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terça-feira, 14 de julho de 2015

SEIS RAZÕES BÍBLICAS PARA OS CRISTÃOS ABRAÇAREM A RELAÇÃO AMOROSA DO MESMO SEXO!

Enquanto muitos cristãos e cristãs no mundo acreditam que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - LGBT não podem ir para o céu simplesmente por causa da interpretação de cerca de 20 dentre um universo de 31 mil versículos da Bíblia cristã, gostaria de argumentar que essa percepção anti-LGBT, na verdade, vai contra o que a Bíblia e Cristo realmente dizem sobre as pessoas que amam pessoas do mesmo sexo.
Apresentarei seis convincentes argumentos bíblicos usando a teologia, os entendimentos socioculturais de definições bíblicas específicas e o bom, velho e lógico bom senso comum para provar que a Bíblia deve ser usada como uma aliada para as relações de amor e gênero.

MOTIVO SEIS
As passagens bíblicas normalmente usadas para "condenar" as relações do mesmo sexo não estão falando de relações LGBT:
Enquanto não costumo agir como um estudioso da Bíblia, me irrita ver como tantos cristãos estão cegos para o contexto histórico das histórias que tipicamente são usadas para condenar as pessoas LGBT pelo fato de não serem heterossexuais.
A seguir estão alguns fatos sobre os períodos bíblicos em que as "Passagens Clobber", palavra americana para textos normalmente usados para dizer "A Bíblia diz nitidamente que ser LGBT é pecado". Preste atenção como você pode aprender algo novo sobre ambiguidades bíblicas nas escrituras.
Por que evocam essas passagens "utilizando-as equivocadamente"? Confira as passagens das Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento) e Escrituras Cristãs (Novo Testamento):
Gênesis 2:1925 "Adão e Eva"
"No princípio Deus criou Adão e Eva, não Adão e Steve, nem Eva e Maria." Ministros e ministras cristãs anti-LGBT utilizam isso como ponto crucial para propagar o mito de que a homossexualidade é "antinatural".
Embora a Bíblia diga em Gênesis que Deus fez "homem e mulher", isso realmente significaria que todos os homens e todas as mulheres precisariam se relacionar com parceiros do sexo oposto?
Falando sobre "antinatural": no princípio, por exemplo, os primeiros seres humanos não usavam óculos para ver, nem cadeiras de rodas para se locomover, ou anexavam próteses para aumentar a mobilidade. São esses aspectos "não naturais" da humanidade?
Muitas traduções dizem que Deus fez para Adão um(a) "ajudante/companheiro(a) adequado(a)." Mesmo Adão tendo todos os animais do mundo sob seu domínio, viu Deus que ele estava sozinho e precisava de um(a) ajudante "apropriado(a)", e aconteceu assim de Eva ser criada.
Relacionando isso com nossa própria vida, pois muitos de nós estamos rodeados de "ajudantes" e "companheiros(as)", mas apenas alguns, talvez um(a), é verdadeiramente adequado(a) para nos ajudar e confortar durante a longa jornada da vida. As pessoas LGBT são cercadas por companheiros(as) heterossexuais que seriam ajudantes perfeitamente "adequados(as)", mas não foram criados(as) para ter como "companheiro(a) e auxiliador(a) idôneo(a)" alguém do sexo oposto. Além disso, se as pessoas heterossexuais não são destinadas a serem seus/suas "auxiliares/acompanhantes adequados(as)", isso significaria que eles/elas teriam sido feitos(as) para ficarem sozinhos(as), sem ajudante? Acredito que Deus diria "não", de acordo com Gênesis 2:18.

Gênesis 19:1-13 "A destruição de Sodoma e Gomorra"
A história de Sodoma e Gomorra. Basicamente Deus diz que vai destruir a cidade de Sodoma e Gomorra se os dois anjos enviados por Ele não encontrarem pessoas justas dentro das cidades. Uma vez que chegam a cidade, um homem bondoso chamado Ló convida-os para sua casa. Isso irrita os homens de Sodoma, que se reúnem do lado de fora da casa de Ló, desejosos de intentar "ações perversas" contra eles. Momentos depois, as duas cidades são destruídas pela chuva de fogo.
Muitos ministros e ministras cristãs anti-LGBT usam essa passagem como exemplo da ira de Deus contra a homossexualidade... como se os homens de Sodoma fossem todos homossexuais, e, todos tentassem "ser gays com" estes dois anjos.
Historiadores e sociólogos dizem que o estupro era uma forma de humilhação muito comum no antigo mundo ocidental. Os homens sodomitas não vieram a casa de Ló ter relações amorosas ou afetuosas com os anjos que estavam lá. Eles vieram estuprá-los.
Além disso, várias partes da Bíblia (Lc. 10:10-13; Is. 19:13-14; Jr. 23:14; Ez. 16:49; Sf. 2:8-11) nos dizem que Deus desprezou a ganância e a maldade para com os que vinham de fora como pecado das cidades, não o fato dos homens quererem "fazer sexo" com os anjos.

