o que sabemos ou pensamos saber sobre Deus e sobre a humanidade como IMAGO DEI". BK Hipsher

O que os cristãos devem saber sobre as pessoas travestis e transexuais? Que tipo de apoio encontramos nas várias posições da Bíblia? Como as histórias bíblicas podem laçar luz sobre a vida das pessoas trans? Talvez você, que é um/uma ministro/ministra de congregação, que tenha um amigo ou amiga trans, que tenha um filho ou filha trans queira conversar sobre o assunto. Ou talvez você seja uma pessoa trans e quer saber como o cristianismo pode lhe dar apoio. Cremos que as denominações cristãs devam apoiar as transições das pessoas trans, se esse for seu desejo. Mostrarei os principais argumentos cristãos favoráveis a aceitação das pessoas trans e, discutirei também a posição assumida por algumas denominações atualmente.

Minha experiência mostra que as questões teológicas em torno da identidade trans sejam realmente bastante diferentes das reflexões cristãs sobre lésbicas, gays e bissexuais, onde existe uma gama de discussão em diversos lugares. Vemos muitos pastores e pastoras discutirem sobre as questões bíblicas referentes as pessoas LGB, mas quase nenhum/nenhuma está familiarizado/familiarizada com as discussões e passagens bíblicas que dizem respeito a população T. Estamos focando nas pessoas trans, mas existem textos relevantes sobre pessoas não-binárias ou pessoas de gêneros fluidos. Parto do pressuposto que você já esteja familiarizado com os conceitos básicos do que seja pessoas travestis e transexuais, caso não, procure estudar tais conceitos.
ARGUMENTOS A FAVOR DAS IDENTIDADES TRANS
Argumentos do amor cristão em geral, ou inclusão, ou a valorização da diversidade, etc.

Provavelmente os argumentos mais comuns para o apoio cristão às pessoas trans seja o de enxergá-las como exemplo de um princípio mais amplo sobre o amor cristão, ou inclusão, ou uma valorização geral da diversidade. Muitas teologias pregam sobre o valor da criação de Deus. É comum salientar que Jesus intencionalmente interagiu e defendeu uma variedade de tipos de párias sociais: cobradores de impostos, prostitutas, samaritanos, pobres pescadores, leprosos, etc. Da mesma forma pode-se apontar uma injunção bíblica especial para ajudar pessoas que precisavam de ajuda, e as pessoas trans parecem precisar de ajuda em uma variedade de medidas. As Igrejas da Comunidade Metropolitana celebram as identidades trans e colocam tal experiência como parte do confiar na sabedoria de Deus "criatividade diversificada de Deus".
"Nós achamos que reivindicando nossa plena sexualidade nos tornamos um alegre ato da obediência e confiança na sabedoria de nosso Criador. Quando confiamos a expressão de nossa identidade sexual em um relacionamento amoroso e justo, nossa dependência e compromisso com a vontade de Deus é revelada e aprofundada. Se o fizermos, obrigamo-nos a uma busca sincera e continua em um caminho para Deus, nesta área mais íntima e indefesa de nossas vidas. As variedades resultantes de relacionamentos e identidade de gênero, em sua gama complexa, responsável, rica e surpreendente, são um lembrete permanente, que o plano de Deus está além da compreensão humana".
As igrejas que praticam uma comunhão aberta (incluindo muitas denominações protestantes), muitas vezes veem isso como uma extensão de um dever da igreja de ministrar a todas pessoas que estão dispostas a ser ministradas, mesmo os pecadores e, mesmo desaprovando as pessoas travestis e transexuais, consideram um dever cristão apoiá-las de várias maneiras. Existem muitas maneiras de obter argumentos para se trabalhar desta forma, e, até mesmo as tradições que se opõem as identidades trans em alguns aspectos, precisam dos outros para apoiá-los, a fim de serem coerentes com seu próprio entendimento da mensagem de Cristo.
Os "eunucos", foram parte integrante da sociedade nos tempos bíblicos, e não foram rejeitados nem pelos judeus, nem pelos cristãos
Por que devemos esperar que a Bíblia fale sobre as pessoas travestis e transexuais em todo seu contexto? Todos os dois termos são recentes, certo? Cirurgias de redesignação sexual e terapia de reposição hormonal moderna foram desenvolvidas por volta do século 20. Ser travesti ou transexual é uma coisa bastante recente, certo? Não. Nem um pouco. Nosso pensamento atual sobre travestis e transexuais e nossas técnicas médicas para auxiliar a transição são ambas muito recentes, mas as pessoas trans deram o melhor de si para viverem sua vida, em praticamente todas as culturas, presente em toda história registrada. Olhe isto deste modo, a palavra "homossexual", foi cunhada em 1896, nossa forma atual de pensar sobre homossexualidade é bastante recente, mas existiram pessoas que hoje teriam sido chamadas de homossexuais em cada cultura há milênios, porém, elas foram categorizadas de outras maneiras anteriormente. Isso é tão verdadeiro para as identidades de gênero, como é para as sexualidades homo e bi.

