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quinta-feira, 16 de junho de 2016

DEUS É MENINO OU MENINA?



Recentemente um padre católico de Massachussetts, oficialmente morto por mais de 48 minutos, antes dos médicos serem capazes de milagrosamente reiniciar os batimentos de seu coração, afirmou que durante esse tempo foi para o céu e, se encontrou com Deus, que ele descreveu como uma figura reconfortante e maternal.


O clérigo John Micheal O'neal, de 71 anos foi levado para o hospital no dia 29 de janeiro, depois de um ataque cardíaco. Foi declarado clinicamente morto logo após sua chegada, mas, com a ajuda de uma máquina de alta tecnologia, chamada LUCAS 2, manteve o sangue fluindo para seu cérebro. Os médicos do Hospital Geral de Massachussetts conseguiram desbloquear suas artérias vitais e fazer voltar seu coração a um ritmo normal. Os médicos ficaram com medo que ele tivesse sofrido algum dano cerebral devido o incidente, mas, ele acordou em menos de 48 horas e parece ter se recuperado perfeitamente.

O idoso afirma ter lembranças nítidas e vívidas do que aconteceu com ele enquanto esteve morto. Descreveu uma experiência estranha fora do corpo. Afirmou ter experimentado um intenso sentimento de amor incondicional e de aceitação, bem como ser rodeado por uma esmagadora luz. Afirmou ainda, que nesse ponto de sua experiência, foi ao céu e encontrou com Deus, que descreveu como sendo uma mulher, mãe boa, "Ser de Luz".

"A presença dela era tão esmagadora quanto reconfortante", afirmou o padre católico. "Ela tinha uma voz suave e sua presença era calma e reconfortante como um abraço de mãe. O fato de Deus ser uma Santa Mãe e não um Santo Pai não me perturbou, ela era tudo o que eu esperava que fosse e ainda mais!".

As declarações do clérigo causaram uma grande celeuma no clero católico da arquidiocese ao longo dos últimos dias, fazendo o arcebispo convocar uma coletiva de imprensa para tentar acalmar os rumores.

Isso nos leva a pensar: Deus é masculino ou feminino?

A igreja cristã sempre teve um pouco de problema com o sexo de Deus. Ele/Ela não tem um, mas, como a declaração demonstra, é difícil falar de Deus sem dar-lhe um gênero. Para falar de Deus, temos que chamá-lo de alguma coisa, e, evitar pronomes torna-se bem complicado. Chamá-lo de "coisa", parece bem rude, dar a entender Deus como uma força impessoal, como a gravidade ou a inflação. Assim, devemos chamar "ele" ou "ela" e, em uma sociedade patriarcal como a nossa, parece que "ele" ganha a competição.

Como diz o catecismo da Igreja Católica: "Deus não é homem, nem mulher: ele é Deus". Outros grupos cristãos vão mais longe. Uma igreja Síria do terceiro século parece ter criado o hábito de orar ao Espírito Santo com termos do sexo feminino. Um dos seus livros sagrados, Os Atos de Tomé, conta a história de São Tomé presidindo um serviço de comunhão, invocando o Espírito Santo dizendo: "Vinde, mulher que se manifesta nas coisas ocultas e faz coisas indizíveis serem simples, pomba sagrada que leva o jovem solteiro. Vamos, mãe escondida... venha se comunicar conosco nesta eucaristia".

Outros, grupos cristãos gnósticos ou místicos da igreja primitiva foram mais longe do que a corrente majoritária do cristianismo, crendo em Deus, irreconhecível em si mesmo, com emanações, tanto masculina quanto feminina. As femininas incluem espíritos chamados Aletheia (Verdade) e Zoe (Vida), Spiritus (Espírito), Ecclesia (Igreja), e Sophia (Sabedoria). O Universo foi feito por intermédio de Sophia (embora gnósticos considerem isto como uma má jogada) e no fim ela foi feita a noiva de Cristo. Os gnósticos foram batizados de acordo com Irineu, adversário da Igreja Católica, com as palavras: "Em nome do Pai desconhecido do universo, em verdade, mãe de todas as coisas".