ENTÃO... EM LEVÍTICO 18:22 HÁ "UM MOSAICO DE PROIBIÇÕES E DIREITOS" E EM LEVÍTICO 20:13 "MOSAICO DE PUNIÇÕES POR VIOLAR A LEI DE MOISÉS"

É no mínimo ridículo usar Levítico para condenar qualquer coisa, pois é simplesmente olhar para o que no mundo do Livro era condenável.
Regras da Bíblia foram sempre ligadas a algum tipo de raciocínio. No caso da proibição de sexo gay (não lésbico), consiste no entendimento judaico-cristão primitivo de que o sêmen era considerado impuro, pois o sexo só poderia ser concebido para procriação.
Confira o que Deus faz com Onan quando ejacula fora de uma mulher em Gênesis 38.
Nas mesmas passagens onde o sexo gay é condenado e punido, há a proibição de comer camarão, colheita de co-mistura, comer coelho, juntar dois tecidos em uma só roupa, e, comer carne crua. Assim, se você é um literalista bíblico, pode começar a costurar suas próprias roupas e se tornar um vegetariano.

TRÊS PASSAGENS DA ESCRITURA CRISTÃ (NOVO TESTAMENTO)

  • Romanos 1:26-27 "Paulo fala do desprezo de Deus";
  • I Coríntios 6:9 "As pessoas que herdarão o Reino dos Céus";
  • I Timóteo 1:9-10 "Paulo fala de pessoas injustas".
Dando uma olhada na primeira passagem, a mais frequentemente citada pelos ministros e ministras cristãs anti-LGBT, que esquecem que a palavra "natural" tem duas definições:
  1. "Cientificamente destinado a acontecer, ou seguir o curso da natureza", e
  2. "Normal, o esperado, ou comum".
Como sabermos qual a definição que Paulo está usando aqui? Mais tarde, no Livro de Romanos, Paulo escreve que Deus agiu "contrário a natureza", e, não quis dizer que Ele agiu "de forma imoral ou contra o curso da natureza", mas sim que agiu "de forma inesperada".
Compreendo isso e o fato de que ninguém pode realmente saber se Paulo tinha ciência do significado do que era inato e do que não era, ele chamou essas relações de "costumadas" e "incomum".
Jesus fez muitas coisas "incomuns" em seu tempo. Uma das quais foi iniciar uma conversa com uma mulher samaritana, o que era bastante "incomum", pois judeus nunca falavam com samaritanos, nunca falavam em público com mulheres entre outras pessoas. Certamente não podemos pensar que só porque algo é "incomum" seja "mal".
Depois, em qualquer tradução, as palavras usadas por Paulo são traduzidas por "relações" e "paixões" ("paixões" "desejo", "sexo"), que querem dizer o que realmente são e não relacionamentos amorosos realizados por pessoas do mesmo sexo, mas, apenas relações concupiscentes e egoístas.
Quando traduções recentes usam a palavra "homossexual", isso implica numa trágica perca da tradução de duas palavras gregas principais, "arsenokoitai" e "malakoi." Se a grande maioria dos interpretes não fossem pacifistas, haveria uma guerra entre eles sobre os significados dessas palavras. Uma boa explicação vem do estudioso bíblico DB Martin, que diz que devido às suas pistas de contexto, "arsenokoitai" tem haver com a exploração sexual, como o tráfico de pessoas para prostituição e não com a orientação sexual, como a homossexualidade.

MOTIVO CINCO
 Há pelo menos dois pares de homossexuais citados na Bíblia.
Realmente nunca tivemos a chance de sermos reconhecidos pela sociedade dominante ou pela história, para sabermos quem éramos e quem somos hoje. A própria Bíblia é a prova do amor entre pessoas do mesmo sexo.
  • Relacionamento de Ruth e Noemi.
Superfícialmente:
Isso parece uma amizade de conveniência mútua: duas amigas moram juntas para compartilhar recursos em um mundo frio e duro, até que uma delas se casa e tem um monte de crianças.
Toda história.
Ruth e Noemi fizeram parte de uma grande família feliz (na verdade, Ruth se casou com o filho de Noemi). Mas, um desastre fez com que todos os homens da família morressem. Ruth fica viúva. Noemi tinha outra nora (filha de lei), Orfa. Agora, todas viúvas, a única coisa lógica para uma mulher fazer naquele tempo era (especialmente as que não tinham benefícios sociais de serem casadas e cuidadas por um homem) retornar pra sua própria família. Noemi diz a Orfa que volte para sua família, e ela segue com lágrimas nos olhos. Mas, quando fala a mesma coisa para Ruth, ela recebe uma promessa muito especial, em Ruth 1:16-17.
(O apelo sincero e a promessa de amor e devoção é tão adorável que é repetida em muitas cerimônias matrimoniais heterossexuais cristãs).
Após o trabalho de apoiarem uma a outra, Ruth encontra Boaz, um senhor de 80 anos parente distante do marido morto de Noemi, que vê a bondade e o amor entre ambas e se casa com Ruth para continuar o legado da família (uma tradição importante da época).
Mesmo depois do casamento e da bênção das crianças, a comunidade comemora o fato de Noemi "ter um filho", como visto em Ruth 4:17, e lembra que Ruth ama muito a Noemi, Ruth 4:15. Então... é lésbica?
O livro não faz muita justiça às amantes desta história que contém uma promessa de amor que, de tão poderosa é usada em cerimônias de casamentos. Não falamos uma coisa dessas para uma outra pessoa se não estivermos verdadeiramente apaixonados. Fala original:
Versão King James de Ruth 1:14 diz: "mas Ruth se apegou a ela" no momento em que deveria retornar para sua família. Em Gênesis, o casamento é retratado como "um homem deixando pai e mãe e apegando-se a sua esposa." Ruth e Noemi tornaram-se "uma só carne".
Para não mencionar que a Bíblia dá pouca atenção à relação entre Ruth e Boaz, e muito mais atenção à Ruth e Noemi, mesmo depois do casamento com Boaz.
  • Relacionamento de Davi e Jonatas.
Superfícialmente:
Nosso segundo par de pombinhos é o que a maioria das Bíblias de estudo chamam de "bons amigos".