Ambas são registradas na Bíblia, mas, com o nome de "saris" (pl. Sarissim), em hebraico e aramaico, e "eunouchos", em grego, geralmente traduzida para "eunuco" em português. Mas "eunuco" no hebraico, aramaico, grego e na cultura romana não tinha exatamente o mesmo significado que tem no português. Por exemplo, não implicava ou exigia que a pessoa fosse castrada. Pessoas castradas são um dos vários tipos de eunucos, no latim, grego, hebraico e aramaico, uma pessoa pode ser castrada sem ser saris, ou ser uma saris sem ser castrada. Deuteronômio 23:1 usa termos diferentes para falar sobre as pessoas castradas e as com testículos esmagados. Eunouchos e saris são ambas grandes categorias projetadas para incluir lotes de diferentes tipos de pessoas que não são homens ou ex-homens, nem exatamente femininos também. Alguém nascido intersex, ou nascido do sexo masculino, mas que vivia publicamente fora das normas de masculinidade, ou alguém que queria concentrar sua vida a serviço de um rei em vez de criar uma família, ou mesmo alguém que fosse castrado, ou ainda alguém feito para viver uma vida de um terceiro sexo fazia parte desse código de eunucos do mundo antigo. Um homem que se encontrava infértil ou impotente, ou apenas impotente para com as mulheres, podia ser identificado como eunuco pelos outros, e tanto podiam concordar que eram, como podiam negar, e afirmar que eram do sexo masculino, apesar disso. Eunucos frequentemente usavam roupas do sexo feminino, ou, nas versões femininas, roupas masculinas. Eunucos eram casados. Sarissim, em particular, era associado fortemente ao serviço oficial dos palácios, e não tinham filhos. Na cultura greco-romana um homem que preferia dormir com homens, mas que se encontrava disposto e capaz a se casar e dormir com mulheres e ter filhos, era considerado dentro dos limites da normalidade, um homem que não estava disposto ou mesmo fosse incapaz de se casar com mulheres ou ser pai, era considerado um eunuco, e não um homem. É possível que os sarissim fossem trabalhados desta forma também. Uma série de estudiosos acreditam que muitas pessoas que hoje são consideradas gay, teriam sido codificadas como eunucos no antigo Israel. Romanos e Gregos descreviam eunucos como "um terceiro gênero do ser humano", como "terceiro sexo", e como "gênero do meio".

Saris e eunouchos também foram usados para traduzir identidades desconhecidas de gênero em outras culturas próximas, dos quais haviam muitos. Potifar, egípcio, (proprietário de José em Gênesis 39), era um e, provavelmente um "Sequet" (terceiro gênero, além de masculino e feminino no antigo entendimento egípcio). Mas, isso é traduzido como saris em hebraico. A erudição moderna ainda está lutando para entender o sentido de uma gama de identidades não-padrão de gênero entre os sumérios, acádios, assírios e babilônicos como "aqueles que estão diante do rei", "a terceira categoria de pessoas", ur-sal, ou Kur-ga-ra, sag-ur-sag, assinu, keleb, kulu'u, sinnisanu, entre outras. Parece que essas pessoas faziam distinção entre os ricos dos palácios e os servos de gênero queer, prostitutos sagrados, gênero fluido, homens que viviam com mulheres, homens-mulheres, homossexuais efeminados, e muitos outros. O que está nítido é que haviam muitas possibilidades de identidades de gênero não-padrão na Mesopotâmia, mas o único termo em hebraico que traduz tudo isso é saris (e ay'loint, do aramaico pode preservar algumas das distinções assírias. E temos m'hay-min, gwar-Ni-SHA-ya entre outras, para além da forma de saris). A Frígia (Phyrigians) teve os Galli, que continuou e se espalhou após sua queda, alguns dos entendimentos de gênero Galli se espalharam e provavelmente influenciaram os entendimentos mais Helênicos de Hermafrodita (Hermaphroditus), andróginos e eunucos.