Embora tenha sido uma longa caminhada até a perspectiva estabelecida da Igreja, o escrito cristão, totalmente aceito pela Igreja, também vê um lado feminino de Deus. Juliana de Norwich, uma reclusa inglesa, escreveu em seu livro Revelações do Amor Divino, do século XIV: "Assim como Deus é nosso Pai, Ele também é nossa mãe". Ela fala sobre "Nossa preciosa mãe, Jesus". Fala da trindade, geralmente descrevendo como Pai, Filho e Espírito Santo, nos seguintes termos: "Nosso Pai deseja, nossa Mãe opera e nosso bom Senhor Espírito Santo, os confirma".

Santo Anselmo, do século XI, arcebispo de Canterbury, orava: "Cristo, minha mãe", e pedia a Deus "a grande Mãe". São João Crisóstomo chama Cristo de nosso "amigo, membro e cabeça, irmão, irmã e mãe".

Tais formas de falar de Deus foram apenas ocasionais até os últimos 50 anos, quando teólogas feministas começaram a rediscutir nas igrejas a linguagem tradicional religiosa que excluíam as mulheres. Como Mary Daly, por exemplo, escreveu em 1973: "Se Deus é macho, então o sexo masculino é de Deus".

Desde a década de 1980, novas traduções da Bíblia têm utilizado uma linguagem mais inclusiva. Na nova versão da Bíblia do Rei James o texto: "Que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?", tornou-se: "O que são os seres humanos, para que estejas ciente deles? E os mortais para que te importes?".

A maioria das tradições da Bíblia ainda usam uma linguagem masculina para Deus, mas não para os seres humanos, com algumas exceções. A tradução recente "Good as New", traduzida por John Henson, traz uma releitura radical das escrituras do Novo Testamento, ela chama Deus de "parente" em vez de "pai". O Espírito Santo é uma mulher e se evita terminantemente usar um pronome para Jesus.

Quanto à linguagem dos cultos nas igrejas, algumas denominações têm saído na frente em matéria de inclusão. A Igreja Metodista Inglesa introduziu um novo livro de serviço em 1999, que usa ambos os sexos para Deus: "nossa Pai e nossa Mãe". A Igreja Reformada Unida concordou em 1984 em usar uma linguagem inclusiva para todas suas publicações, e, no ano passado, em Assembleia Geral, convocou todas as congregações da IRU para "expandir a linguagem inclusiva para as imagens de adoração".

O que dizem as Escrituras?

Quando olhamos para a forma de como Deus se comunicou através das Escrituras, descobrimos que os pronomes utilizados são consistentemente masculinos. As línguas originais da Bíblia (hebraico, aramaico e grego) referem-se a Deus como "Ele" em vez de "Ela". Além disso, Deus é chamado de "Pai" cerca de 170 vezes nas Escrituras. Com base na prática da Bíblia, os cristãos usam o pronome masculino para se referirem a Deus.

No entanto, também encontramos passagens nas Escrituras que revelam a feminilidade de Deus. Por exemplo, em Mateus 23:37, Jesus declarou: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como uma galinha ajunta sua ninhada debaixo de suas asas, e vós não o quisestes!" (ver também Lucas 13:34). A comparação evoca as ações de uma galinha, nitidamente uma ilustração maternal, no entanto, foi expressa por Jesus, o Filho do sexo masculino de Deus.

Deus pode perfeitamente se identificar com as necessidades e emoções de todas as pessoas, homens e mulheres. Gênesis 1:27 afirma: "E criou Deus o ser humano à sua imagem; a imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou". Tanto homem como mulheres foram feitos a imagem de Deus; Ele é tanto mulher quanto homem.

A questão sobre se Deus é homem e mulher, sugere a preocupação sobre se o cristianismo valoriza igualmente tanto homem, quanto mulheres. A Bíblia deixa nítido que Deus dar valor de forma igual. Paulo escreve em Gálatas 3:28 "Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há macho nem fêmea, pois todos vós são um em Cristo Jesus". Deus nos ama completamente. Somos todos e todas um/uma em Cristo Jesus.