Toda a história (Com algumas introspecções polvilhadas):
Primeiro Jonatas olha lentamente para Davi e instantaneamente se torna "um espírito com Davi", assim que o conhece. Ele entrega a Davi os bens mais importantes para uma família real: sua espada, seu arco e até mesmo as roupas do corpo. (I Samuel 18:1-4).
Em seguida, Davi deixa sua própria família para ficar com Jonatas e seu pai, o rei Saul. O que foi isso, "homem deixando pai e mãe para unir-se a sua esposa?".
Depois, entre os capítulos 19 e 20 de I Samuel, Saul tenta matar Davi por várias vezes (o rei Saul sabia que Davi e sua família poderiam usurpar sua autoridade e um dia reinar o reino de sua família), mas Jonatas por vezes protege seu amor, mesmo sabendo que a morte de Davi seria a garantia de que sua família reinaria por muito tempo.
Jonatas e Davi se unem depois de uma terrível tragédia, e fazem uma "aliança" diante do Senhor, que estariam juntos como (Interpretação da Bíblia) "amigos" para sempre e que suas famílias seriam um conjunto. (I Samuel 20:40-41) (Não sei quanto a vocês, mas, para mim, isso soa como uma promessa de casamento).
Finalmente, muito tempo depois das mortes de Jonatas e Saul, o rei Davi lamenta seu amor no início de II Samuel, dizendo que "Seu amor foi maravilhoso demais para mim, mas maravilhoso do que os da mulheres." (Versículo 26). O rei Davi ainda mantêm sua promessa e faz o impensável para um rei, cria o filho de Jonatas como seu próprio filho.
Não conheço ninguém que possa transformar os versos e dizer que "Davi e Jonatas tiveram o mais legal romance platônico na Bíblia."
Há mais um relacionamento gay na Bíblia, mas deixaremos para o final deste ensaio.

MOTIVO QUATRO 
Intolerantes têm usado a Bíblia para oprimir outros grupos "minoritários".
As pessoas nem sempre têm as melhores intenções quando usam coisas que podem influenciar as massas. A igreja cristã não foi sempre benevolente e benfeitora como seu chamado "venha como és", para a maioria das pessoas como é hoje. Voltando para a época (Medieval e até mesmo colonial), a igreja meio que agiu como uma máfia. Se você não cantasse conforme sua música e seguisse suas regras estaria dormindo literalmente com os peixes. Algumas comunidades cristãs lançavam mulheres na água para certificassem se eram bruxas.
Praticamente até o movimento dos Direitos das Mulheres no século 20, os líderes cristãos evangélicos usaram a Bíblia para fundamentar e dar suporte a sua "Nenhuma menina é permitida", política de não liderança da igreja para as mulheres. Em algumas sociedades religiosas hoje, algumas mulheres são obrigadas a manter-se sexualmente tímidas, devido a uma interpretação abusiva da história de Adão e Eva.
Durante o século 19, fortes apoiadores da escravidão de africanos usavam a Bíblia (especificamente a Maldição de Cão em Gênesis 9) para pregar ridículas atrocidades sobre pessoas de pele escura e seu "maldito" papel na sociedade branca.
O que estou tentando dizer é que a Bíblia é uma grande e maravilhosa ferramenta para entender Jesus Cristo e tornar-se uma pessoa boa, mas talvez devesse vir com uma etiqueta dizendo: "Atenção: Os loucos têm usado esse livro para subjugar mulheres, apoiar a escravidão e espalhar a lgbtfobia. Leia com cuidado e crítica."

MOTIVO TRÊS
Fazer pequeninos tropeçar, pode arruinar sua vida.