Tudo bem, mas o ponto é que sarissim e eunucos são frequentemente mencionados na Bíblia, e são aceitos, de modo geral, sem comentário, hostilidades ou oposição. A Bíblia não contém condenações para eunucos, ou apelos para não deixar suas crianças virarem eunucos quando crescerem, ou dar a entender que ser eunuco era um castigo de Deus ou uma rebelião contra o plano dele. Muitos eunucos podem ter sido excluídos da casa do Senhor, mas em uma passagem mais adiante, em Isaías 56:4-5 diz: "Porque assim diz o Senhor a respeito dos eunucos, que guardam meus sábados, que escolhem coisas que me agradam e abraçam minha aliança: Darei na minha casa, dentro de meus muros, um lugar e um nome, melhor do que filhos e filhas; darei um nome eterno que nunca será apagado". Talvez Isaías tente rever e atualizar Deuteronômio, mas também é possível que os eunucos tenham um papel liminar entre os antigos hebreus, onde eram excluídos da casa de Deus, mas ainda considerados de alguma forma valiosos como membros da comunidade. A Bíblia tem muitos exemplos de eunucos que são retratados de forma basicamente favoráveis, Potifer, Aspenaz, Ebede-Meleque, um funcionário etíope sem nome que interage com Filipe, etc.

É importante ressaltar que não há registro nem de Jesus, nem dos discípulos tentando curar um eunuco. Por que não? Leprosos também eram excluídos, e um dos principais objetivos de Jesus era o de cura, incluindo os leprosos. (Marcos 1:40-45; Mateus 8:2-4; Lucas 5:12-16). Então, por que Jesus não curou eunucos castrados também, e os restaurou para sua casa? Bem, uma razão é uma citação que veremos mais à frente, outra razão possível é que simplesmente Jesus não via eunucos como tendo necessidades de cura, não tem nada de errado com eles, não são impuros, especialmente se a pessoa escolheu esse caminho. Os eunucos não vinham para cima dele pedindo cura, mesmo quando ele se tornou famoso por suas curas milagrosas.

Hoje, a maioria das pessoas trans no Brasil não se veem como eunucos, elas pensam em si mesmas como homens ou mulheres. Alguns de nós, se consideram não-binários ou gênero fluído, terceiro sexo ou algo assim. Em nossos tempos, alguém poderia imaginar como era ser uma mulher trans presa no mundo antigo, sem acesso a bloqueadores de testosterona, estrogênio ou mesmo a vaginoplastia moderna? Talvez o esmagamento ou remoção dos testículos e até mesmo remoção do pênis seria a forma de eliminar a produção de testosterona, e, talvez a forma de lhe dar com sua transexualidade. Em sentido real, era a melhor maneira que se tinha na tecnologia da época. Muitas pessoas que hoje são mulheres trans, provavelmente teriam sido eunucos nos tempos bíblicos. O importante é olhar firme para os eunucos mostrados nos tempos bíblicos e pensar sobre identidade de gênero das pessoas mais vulneráveis e, sobre a distante transição entre o nascimento e sua identidade. A Bíblia pode não ser capaz de ajudar com questões chaves, com a eficácia que nossa tecnologia atual ajuda em uma transição, mas, pelo menos, mostra nitidamente a atitude de que não há nada de vergonhoso, impuro ou contrário aos planos e metas de Deus se afastar do sexo atribuído ao nascer.

Continua...

Fonte: Estudos do Rev. Cindi Knox (homem trans). 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

EUNUCOS: ATRAÍDOS PELO MESMO SEXO

O Talmude Babilônico sobre os Eunucos
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Oficial Eunuco, 1749
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Na história, os eunucos eram muitas vezes pessoas atraídas pelo mesmo sexo ou pessoas com variante de gênero, e não homens simplesmente castrados, סָרִיס cariyc ou saris, palavra hebraica para eunuco. A palavra saris refere-se a ambos os eunucos: castrados e fisicamente intactos, sendo do sexo feminino ou masculino.
O Talmude Babilônico oferece uma explicação sobre sacerdotes judeus que eram saris-eunuch por natureza [nascidos eunucos], distinto dos homens castrados cirurgicamente.
"O Mishná¹. Se um sacerdote que fosse saris² por natureza [eunuco nascido] casasse com a filha de um israelita, a ele ou ela era conferido o direito de comer terumah³ ...Pode assumir que só aquele que é capaz de propagar é concedido o direito de comer e que quem não fosse capaz de propagar não teria o direito concedido de comer; portanto, fomos ensinados [que mesmo ao saris (eunuco nascido) pode ser conferido o direito]".
Talmude Babilônico
Tractate Yebamoth, Folio 81a.
Nota 1, exclui especificamente os feitos pelo homem [saris um eunuco castrado cirurgicamente], pois o mesmo está sob a proibição de Deuteronômio 23:1-2.
Mas o eunuco nascido, de acordo com os rabinos, era capaz de propagação e estava outorgado, em sua esposa, ao direito de comer a oferta alcançada. Só ao eunuco nascido, sacerdote, era conferido o direito, dado por sua esposa, de comer terumah.