Então, oremos a Deus mãe e pai para que dê um F5 em nossa arcaica teologia, e, assim, possamos pensar em uma teologia que inclua Deus de forma não binária.

Imagens do Femininas de Deus na Bíblia

Gênesis 1:27, mulheres e homens são criados/criadas à imagem de Deus
"A humanidade foi criada como o reflexo de Deus: à imagem de Deus, Deus os criou; feminino e masculino Deus os fez".

Oséias 11:3-4, Deus descrito como Mãe
"No entanto, fui eu quem ensinou a andar Efraim, tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. Atrai-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre suas queixadas, e lhes dei alimento".

Oséias 13:8, Deus descrito como uma mãe ursa
"Como ursa roubada de seus filhotes, vou atacá-los e rasgá-los em pedaços...".

Deuteronômio 32:11-12, Deus descrito como uma mãe águia
"Como a águia desperta sua ninhada, e paira sobre seus filhos, Deus estende suas asas para pegar você, e carregá-lo em pinhões".

Deuteronômio 32:18, Deus que dá à luz
"Esqueceste da Rocha que te gerou, e em esquecimento puseste o Deus que te formou".

Isaías 66:13, Deus confortando como uma mãe
""E como uma mãe consola seu filho, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém sereis consolados".

Isaías 49:15, Deus se compara com uma mãe que não esquece do filho
Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto do seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho de seu ventre? Mas ainda que está se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti".

Isaías 42:14, Deus se compara a uma mulher em trabalho de parto
"Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a que está de parto, e a todos os assolarei e juntamente devorarei".

Mateus 23:37 e Lucas 13:34, Deus como uma galinha mãe
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir teus filhos, como uma galinha ajunta sua ninhada debaixo de suas asas, e vós não o quiseste!".

Lucas 15:8-10, Deus comparado a uma mulher com uma moeda perdida
Ou qual a mulher que, tendo dez moedas de prata, se perder uma moeda, não acende a lâmpada, varre a casa, e busca com diligência até encontrá-la? E, achando-a, reúne as amigas e as vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda que tinha perdido. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.

Compilados pela Conferência de Ordenação das Mulheres.

terça-feira, 14 de junho de 2016

ONDE ESTAVA DEUS ENQUANTO PESSOAS ERAM MORTAS EM ORLANDO?

Sempre perguntamos: "Onde está Deus?" "Até que ponto você pode exatamente contar com Deus?"


Até que ponto podemos confiar que Deus é conosco? Ele pode realmente transformar tudo? Em tempos de crise, bem como em tempos de calmaria?

Assistimos estarrecidos o mais mortal tiroteio em massa dos Estados Unidos e o pior ataque terrorista a nação desde 9/11, dizem as autoridades americanas. Foram 49 pessoas mortos em uma boate gay na cidade de Orlando. Mas onde estava Deus neste momento? Muitas pessoas fazem essa pergunta. Se Deus é todo poderoso e é amor, por que Ele permitiu esse sofrimento?

Podemos dar várias respostas, mas não resolveríamos o problema permanentemente, pois nossas respostas levantariam a mais questionamentos. Porém, nossa falta de capacidade de responder às perguntas não significa que não possamos oferecer soluções. É certo que não poderei responder a estas perguntas de forma definitiva, mas posso oferecer alguma solução.

Quero deixar nítido, porém, que não quero aqui fazer uma defesa de Deus, pois sei muito bem que Ele não precisa de defesa. Quero apenas, como cristão, dar uma alternativa a estas dúvidas.

Quem é Deus?

Como cristão, acredito que Deus é o criador do universo que anseia que nós possamos conhecê-lo. É por isso que estamos todos aqui. Seu desejo é que possamos experimentar e contar com sua força, amor, justiça, santidade e compaixão. Por isso Ele diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28).