É bom ter uma opinião e não dar a mínima para o que as pessoas fazem com suas vidas, pois existem um punhado de pessoas que realmente precisam de um pontapé no traseiro para pararem de agir como idiotas pirados que dizem o que é o quê.
Jesus adorava dizer às pessoas o que eram as coisas, pois via que o que muitas pessoas realmente faziam era prejudicar as outras. De maneira um tanto irônica, disse por várias vezes que as pessoas não deviam julgar as outras. Sinto que o mandamento mais poderoso e mais citado sobre julgamento está em Mateus 7:1-5. O famoso verso diz: "Não julgueis, para não serdes julgados", continua o mandamento dizendo "Remova a trave em seu próprio olho, só então se preocupe com o cisco no olho da outra pessoa."
Espere um minuto, alguns de vocês devem pensar, primeiramente diz que Jesus não quer que julguemos as pessoas, agora diz que nós podemos remover a "trave." Ele explica a diferença entre o bom e os maus ensinamentos em uma parte posterior de Mateus 7, dizendo que (outro exemplo visual) a boa "árvore" produz bons "frutos" e que a "árvore" má produz maus "frutos."
Então, sabendo que "ensinamentos" e "decisões" são completamente diferentes, digamos que, para todos os efeitos, você esteja tentando "ensinar" a uma jovem lésbica atuante, que ela não está apta para o Reino dos Céus por ter "escolhido o estilo de vida LGBT." Que espécie de "fruto" terá dado a esta pequenina? Mesmo sabendo que alguns muitos cristãos no mundo acreditam que este tipo de "ensino" trará bons "frutos", eu, como homem gay e como testemunha de tantos mais cristãos LGBT que foram feridos por outros cristãos, digo que isto não produz bons frutos. Dizer a alguém que seu amor inato por outro ser humano é pecado ou inferior ao amor inato de outra pessoa por outro ser humano pode ser a notícia mais prejudicial de sua vida enquanto pessoa.
Ponha-se na pele de uma pessoa LGBT. Imagine-se como uma mulher (sendo lésbica, travesti ou transexual feminina) ou um homem (sendo gay, travesti ou transexual masculino), que sonha com um futuro, fazendo todas as coisas que casais heterossexuais fazem (tendo filhos, mãos dadas, envelhecendo juntos). Depois chega uma pessoa mais velha, olha-o de cima para baixo e diz que esse tipo de futuro não é para você, pois, por algum motivo é errado.
Enquanto passa pela cabeça desse/a irmã/o ter o/a salvado de uma vida de fracassos sexuais e relacionamentos trágicos, suas palavras na realidade o/a jogarão ainda mais nesses relacionamentos fracassados e trágicos. Se os líderes cristãos anti-LGBT não se detivessem apenas nesses ensinamentos ruins, poderiam em um piscar de olhos salvar a vida de um ou uma jovem LGBT em situação de risco. Jesus nos diz para remover a trave de nosso próprio olho. Acredito que essa trave são nossos próprios preconceitos e falta de informação sobre quem as pessoas realmente são. Os blocos de preconceitos nos impedem de saber porque uma pessoa se sente do jeito que se sente. Se removermos esses estereótipos e preconceitos e começarmos a tentar compreender os outros seres humanos como devíamos, poderíamos realmente ajudar as pessoas através do julgamento real de suas tribulações, em vez de tentarmos tratar as orientações sexuais das pessoas como se isso fosse realmente seus verdadeiros problemas.

MOTIVO DOIS
De acordo com a Bíblia, a mudança é necessária para o crescimento.
Basta olhar de onde viemos enquanto sociedade. Fomos capazes de ser racistas, sexistas, comunidade que temia qualquer outro tipo de governo (socialismo, comunismo etc.) como bicho-papão por ter uma visão de futuro com menos julgamentos e que, definitivamente não tinham medo de criticar nosso (ou qualquer) governo.
Acredite ou não, mas a nossa sociedade está se tornando cada vez mais diversificada e muito mais aberta à diferentes culturas. Há um pouco mais de 150 anos atrás, um rapaz negro equivalia a três quintos de um ser humano real, mas agora, têm a oportunidade a uma educação superior e, outras mais opções de carreiras, mesmo em países menos desenvolvidos (É nítido que ainda precisa avançar mais). O que quero dizer, é que acredito que mais frequentemente do que agora as atitudes das pessoas possam mudar. 
Ministros e ministras cristãs e líderes estudiosos da Bíblia estão se perguntando porque tantos de seus jovens deixam a igreja e abandonam os ensinamentos anteriores da Bíblia. É simples. Eles mudaram, e adaptaram-se ao novo mundo, enquanto suas igrejas preferem resistir e estar conforme com as normas antigas. Jesus mesmo deu seu pitaco sobre a mudança da Igreja Cristã em Mateus 9:17:
"Não se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se, mas deita o vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam."
Mais uma vez, com seus exemplos visuais! É uma metáfora, que significa basicamente, que a novidade da sociedade não pode ser confinada em normas, leis e costumes sociais antigas.
O problema é que existem ministros e ministras de "escolas antigas", que cresceram em ambientes onde "pessoas LGBT" realmente não existiam, e, por isso, querem impor para "nova escola", com uma convivência bem maior com pessoas "LGBT", que ser tal "coisa" é errado. Seus amigos são LGBT. Seus personagens favoritos da televisão são LGBT. Seus artistas musicais favoritos são LGBT. É uma batalha perdida contra os LGBT, pois em breve, seremos tão "normais" quanto os heterossexuais. Ufa!
Pergunte a si mesmo... você será um cristão anti-LGBT inflexível frente às crianças? Quer que seus filhos e netos olhem para você com o mesmo desdém que olhamos para nossos avós racistas e sexistas?