Lições do Talmude Babilônico


Esta passagem do Talmude nos lembra que alguns sacerdotes de Israel nasceram eunucos e tinham se casado com mulher.
Eles não foram castrados cirurgicamente. Eram completos fisicamente, mas continuavam a ser considerados "saris [eunuco] por natureza" ou eunuco nascido.
Mas, como homens que eram atraídos pelo mesmo sexo, considerados eunucos, poderiam se casar com uma mulher? É possível que os eunucos, atraídos pelo mesmo sexo, tenham se casado para se encaixarem? É possível que o chamado de Deus fosse tão forte que eles estavam dispostos a sublimar seus desejos sexuais e tenham se casado?
É possível que os eunucos, atraídos pelo mesmo sexo, pensaram, erroneamente, que o casamento com uma mulher iria "curá-los" de suas atrações?
É possível que a ordem de Deus para "Sede fecundos, multiplicai e enchei a terra" tenha exercido tal poder sobre os homens judeus que mesmo sendo eunucos atraídos pelo mesmo sexo, casaram para cumprir o mandamento de procriação de Deus?

Você é honesto o suficiente para aceitar o veredito da história?

Os eunucos mencionados por Jeremias (Jeremias 34:13-19), estavam no templo e não teriam sido castrados. Eles eram "eunucos nascidos". Eles não eram castrados ou genitalmente deformados. Eram completos anatomicamente, mas ainda eram considerados eunucos, diferentes dos outros homens. Talvez fossem homens eunucos atraídos pelo mesmo sexo. Mais de 2500 anos depois e ninguém sabe ao certo.
O Talmude nos informa que alguns homens "eunucos nascidos" tornaram-se sacerdotes e, as mulheres casaram-se. Se esses sacerdotes eunucos foram atraídos pelo mesmo sexo, abrimos o debate. Além disso, o Talmude nos informa que um sacerdote que não fosse capaz de propagar (ter filhos), não teria o direito de comer o Terumah, oferta alçada. Mas um sacerdote saris, um eunuco nascido, que podia propagar, em sua esposa, tinha o direito de comer a oferta alçada. Portanto, um eunuco nascido era capaz de procriação, de acordo com o Talmude Babilônico.


Como o Talmude Babilônico define um eunuco nascido

Eunucos são pessoas atraídas pelo mesmo sexo. O Talmude Babilônico, como documento escrito tem mais de 2000 de idade, transmite os pontos de vistas do judaísmo antigo a centenas de anos antes do nascimento de Cristo.
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"R. Joseph diz: Deve ter sido esse um saris [eunuco] de quem ouvi Ammi dizendo. "Aquele que está aflito desde o nascimento... 'Nossos rabinos ensinaram: Quem é um saris congênito? [um eunuco nascido]. 13 Qualquer pessoa que tenha mais de vinte anos e ainda não produziu pelo menos dois pelos pubianos. 14 E mesmo que tenha produzido, depois de ter sido considerado um saris [eunuco nascido], será em todos os aspectos. E estas são as suas características: Não tem barba, o cabelo e sua pele são lisos. R. Simeon b. Gamaliel disse em nome de R. Judá b. Jair: 15 Qualquer pessoa cuja a urina não produz espuma; alguns dizem: Quem urinar sem formar um arco; outros dizem: Aquele cujo sêmen é aguado; Outros ainda dizem: Aquele cuja a urina não fermenta. outros dizem: Aquele cujo o corpo não produz vapor após o banho durante a temporada de inverno. R. Simeon b. Eleazar diz: 15 Aquele cuja voz é tão anormal que não se pode distinguir se se trata de um homem ou de uma mulher". 
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Algumas mulheres eram eunucas