Ao contrário de nós, Ele sabe o que vai acontecer amanhã, na próxima semana, no próximo ano, na próxima década. Ele diz: "Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam" (Isaías 46:10). Ele sabe o que vai acontecer no mundo. O mais importante, Ele sabe o que vai acontecer em sua vida, e, pode estar lá com você. Ele nos diz que é: "Nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente em tempos de angústia" (Salmos 46:1). Diz ainda: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo vosso coração" (Jeremias 29:13).

Onde está Deus nos tempos difíceis?

Isso não significa que aqueles que estão sempre buscando a Deus escaparão dos tempos difíceis. Quando um ataque desses provoca sofrimento e morte, aqueles que o buscam constantemente também estarão envolvidos. Mas há uma paz e força que a presença dEle traz. Nós, cristãos entendemos desta forma. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados" (2 Coríntios 4:8). A realidade nos diz que teremos problemas na vida, no entanto, se passarmos por ela, enquanto buscamos a Deus, podemos reagir com uma perspectiva diferente e, de uma forma que não é nossa. Nenhum problema tem a capacidade de ser intransponível para Deus. Ele é maior que todos os problemas que possam nos alcançar, e, nós não estamos sozinhos para lidar com eles.

A Palavra de Deus nos diz: "O Senhor é bom, Ele serve de fortaleza no dia da angústia, e cuida dos que confiam nEle" (Naum 1:7). E, "Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam de verdade" (Salmos 145:18).

Jesus Cristo disse estas palavras a seus seguidores: "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois, mais valeis vós do que muitos passarinhos" (Mateus 10: 29-31). Deus cuida de nós, de uma forma que ninguém mais cuida!

Nossa capacidade de escolha

Acreditamos que Deus criou a humanidade com a capacidade de fazer suas próprias escolhas. Isto significa que ninguém é forçado a ter um relacionamento com Deus. Ele nos permite rejeitá-lo e cometer maus atos também. Ele poderia nos forçar a amar os outros. Poderia nos forçar a ser bons. Mas, então, que tipo de relacionamento teríamos com Ele? Não seria uma relação de todo livre, mas uma relação forçada, obediência absolutamente controlada. Em vez disso, Ele nos deu a dignidade da escolha.

Naturalmente, choramos lá no fundo de nossas almas: "Mas Deus, como você pôde deixar algo desta magnitude acontecer?". Como é que queremos que Deus aja? Queremos que Ele controle as ações das pessoas? No caso desse ataque, qual seria o número de mortes que deveriam ser permitidas por Deus? Será que nos sentiríamos melhor se Ele permitisse apenas o assassinato de 20 pessoas? Será que Ele deveria ter permitido apenas uma morte? No entanto, se Deus impedisse o assassinato de uma única pessoa, não haveria mais liberdade de escolha. As pessoas escolhem ignorá-lo, seguem o seu próprio caminho e cometem atos horríveis como este.

Este mundo não é um lugar seguro. Alguém pode atirar em nós a qualquer momento. Ou podemos ser atropelados por um carro, cair de uma escada, ou qualquer outra coisa pode acontecer conosco neste ambiente hostil chamado Terra, lugar onde nem sempre a vontade de Deus é seguida. No entanto, Deus não está à mercê das pessoas, pelo contrário, nós que estamos a sua mercê, felizmente. Este é o Deus que criou o universo com suas estrelas incontáveis, simplesmente falando: "Haja luminares no firmamento do céu" (Gênesis 1:14). Ele é ilimitado em poder e sabedoria. Embora os problemas pareçam intransponíveis para nós, temos um Deus incrivelmente capaz de nos lembrar: "Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; acaso haveria alguma coisa demasiado difícil para mim?" (Jeremias 32:27). De alguma forma Ele é capaz de manter a liberdade dos seres humanos, mas ainda fazer prevalecer sua vontade. Ele afirma: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Isaías 46:10).

Onde está Deus, quando o rejeitamos?