MOTIVO UM
Jesus Cristo foi um defensor de relações do mesmo sexo!
Então... se você ainda estiver convencido de que as passagens bíblicas usadas contra as pessoas LGBT tem relevância, se ainda acha que a Bíblia não contém histórias de amor entre pessoas do mesmo sexo, se ainda acha que esmagar o futuro de um garoto ou uma garota LGBT está tudo bem e que nossa sociedade precisa de algumas das "antigas regras" contra essa população, considere isto - o golpe de mestre em qualquer LGBTfobia cristã. Jesus Cristo, o Salvador, de onde vem a palavra "cristã/cristão", foi um dos primeiros verdadeiros aliados das pessoas LGBT. Ufa!!
Dê-me um segundo que te explico.
Em duas passagens do "Bom Livro", Jesus se levanta a favor das pessoas LGBT. Um lembrete: Jesus era um rebelde social ...cuidava dos pobres, ...falava com os não judeus, ...condenava os que feriam as pessoas, ...falava muito sobre o amor por todas as pessoas, ...disse que veio para dar liberdade aos oprimidos em seu primeiro sermão em Lucas 4:18.
Se você não percebeu até agora, a população LGBT é oprimida. Houve um fluxo e refluxo em uma relação de amor e ódio com ela desde o início dos tempos (Veja os pontos altos de aceitação no Renascimento e na Grécia Antiga, e seus pontos baixos na Idade das Trevas e durante o governo da "Antiga Escola da Igreja"), mas em última análise, os tempos atuais tem sido o melhor para as pessoas LGBT. Mas nos tempos bíblicos... não eram assim.
As seguintes passagens mostram a compaixão de Jesus Cristo pelas pessoas LGBT:
  • Mateus 8:5-13: "Jesus cura o servo de um soldado romano"
A história (incluindo o contexto):
Jesus conhece um soldado romano bem humilde; algo completamente estranho, pois, naquela época, Israel era controlado por Roma, e o soldado estava em uma posição muito mais elevada do que um simples andarilho e profeta como Jesus. O soldado fala a Jesus de seu servo doente que esta morrendo. Os Soldados Romanos tinham um número grande de funcionários, assim como nesta história, mas o soldado continua suplicando por este servo doente, pois é especial para ele. Tanto servos quanto escravos eram como propriedades que facilmente poderiam ser substituídas, mas este soldado romano tem uma conexão especial com este servo. Ele se humilha diante de um homem que a maioria dos romanos tomava por charlatão, mas que ele cria que pudesse curar seu servo. Jesus, sabedor de tudo, decide não apenas curar, mas elogiar a grande fé desse soldado.
Muitas pessoas esquecem essas histórias que falam sobre o que Jesus pensou sobre homens que têm "amizades" ou "relações especiais" com outros homens. Em nenhum momento Jesus diz a esse homem que ele não deve "ficar muito próximo deste servo, porque ser gay é errado", mas elogia o homem por pisar fora de sua zona de conforto e agir com fé e amor por seu companheiro.
A próxima passagem é o último prego no caixão da LGBTfobia cristã.
  • Mateus 19:4-5 e 11-12 "Jesus fala de casamento"
A escritura:
Verso 1,2: "Jesus respondeu:" "Não tendes lido que aquele que os fez desde o princípio, os fez homem e mulher" e disse "Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa e os dois serão uma só carne?" "Porquanto o que Deus uniu não o separe..."
Verso 11,12: "Jesus respondeu:" "Nem todos podem aceitar esta palavra, mas só aqueles a quem foi dado. Pois alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos dessa forma por homens; e outros renunciaram ao casamento por causa do reino dos céus. Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido."
Contexto dos termos usados:
Aqui Jesus refere-se a três exceções à exigência de um matrimônio heterossexual, todas "eunucos". Mas, o que são "eunucos"? Eunucos foram altamente classificados, mas socialmente eram homens "desviantes" encarregados de proteger e cuidar do royalty feminino. Para ser o melhor eunuco, o homem nunca poderia deslizar em um relacionamento hétero com uma pessoa do sexo feminino, pois toda a linhagem do reino poderia ficar comprometida. Historiadores bíblicos falam de como muitos eunucos ficavam bem femininos, devido uma castração de qualidade, e, quando voltavam ao convívio social, esses homens detestados tinham pouco ou nenhum interesse em relações sexuais com mulheres. Embora este tenha sido um espírito muito diferente de agora, pode-se ver uma correlação entre a forma como os eunucos eram vistos e como os gay e as travestis são vistas pela sociedade hoje.
Nesta passagem, Jesus Cristo lista três exceções do mandamento para cristãos se envolverem em um matrimônio heterossexual:
(1) Eunucos que nasceram assim;
(2) Eunucos feitos dessa forma pelos homens;
(3) Eunucos que prometem suas vidas a Deus.
A castração era uma prática entre os eunucos. Mas, enquanto muitas pessoas acreditam que todos esses homens não viris eram apenas os castrados, vários dicionários bíblicos entram em detalhes sobre como a castração não era a única maneira de se tornar um eunuco.
Aqui, primeiro Jesus fala dos "eunucos que nasceram assim" e estão isentos do casamento heterossexual. Esses eunucos são supostamente aqueles que não tem "relações" com o sexo feminino, eles nasceram sem atração por mulheres, pessoas LGBT que devem usar a isenção de eunucos "inatos", dado por Cristo para não entrar em um matrimônio heterossexual. Em essência, aqui Cristo diz a seus discípulos que as pessoas nascidas sem atração inata pelo sexo oposto não devem se casar com uma pessoa do sexo oposto.

CONCLUSÃO
Examinai Tudo
Uau!! (Grita cada pessoa LGBT!) Há pelo menos uma, duas ou até mais pessoas que leram até esse ponto e ainda não se convenceram que o Cristianismo não condena explicitamente a homossexualidade. Em outras palavras, algumas pessoas ainda pensam que não há nenhuma passagem explicita na Bíblia que diga "Tudo bem, as pessoas LGBT devem ter relacionamentos matrimoniais." Para eles, digo que, basta olhar para além do próprio entendimento.
Na primeira passagem pró-LGBT de Jesus a mensagem é de ir para fora de sua zona de conforto e agir com amor, você não deve julgar, pois sempre terá preconceitos. Se você for "ensinar" alguém, certifique-se de que seus ensinamentos produzirão bons "frutos", em vez de frutos ruins. E, finalmente, aprendemos com Jesus que não se pode prescrever regras da "velha escola da igreja" para a "nova escola" da sociedade. Se não acredita em mim, basta entender o que Paulo diz em Tessalonicensses 5:20-21:
"Não desprezes todas as mensagens inspiradas pelo Espírito, teste todas elas; Retende o que é bom." Nós, como cristãos, não estamos destinados a ter a mente fechada de 'santo absoluto', mas sim a mente aberta e rápido em compreender e amar as pessoas que são diferentes, sejam quem for. Isso é o que era Jesus Cristo, e, é assim, que os verdadeiros cristãos devem aspirar ser.