"Que mulher é considerada incapaz de procriar? - Qualquer mulher que tenha vinte anos de idade e ainda não tenha produzido pelos pubianos. 14 E mesmo que os tenha produzido depois de ser considerada uma mulher incapaz de procriar, ela o será em todos os aspectos. E estas são suas características: Ela não tem seios e sofre de dor durante a cópula... R. Simeon b. Eleazar diz: Aquela cuja voz é profunda, de modo que não se pode distinguir se se trata de um homem ou de uma mulher".
Os Eunucos no Talmude Babilônico
Tratado Yebamoth, 80.
"Os saris [eunucos nascidos] foram mencionados da mesma forma como uma mulher que é incapaz de procriar; como a incapacidade da mulher é devido a um ato celeste, assim é a dos saris [nascido eunuco], um ato celeste; este anônimo [Mishná] está de acordo com R. Akiba, que afirmou [que só se aplica halizah] feito por um homem [saris (um homem fisicamente castrado), mas] não [ao atribulado] pela mão do céu [nascido eunuco]".
É possível que as saris do sexo feminino também tenham sido eunucas atraídas pelo mesmo sexo? Os rabinos parecem acreditar que as saris fêmeas fossem feitas de um ato celeste (nascidas desta forma) tanto quanto os saris masculinos, o que faz com que seja uma possibilidade viável.


Os Eunucos no Talmude Babilônico

Tratado Yebamoth, 80.


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"Quem respeita uma menina que, só posteriormente foi encontrada para ser um saris [eunuco], como sendo um saris e, consequentemente, também a partir do momento em que ela já tivesse doze anos e um dia de idade?".
Os Eunucos no Talmude Babilônico

Tratado Yebamoth, 80.
Notas 29 e 36.


Resumindo o Talmude babilônico sobre os eunucos nascidos

Eunucos atraídos pelo mesmo sexo. O Talmude Babilônico descreve os Eunucos Nascidos de seis maneiras. Por que usar tantos descritores? A menos que os eunucos nascidos (LGT) fossem um fenômeno relativamente comum e aceito na Israel antiga.
1. O saris congênito (eunuco);
2. O saris (eunuco) por natureza;
3. O saris nascido (eunuco);
4. O saris (eunuco) aflito desde o nascimento;
5. O saris (eunuco) feito por um ato celeste;
6. O saris (eunuco) afligido pela mão celeste.
Antiga compreensão judaica sobre os eunucos nascidos
1. Eunucos nascidos não foram castrados cirurgicamente pelos homens. Poderiam os eunucos terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
2. A condição do eunuco nascido era uma condição inata, por escolha de Deus. Poderiam os eunucos terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
3. Os nascidos eunucos não fizeram uma escolha para serem eunucos. Poderiam os eunucos terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
4. Os nascidos eunucos eram fisicamente intactos e capazes de produzir sêmen. Poderiam os eunucos terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
5. Os eunucos nascidos geralmente eram desinteressados em procriação ou emocionalmente e psicologicamente incapazes de procriar, embora ele ou ela tivessem o equipamento físico para procriação. Poderiam os eunucos terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
6. Os rabinos reconhecem que algumas mulheres nasceram eunucos. Essas pessoas estavam aparentemente desinteressadas na procriação ou eram emocional e psicologicamente incapazes de procriar, pela mão celeste.
Nós acreditamos que estas saris-mulheres eram eunucas atraídas pelo mesmo sexo, que hoje chamamos de lésbicas.
Clemente de Alexandria sobre os Eunucos

Alguns entendem que Clemente, morto por volta do ano 215, advertiu contra as inclinações dos eunucos atraídos pelo mesmo sexo na seguinte citação:
"Muitos são eunucos, e esses alcoviteiros, servem sem suspeita aqueles que desejam ser livres para desfrutar de seus prazeres, por causa da crença de que sejam incapazes de entrar em luxúria.
Mas, um verdadeiro eunuco (ενοχος eunouchos) não é aquele que é incapaz, mas aquele que não está disposto a entrar no prazer" [com uma mulher].
Clemente de Alexandria,
Paedagogus, (The Instructor), III. IV.