Muitos de nós, não todos/todas, escolhemos a dura forças estar ao lado de Deus. Em comparação com os/as outros/outras, principalmente em comparação a um terrorista, podemos nos considerar bons, pessoas que amam o próximo. Mas, se formos honestos de coração, se tivéssemos de encarar a Deus, saberíamos o quanto somos pecadores. Quando começamos a orar, não vem aquela sensação de que Deus é consciente do quanto somos pecadores? Em nossas vidas e ações, nos distanciamos de Deus. Vivemos muitas vezes como se pudéssemos levar nossas vidas muito bem sem Ele. A Bíblia nos diz que: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (Isaías 53:6). As consequências? Nosso pecado nos separou de Deus, e isto afetou mais do que esta vida. A penalidade para nosso pecado foi a morte, ou a separação eterna de Deus. No entanto, Deus providenciou um caminho para sermos perdoados/perdoadas e conhecê-lo.

Deus nos Oferece seu Amor.

Sentimos o amor de Deus todos os dias, no sol que nasce para todos/todas, na linda natureza que Ele criou para que a admirássemos. Mas, nem todas as pessoas conseguem perceber tal coisas. Muitas não enxergam o Deus de amor que está sempre a nosso lado. O projeto de Deus para o homem, é um projeto de amor. Se realmente o buscássemos de todo nosso coração, muitas destas coisas seriam evitadas.

Deus estava naquela boate. E, esteve ao lado de cada um que ali se encontrava. Ele amou profundamente todas aquelas pessoas. Ele amou profundamente o terrorista que cometeu aquela barbaridade. Apesar de não termos respostas para muitas coisas, saiba que, independente do que aconteça, Ele sempre estará de seu lado.


sábado, 16 de abril de 2016

QUANDO VOCÊ ESTÁ CANSADO/CANSADA DE UM DEUS PAI!


Encontrei essa manhã um texto muito interessante na forma de repensarmos nosso Deus ou Deusa. Olhá-lo de uma outra forma, olhá-lo como uma mulher.
 
Traduzido do texto de Tarrin McDonald.

Cresci ouvindo sobre um Deus Pai e seu Filho Jesus.
Cresci memorizando versículos da Bíblia escritos por homens chamados Paulo, Marcos, João e Lucas.
Cresci aprendendo sobre um Deus paternal que necessita de um sacrifício para si estar com Ele.
Cresci aprendendo sobre os homens históricos, homens divinos, filiação e liderança masculina.
Um dia me senti doente.
Literalmente estava mal do estômago.

Li o livro de Sue Monk Kidd intitulado "The Dance of the Dissident Daughter". 

Em seu livro, Kidd descreve o despertar dentro da igreja cristã de sua consciência de brotamento da macho-centralidade de seus sistemas de religião, congregação, e pessoal de crenças. De repente, veio a consciência de que ela não confiava nela própria, na instituição e orientação feminina pois tinha sido criada para acreditar que a divindade e Deus era em sua natureza do sexo masculino, que outras formas de perceber o Espírito não eram confiáveis.