Um ensaio de Anthony Ashford.
Fonte: www.religioustolerance.org.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A BÍBLIA TAMBÉM É A HISTÓRIA DAS PESSOAS LGBT.



Leia a Bíblia com novos olhos.

A maioria das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais assumem uma atitude de medo ante a Bíblia, ou melhor, não sabem o seu conteúdo e acreditam que ela contém tudo o que os reprovam. Embora a Bíblia tenha sido escrita em um contexto cultural patriarcal e heterossexista, a mensagem do amor incondicional que Deus nos dá em Cristo tornar-se o "poder da salvação" para pessoas LGBT, assim como para heterossexuais.
Uma leitura mais vigorosa e dinâmica da Bíblia coloca uma nova perspectiva sobre a vida das pessoas LGBT, suas famílias e amigos. Hoje há um crescente consenso entre respeitados estudiosos das Escrituras de que a Bíblia não condena tais relações. Até recentemente, os cristãos LGBT procuravam demonstrar que a Bíblia não condena a homossexualidade. É hora de superar essa posição. Não é suficiente simplesmente alegar que a Bíblia não condena a homossexualidade. Mas também proclamar que a Bíblia é a nossa história!

Abrindo as portas de velhos armários.

A teologia da libertação e a crítica feminista bíblica mostram que, para a Bíblia transmitir com eficácia a Palavra para tod@s e para cada um de nós deve ser lida com outros olhos a partir da perspectiva dos oprimidos. As histórias bíblicas ganham vida com nova relevância quando lemos a partir da experiência do presente. Bem, se admitirmos que as pessoas LGBT estão presentes na Bíblia, e, em seguida, que acompanhamos Moisés e Miriam no Êxodo e caminhamos com Jesus na Galileia. Embora a sexualidade seja silenciada e escondida, pessoas LGBT estavam por toda parte sempre.
O tempo de liberação chegou para as pessoas LGBT bíblicas no armário. A busca da verdade sobre a sexualidade deve superar séculos de silêncio, comentários e análise bíblica. Mas será que a Bíblia inclui referências ou histórias consistentes sobre pessoas LGBT com o que os historiadores e antropólogos sabem sobre a sexualidade nos tempos bíblicos? A resposta é sim! Algumas histórias são convincentes, algumas abertamente homossexuais e outras sugerem fortemente as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, a Bíblia incentiva aos LGBT abraçá-la com alegria.

A "nação" LGBT

O livro de Atos narra as vicissitudes dos primeiros cristãos em pregar e viver o evangelho (Atos 28:31). No momento, estamos assistimos o surgimento de comunidades LGBT que buscam o pleno acesso ao evangelho. Para este efeito, são centrais as histórias de Pedro e o capitão Cornélio (Atos 10), e o apóstolo Filipe com o eunuco etíope (Atos 8:26-39).
Ambas as histórias estão enraizadas nas profecias de Isaías 56 que proclamam a vinda do dia, quando gentios e eunucos seriam admitidos entre o povo de Deus e os seus sacrifícios aceitos. A tradução grega do "aceitável" do hebraico em Isaías 56:7 aparece em Atos 10:35.

Um Evangelho inclusivo e desapegado.

Na história com o Capitão Cornélio, um gentil, Pedro diz: "Agora entendo que Deus realmente não faz diferença entre uma pessoa e outra, mas em todas as nações aceita quem o teme e faz o que é bom" (Atos 10:34-35). A palavra "nação" é a palavra grega "ethnos" da qual deriva o sentido "étnica". Este termo refere-se a raça, cultura ou povo. Para o efeito, Pedro afirma que são dignos do batismo todos os que, de qualquer raça, cultura ou povo, temer a Deus e agir com retidão.
Agora, o LGBT é um lobista em favor do comportamento homossexual, ou é uma etnia? De fato, há heterossexuais que têm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, e há LGBT que jamais tiveram sexo com ninguém. Pois o que constituem uma conduta LGBT, um tipo de pessoa para quem a atração homoerótica é apenas uma de suas características?
Uma etnia poderia ser definida como tendo em comum uma história, língua, cultura, instituições (escolas, bibliotecas, clubes, igrejas, sinagogas, organizações sociais, empresas) heróis, líderes políticos, intelectuais, valores e a capacidade de reconhecer aqueles que integram uns aos outros, mesmo quando se está imerso na cultura dominante. Se todos estes elementos constituem uma etnia, os LGBT estão incluídos sob o termo "nação" usado em Atos 10.
Mas que provas existem que há uma ethnos LGBT na Bíblia? Centenas de anos de preconceito sobre os estudos históricos e bíblicos tornam difícil responder a esta pergunta surpreendente.
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Glorifica a Deus as que são "ESTÉREIS".

Anteriormente o conceito bíblico de imortalidade nas Escrituras Hebraicas não eram explícitas ou consistente sobre o conceito de vida após a morte. Uma maneira de alcançar a vida eterna era através das filhas e filhos.
Nos tempos bíblicos, a maior desgraça que podia acontecer a alguém era o de ser excluído pela própria comunidade quando condenado ao exílio, a execução pública ou quando se morria sem filhos. A prosperidade material e numerosos descendentes eram sinais da benevolência de Deus. (Salmo 127:3-5; 128:3-6).

Melhor do que filhos e filhas.