Mais uma vez, Clemente fala dos eunucos, citando os seguidores de Basilides, um herege gnóstico e sua visão de Mateus 19:11-12.
"Os Valentinianos, que sustentam que a união do homem e da mulher é derivada da emanação divina vinda do céu, aprovam o casamento.
Os seguidores de Basilides (hereges gnósticos, não cristãos tradicionais), por outro lado, dizem que quando os apóstolos perguntaram se era melhor não casar, o Senhor respondeu: "Nem todos podem receber esta palavra, existem alguns eunucos que são assim desde seu nascimento, outros são de necessidade".
E sua explicação para esse dito é mais ou menos a seguinte: Alguns homens, desde o seu nascimento, tem um senso natural de repulsa por uma mulher; e aqueles que são naturalmente assim construídos fazem bem não casar". [com mulher]. - Clemente de Alexandria, Stromata A, III. I.
Resumindo Clemente sobre eunucos
1. A condição eunuco é comum ("muitos são eunucos");
2. Eunucos verdadeiros (eunucos nascidos) "não são incapazes, mas poucos dispostos" para entrar em prazer (com mulher);
3. Eunucos nascidos tinham "um senso natural de repulsa a uma mulher";
4. Um senso natural de repulsa de se casar com uma mulher é uma característica inata, não um estilo de vida escolhido;
5. Os homens que nascem desta forma fazem bem não se casarem (com mulher).
Clemente cita os seguidores de Basilides sobre esta questão, como se concordasse com a opinião de que eunucos nascidos nascem com um senso natural de repulsa a uma mulher, embora não concordasse com esses hereges gnósticos em outras questões.
Clemente viveu e ministrou numa época em que as relações sexuais entre homens era uma ocorrência comum. Clemente e Basilides acreditavam que os eunucos eram pessoas atraídas pelo mesmo sexo.
Gregório de Nazianzo sobre os eunucos
Gregório de Nazianzo, 329-389 DC, sobre os eunucos nascidos
"Porque existem eunucos que foram feitos eunucos desde o ventre de sua mãe, eu gostaria muito de ser capaz de dizer alguma coisa ousada sobre eunucos. Não sejais orgulhosos, vós que sois eunucos por natureza".
"Pois, no ponto de autocontenção, este talvez seja sem vontade. Por isso não veio para ser testado, nem sua autocontenção tem sido provada por tentativa [um homem que não tem nenhum interesse sexual por mulheres não luta com a luxúria das mulheres].
O bem que não é, por natureza, um assunto de mérito; o resultado do propósito é louvável... Desde então, que a castidade natural não é meritória [nascer com um senso natural de repulsa por uma mulher ou sem desejo por uma mulher, não é escolha própria, não é mérito], exijo algo mais da parte dos eunucos. Não se prostituir em relação a Divindade. Depois de terem sido casados com Cristo [ele fala dos eunucos gays salvos, pessoas que confiavam em Jesus Cristo], não desonrem a Cristo".
Gregório de Nazianzo,
Oração 37, XVI-XVII