Com o desdobrar da narrativa de Kidd, senti as placas tectônicas do meu sistema de crenças começar a mudar debaixo de meus pés. Deus sempre foi do sexo masculino para mim. Isso é o que me foi ensinado, e confirmado na igreja, o que foi considerado bom. Eu nem sabia que havia outra opção. Eu nem sequer pensava em considerar que o feminino poderia de alguma forma ser parte de Deus. Estava na barriga do patriarcado, sem saber, me alimentando com uma rigorosa dieta de opressão e desvalorização de mim mesma, tanto dentro de minha igreja, como em uma cultura maior.
"Os símbolos fundamentalistas que usamos para representar Deus, que consideramos um ser bem mais elevado... Estes símbolos ou imagens moldam nossa visão de mundo, nosso sistema ético, e nossa prática social - como nos relacionamos com os outros. Por exemplo, [Elizabeth A.] Johnson sugere que, se uma religião fala de Deus como guerreiro, usando uma linguagem militarista como forma 'de esmagar os inimigos', e convoca as pessoas para se tornarem soldados de Seu exército, então, as pessoas tenderam a tornarem-se militaristas e agressivas. Da mesma forma, se o símbolo-chave de Deus for o de um rei do sexo masculino (sem qualquer imaginário feminino para equilibrar), nos tornaremos uma cultura que valoriza e entroniza homens e sua masculinidade". Kidd.
Eu tomava o masculino e a masculinidade como um ser bem mais elevado, abandonando tudo de bonito e feminino dentro de mim, minha cultura e minha religião. Eu não sabia que estive me amputando toda minha vida através da compra da dominação masculina.
"Há algo infinitamente triste sobre as meninas que crescem compreendendo (geralmente inconscientemente) que se Deus é homem, é porque o sexo masculino é a coisa mais valiosa de si ser. Essa crença ressoa de mil maneiras escondidas em suas vidas. Ela lentamente amputa meninas, tornando-as mulheres amputadas". Kidd.
Queria recuperar minha divindade feminina inerente. Eu não quero mais ouvir "filiação" me incluindo. Eu não sou um filho. Eu não quero ouvir mais nada sobre como meu Pai Deus sabe o que é melhor para mim. Eu tive meu próprio pai terreno que me disse muitas vezes o que era bom para mim. Eu não precisava de um Deus como meu pai. Eu não queria mais ouvir histórias dos homens dominantes, privilegiados o suficiente para escrever suas experiências com seu Deus. Onde estava a história divina das mulheres? Onde estavam as palavras de minhas mães históricas?
"... imagens exclusivas de homens no Divino, não só incutiu um desequilíbrio dentro da consciência humana, mas, legitimou o poder patriarcal na cultura em geral. Isso já é motivo suficiente para recuperar o Feminino Divino, pois não há como negar a real conexão entre a repreensão do feminino em nossa divindade e a repreensão das mulheres". Kidd.
Eu queria mulheres.

Eu queria irmandade.

Eu queria o Feminino Divino.

Eu queria uma Deusa.

Então troquei minha terminologia. Comecei a usar pronomes femininos para Deus, referindo-me a ela/Ela. Quando comecei a fazer isso todos os tipos de inseguranças vieram à tona.

Uma Deusa é forte o suficiente?

Uma mulher é capaz de ser uma Deusa?

Por que me sinto tão errada, ruim e com medo usando pronomes femininos?

Eu tinha inconscientemente absorvido a mensagem de que o sexo masculino era melhor que o sexo feminino, que tinha de ser do sexo masculino para ser confiável, que as mulheres eram inconstantes e instáveis. Eu não sabia que acreditava em tudo isso até mudar a maneira e a linguagem no meu modo de relacionamento com a Divina.
"Percebi a falta do feminino, a língua tinha me comunicado, de forma sutil, que as mulheres eram nulidades, que as mulheres eram contadas em suas relações com os homens... Quando uma mulher começa a se separar do patriarcado, em última análise, ela é abandonada por si próprio". Kidd.
Eu não sabia quem eu era ou qual Espírito estava fora dos padrões e ideias de masculinidade. Foi uma longa jornada para eu começar a abraçar minha feminilidade e a feminilidade da Divindade, permitindo que a luz fosse colocada em meu desconforto e saber que estava segura para trabalhar as difíceis questões que possam surgir.

Amo a conclusão da busca de Kidd: "A autoridade máxima de minha vida não é a Bíblia; ela não está confinada entre as capas de um livro. Não é algo descrito por homens e congelado no tempo. Não é de uma fonte fora de mim. Minha autoridade final é a voz divina em minha própria alma. Período".

Como mulheres, temos sido ensinadas a não confiar nessa voz interior. Fomos treinadas ao longo dos séculos a ouvir líderes masculinos e a interpretação de suas experiências. Quando vamos para fora de nós mesmas para obter respostas e sabedorias, podemos voltar com apenas aquilo que nossa cultura e sistema patriarcal tem para nos oferecer. Quando vamos para dentro e aprendemos a confiar na voz, sensação e intuição da divina mulher, nos relacionamos com nós mesmas e com o mundo de uma forma que é autêntica para quem nós somos.

Se você está no processo de desconstrução do patriarcado, o seu lugar, dentro de sua religião, é saber que a Deusa/Divino Espírito está com você... Você não está sozinha.

Fonte: http://www.mysoulcoaching.com.