Neste contexto, a dignidade das mulheres está ligada à capacidade de gerar crianças ao marido, a esterilidade era uma maldição. A Bíblia está cheia de episódios em que as mulheres oram a Deus para conceder-lhes filhos. (Salmo 113:9; Gênesis 30:1; I Samuel 1:10). Os profetas de Israel usavam a esterilidade como uma metáfora para a condição deplorável dos israelitas quando considerados abandonados ou amaldiçoados por Deus. Mas a reformulação emocionante da metáfora da maldição da esterilidade é invertida na profecia de Isaías 54 que transforma Israel em uma mulher estéril, com muitas crianças.
Em Isaías 56, o profeta usa, "árvore seca", e ainda "cortar" o que dá uma imagem feminina da esterilidade aos eunucos. O termo "eunuco", possivelmente, é um termo geral para homens e mulheres sem filhos.
Deuteronômio 23:1 é a principal referência sobre a exclusão dos eunucos do templo. Levítico 21:17 diz que Deus só pode se aproximar daqueles que estão livres de defeitos físicos. Esta declaração excluiria os eunucos que em religiões antigas, eram sacerdotes nos templos, e talvez também as crianças nascidas de relações incestuosas.
Mas, finalmente, o profeta (Isaías 56:4-5) proclama: "Se os eunucos respeitarem os meus sábados, e se eles atenderem a minha vontade e guardardes a minha aliança, darei algo melhor do que filhos e filhas; vou dar-lhes ter seu nome gravado em meu templo, dentro dos meus muros, vou dar-lhes um nome eterno, que nunca serão apagados ". 

Alguns são "eunucos" de NASCIMENTO.

Quem eram os eunucos nos tempos bíblicos? "Eunuco" parece referir-se ao homem castrado para não constituir um "perigo" para a realeza feminina. No entanto, há referências de eunucos que trabalhavam como funcionários reais e não necessariamente era do ponto de vista físico. Bem, nem todos eunucos mencionados em Gênesis, Isaías, Jeremias, Daniel e do Novo Testamento eram machos castrados.
O termo "eunuco" é ainda mais genérico, a tal ponto que as mulheres inférteis também estão incluídas, funcionários de tribunais, estrangeiros, gays, mágicos e sacerdotes bem como machos castrados. Funcionalmente, machos castrados eram muitas vezes os homossexuais, mas não constitucionalmente.

O casamento não é para todos.

Jesus fala de três tipos de eunucos: "Porque há eunucos que nasceram do ventre da mãe, e há eunucos que foram castrados pelos homens e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do Reino dos Céus, quem pode compreender, compreenda..." (Mateus 19:12).
Alguém poderia pensar que eunucos "feitos pelos homens" são aqueles que foram castrados e os que "se castraram" são celibatários voluntários. Mas o que dizer daqueles que "nasceram assim"? Com estas palavras, Jesus afirma claramente que o casamento heterossexual não é a norma para todos. Este comentário significativo de Jesus, mostra que suporta pessoas diferentes do estilo (casamento) de vida heterossexual, aplica-se aos LGBT.
Duas histórias de eunucos negros, ambos funcionários reais, exemplificam a ação redentora de Deus. Em Jeremias 38, um eunuco etíope salva a vida de Jeremias, um celibatário profeta. Jeremias por sua vez, traz uma mensagem de Deus, onde explica como ele pode salvar Jerusalém, ao rei.
Em Atos 8 o apóstolo Filipe batiza outro etíope eunuco. O eunuco está lendo Isaías 53, estreitamente ligada à Isaías 54 e 56 sobre a profecia messiânica do destino do Filho de Deus, cuja vida foi violentamente tirada da terra. O eunuco percebe a mensagem e que pode ser admitido pelo que foi "cortado". E então pergunta: "Eu não poderia ser batizado?" E o apóstolo Filipe o batiza.

JESUS ESCOLHE UMA FAMÍLIA.

Jesus Cristo, em quem a profecia de Isaías 53, diz que foi "cortado" do seu povo quando executado como um criminoso, morreu sem filhos. Jesus era um eunuco, embora não físico, funcional, e sua morte e ressurreição redefiniu a vida eterna, separando-a da necessidade de gerar filhos e filhas.
Uma vez Jesus Cristo afirmou para sua mãe e seus irmãos, olhando para os discípulos como uma nova família, disse: "Bem, quem faz a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe". (Marcos 3:35)

Jesus tinha um estilo de vida marginal.

Jesus estabeleceu relações com muitos grupos diferentes e ao mesmo tempo os admitiu como famílias.
Jesus amava Lázaro, Maria e Marta. O que levou Jesus a uma família de um irmão e duas irmãs, todos solteiros? Duas mulheres estéreis e um eunuco é a família que Jesus escolhe. Será que estamos a assumir que eles eram heterossexuais celibatários? E se Maria e Marta não fossem irmãs, mas chamavam umas às outras de "irmã", como acontecia com a maioria dos casais de lésbicas ao longo da história?
O Evangelho de João menciona mais de oito vezes "a quem Jesus amava", também chamado de "o discípulo amado". Muito poucos estudiosos param para considerar a óbvia estreita relação que Jesus tinha com outro homem. Se Jesus era gay ou não, a homofobia silencia o assunto.
Na verdade, a Bíblia é conhecida quase que inteiramente como o ideal da Pós Reforma falando de casamentos heterossexuais, monogâmicos e românticos ao longo da vida. A Bíblia nos mostra o casamento como uma união baseada em transações comerciais, a poligamia, família estendida, grupos tribais, casamento Leviratos entre outros estilos de vida. O viés anti-casamento no Novo Testamento e com a ênfase na negativa para o sexo dos primeiros teólogos são bem conhecidos por historiadores e estudiosos de questões da sexualidade humana.
A nova comunidade cristã em Atos inclui viúvas sem filhos, mulheres que deixaram de ser prostitutas, párias sociais, pessoas solteiras, casadas, eunucos, negros, judeus e gentios. Aqueles que haviam sido excluídos, em princípio, agora estão vendo a promessa de Isaías 56: "A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos".