Resumindo Gregório sobre eunucos

1. Gregório reconhecia a realidade de que os eunucos por natureza eram diferentes dos castrados, eunucos sintéticos. Será que os eunucos atraídos pelo mesmo sexo adoraram abertamente na Igreja de Gregório?
2. Eunucos por natureza, homens fisicamente intactos, que possuíam a castidade natural [nenhum interesse sexual por mulheres], existiam na época de Gregório, 330-389 dC. Poderiam os eunucos na congregação de Gregório, que possuíam castidade natural, terem sido pessoas atraídas pelo mesmo sexo?
3. Gregório entendia, há mais de 1600 anos atrás, que a condição de ser um eunuco por natureza era inata e não o resultado de uma escolha pessoal.
4. O eunuco fisicamente intacto, por natureza, que não tinha nenhum interesse sexual por mulheres [ou desejo por mulheres], não tinha o direito de sentir orgulho, uma vez que, de acordo com Gregório, ele não tinha escolhido sua condição.
5. Gregório reconheceu que um eunuco por natureza, um homem sem interesse sexual por mulheres, ainda enfrenta o problema potencial da luxúria, através da tentação sexual por homens. Assim o aviso de Gregório vai contra os que se desviam de Deus, talvez como a prostituição nos santuários, onde os homens tinham relações sexuais com outros homens para adorarem a deusa da fertilidade. Poderiam os eunucos na congregação de Gregório terem sido atraídos pelo mesmo sexo?
6. Gregório amava seu povo o suficiente para levar os eunucos ou folclóricos gays a fé salvadora em Jesus Cristo. Ele então encorajou-os, como membros de sua congregação, a viver para o Senhor que os amou e os comprou com seu sangue. Eunucos, homossexuais nascidos, eram bem-vindos na congregação de Gregório. Os gays são bem-vindos em sua congregação?
O Concílio de Nicéia, 325 DC, sobre eunucos
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Concílio de Nicéia
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"Se qualquer um, que, por uma doença tenha se submetido aos médicos para uma intervenção cirúrgica, ou, que tenha sido castrado pelos bárbaros, deixe-o permanecer entre o clero, mas, se houver um com saúde que tenha castrado a si mesmo, cabe a tal pessoa, mesmo [já] matriculado entre o clero, deixar [partindo de seu ministério], e que, deste momento em diante, não seja promovido. Mas, fica evidente que isso é dito daqueles que deliberadamente fazem tal coisa e presumem castrar-se. Por isso, qualquer um eunuco que tenha sido feito pelos bárbaros, ou por seus mestres, devem ser achados de uma forma digna, a esses homens o Canon admite para o clero".
Decretos dos Concílios Ecumênicos,
Concílio de Nicéia, Canon 1. 325 DC
Os Cânones Eclesiásticos sobre os eunucos
"Um eunuco, que for feito pela lesão de homens, ou que suas genitais tenham sido levadas em uma perseguição, ou que nasceu como tal, ainda é digno do episcopado, pode ser feito um bispo".
Os Cânones Eclesiásticos
dos santos apóstolos, nº 21.
Parece evidente a partir das citações acima, que a igreja primitiva tenha aceitado ambos os eunucos, castrados e não castrados, eunucos nascidos, "aquele que nasceu como tal", para o ministério da igreja cristã. Eunucos atraídos pelo mesmo sexo se enquadram na categoria de "aquele que nasceu como tal".
Dr. James Dobson sobre os eunucos
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Dr. James Dobson - Anti-gay, Psicólogo cristão.
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Fundador da Focus on the Family and Love Won Out, ministro anti-gay que fez parte da Exodus Internacional. Dobson agora está dissociado da FOTF e tem seu próprio ministério em uma rádio independente. Ele admitiu em novembro de 2006, em uma entrevista no programa de TV Larry King Live, que a orientação homossexual, em sua opinião, geralmente não é o resultado de uma escolha individual.
Dr. Dobson, em seguida, apontou que muitos líderes cristãos discordam dele, mas, ele mantém sua crença pessoal de que a orientação homossexual geralmente não é o resultado de uma escolha individual.
Se a orientação homossexual não é geralmente o resultado da escolha individual, do ponto de vista do Dr. Dobson, isso tem implicações interessantes para nossa crença histórica e bíblica de que os eunucos eram, às vezes, os antigos LGBT.
Comentários do Dr. Dobson durante
uma entrevista ao vivo na CNN
programa de Larry King, em novembro de 2006.
Essa é a posição oficial do Dr. Dobson,
do site Love Won Out em 2008

Dicionário da Lei de Bouvier
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por John Bouvier, 1856
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O Dicionário da Lei de Bouvier nos define spadones.
"Aqueles que, por causa de seu temperamento, ou por algum acidente que sofreram, são incapazes de procriar".
Será que "por causa de seu temperamento" inclui os eunucos com atração pelo mesmo sexo que tinham temperamento inadequado para o casamento heterossexual por não estarem sexualmente atraídos por mulheres?
É interessante que um dicionário de lei americano publicado há 150 anos, defina uma classe de pessoas como inadequadas para o casamento heterossexual por causa de seu temperamento, e, não por nascerem com deformidades genitais. Parece com os LGBT, não é?
Dicionário Bíblico Easton, 1897, sobre eunucos
Como o Dicionário Bíblico Easton define o termo eunuco.
"Eunuco: Literalmente guarda-cama ou camareiro, e não necessariamente, em todos os casos, alguém que tenha sido mutilado [castrado cirurgicamente]... Eles eram comuns também entre os Gregos e os Romanos... Três classes de eunucos são mencionadas em Mateus 19:12".
Os cristãos, em 1897, tinham a informação de que eunucos não eram necessariamente homens mutilados (castrados). Se um homem podia ser eunuco sem ser castrado fisicamente, ou ele era uma pessoa assexuada, uma pessoa travesti/transexual ou um eunuco que se sentia atraído pelo mesmo sexo. 
ISBE descreve eunucos como atraídos pelo mesmo sexo
A International Standard Bible Encyclopedia informa-nos que a existência de eunucos como uma classe de pessoas era de conhecimento comum durante o ministério terreno de Cristo. Ao falar de eunucos, de acordo com a ISBE, Jesus pretende fazer seus discípulos entender que:
"Existem casos excepcionais que a regra [sobre o estilo de casamento de Adão e Eva] não se aplica. Ao falar das três classes de eunucos (Mateus 19:12), Ele faz uma distinção que era evidentemente bem conhecida para aqueles a quem se dirigiu".
De acordo com a ISBE, definitivamente essa não é uma publicação gay friendly, em seu todo, mas as três classes de eunucos, incluindo os "eunucos nascidos" eram bem conhecidos no primeiro século dC.
A passagem sobre eunucos como pessoas atraídas pelo mesmo sexo incluídos na categoria de "eunucos nascidos" não deveria aparecer como uma surpresa para os estudantes de história.
Filo de Alexandria e os Eunucos Naturais
 Philo, 20BC-AD 40

Filo comenta sobre a história de José em Gênesis 38. A palavra hebraica saris-eunuch, é usada por Moisés para descrever Potifar, o homem que comprou José dos midianitas, Gênesis 37:36.
De acordo com Moisés, o autor humano de Gênesis, Potifar é um saris-eunuch.
De acordo com Filo, comentando sobre Moisés, Potifar é um eunuco natural, que acontece de ser casado com uma mulher.
Ele possui os órgãos gerativos [não tinha sido castrado], mas, aparentemente, não tem nenhum interesse sexual por sua esposa. Potifar compra um bonito e jovem escravo judeu, José, e, o coloca no comando de toda sua casa. É possível que Potifar seja incluído no que agora reconhecemos como eunuco atraído pelo mesmo sexo?
"O homem [Potifar] que comprou este servo [José] de que estamos falando é dito ter sido um eunuco; muito natural para o povo que adquiriu um homem verdadeiramente eunuco, hábil em assuntos de Estado, que tinha, na aparência, os órgãos genitais, mas que era privado de todo requisito de energia para gerar [nenhum desejo físico por mulher]... O que, então, parece ser um eunuco para o povo? Será se a multidão seria incapaz de saber? ... (60) em que se conta que (embora pareça ser uma coisa mais antinatural) uma mulher é apresentada coabitando com este eunuco [Potifar]".
Filo, Por José, XII. 58-60.
Vamos pensar sobre o que aprendemos
Não é difícil entender
 Pensamento de Gorila
1. Nós descrevemos os indivíduos que são eunucos nascidos;
2. Isto foi reconhecido pelos rabinos judeus e cristãos, e, até mesmo pelos hereges gnósticos;
3. Todos concordam que eunucos nascidos não escolheram sua condição;
4. Sua condição foi dada à eles por Deus;
5. Esses eunucos nascidos são fisicamente intactos e capazes de procriação;
6. Esses eunucos nascidos tem um senso natural de repulsão de se casar com o sexo oposto.
Temos várias opções de como avaliar esses fatos históricos.
 Pensamento de Homem.

1. Podemos concluir que os nascidos eunucos eram assexuados, não tendo nenhum interesse sexual por ninguém;
2. Podemos concluir que os nascidos eunucos não eram gays ou trans, mas eram algo indefinível (argumento refutável, uma vez que os judeus definiram como eunucos nascidos);
3. Podemos concluir que os nascidos eunucos eram travestis/transexuais, uma designação diferente de homossexuais;
4. Podemos concluir que os eunucos nascidos eram homens gays e mulheres lésbicas;
5. Podemos concluir que os nascidos eunucos estão divididos em três ou quatro categorias. Os leitores são livres para chegar a qualquer conclusão que acreditem que os fatos mandem.
Nossa conclusão Factual
O registro histórico e bíblico indica que os eunucos nascidos, como regra geral, eram frequentemente homens gays, mulheres lésbicas ou travestis e transexuais. 

1. Mishná - (rt. Shanah, "para aprender", "repetir"), (a) recolha das declarações, discussões e interpretações bíblicas do Tannaim na forma editada por R. Judá o Patriarca c. 200; (b) pequenas coleções similares feitas por editores anteriores; (c) uma única cláusula ou parágrafo do autor de quem foi um Tanna.
2. Saris - Castração; aquele que é fisicamente incapaz de gerar filhos.
3. Terumah - "Aquilo que é levantado ou separado"; a oferta alçada, dada a partir dos rendimentos das colheitas anuais, a partir de certos sacrifícios, e dos shekels coletados em uma câmara especial no Templo (terumath ha-lishkah). Terumah gedolah (grande oferta): a primeira imposição sobre a produção do ano dada ao Sacerdote (v. Números 18:8ss.). Sua quantidade varia de acordo com a generosidade do proprietário, que podia dar um quadragésimo, um quinto, ou um sexto de sua colheita. Terumath ma'aser (oferta alçada do dízimo): oferta alçada dada ao Sacerdote pelo Levita dos dízimos que recebia (v. Números 18:25ss).

Fonte: www.gaychristian101.com.