Relações do mesmo sexo na Bíblia.

A Bíblia fornece modelos para casais LGBT ao contar duas histórias de casais que se amaram em compromisso mútuo, face a superação de situações difíceis.
O livro de Ruth é uma história de amor, mas não entre Ruth e Boaz. Enquanto Noemi e Ruth são as estrelas e heroínas redentoras, a relação entre Ruth e Boaz, longe de ser amorosa, é sim uma questão de preservação da prole e da família na terra. Mas a história contém a promessa mais comovente de lealdade pessoal de toda a Bíblia "disse Ruth: 'Não me peça para deixar-te ou para me separar de ti, eu vou para onde tu fores, e viverei onde tu viveres o seu povo será o meu povo e seu Deus será o meu Deus '." (Ruth 1:16).
Embora essa promessa seja usada em cerimônias de casamento entre um homem e uma mulher, é uma promessa entre duas mulheres! Ruth fez esta declaração para Noemi, sua sogra, quando seu marido foi morto no campo de batalha. Ruth mais tarde se casa com Boaz, um parente próximo, e resgata Noemi para um lugar dentro de sua própria família, e até mesmo tem um filho para Noemi. Pergunta: Noemi e Ruth mantinham uma relação lésbica? Nunca poderemos saber, mas é claro que as duas mulheres mantiveram uma relação apaixonada de entrega, elogiada pelas Sagradas Escrituras, que durou toda a vida.

Unidos em um compromisso de amor.

Outra história bíblica é a de Davi e Jonatas que ocorre no momento em que era comum e nobre para um guerreiro masculino ter um relacionamento amoroso com outro homem. O triângulo trágico de paixão, ciúmes e intrigas políticas entre Saul, Jônatas e Davi é uma expressão franca do amor entre pessoas do mesmo sexo: "Angustiado estou por ti, meu irmão Jonatas me tratou com muita doçura para mim o seu afeto é maior do que o amor das mulheres". (2 Samuel 1:26).
O autor bíblico, sem dúvida, está ciente da beleza dos homens clássicos de Davi (1 Samuel 16:12) nesta história de lealdade e amor (1 Samuel 18:1-5), com encontros furtivos (1 Samuel 20:1-23, 35-42), beijos e lágrimas (1 Samuel 20:41), recusa em comer (1 Samuel 28:32-34) e no Pacto de guerreiro e amante que Davi manteve até a morte de Jonatas (1 Samuel 20:12-17, 42). Não se pode ler esta história sem a dedução de que Jonatas era o amor da vida de Davi. Os muitos séculos de interpretações homofóbicas da Bíblia fez a história permanecer escondida no closet (armário) por muito tempo! (2)

Questões relevantes.

Isso é tudo? Fazer algumas profecias sobre a esterilidade e os eunucos e duas histórias de casais do mesmo sexo? Há outras histórias que os estudiosos bíblicos devem analisar.
  • Eram gays os eunucos da história de José (Gênesis 39 a 45) e no Livro de Ester que residiam nas cortes reais e resgataram os líderes de Deus?
  • Na parábola da mulher que tinha dez moedas e perde uma (Lucas 15), são as pessoas LGBT a moeda alegremente recuperada hoje? Atualmente, admitindo que as pessoas LGBT são dez por cento da população, são o dízimo da humanidade? São culturas de fermento de padeiro?
  • Um capitão implora Jesus para curar um servo que amava (Lucas 7). A palavra grega em Mateus 8 é país, que significa "menino escravo" e refere-se geralmente a uma relação homossexual. Por que Jesus elogia a fé do capitão, mas não condena seu estilo de vida?
  • O apóstolo Paulo expressou antipatia a dominar incapazes desejos sexuais heterossexuais. Ao mesmo tempo, a sua vida turbulenta gira em torno de homens: Timóteo, Barnabé e Silas. Fazer diatribes contra seus parceiros e igrejas e ter zelo missionário incansável foram uma tentativa de suprimir sua homossexualidade?
  • A passagem sobre o jovem rico (Marcos 10:21), diz: "Jesus, olhando para ele com os olhos, o amou." Qual é a relação entre espiritualidade encarnada e este "amor" por um desconhecido necessitado? Que estudos foram feitos sobre as oito vezes em que Jesus exprime o "amor" a alguém? Como é relatado o "amor" especial de Jesus com sua sexualidade?
  • E sobre Lídia (Atos 16), empresária independente pagã, vendedora de púrpura e a primeira cristã europeia. Embora o texto bíblico refira-se a Lídia liderando um grupo de mulheres a quem Paulo prega, não menciona nem o marido nem os filhos. Era Lídia lésbica?
  • Muitas vezes, a cor roxa é usada em conexão com a realeza, o sofrimento e paixão, ou a transformação e magia. O roxo é a cor que Jesus carregou na cruz. Será que a cor roxa também tem conotações LGBT na Bíblia e na tradição litúrgica cristã? (3)
E isso muda as coisas?

Que coisas mudam no fato de que as pessoas LGBT possam a ver-se na Bíblia? O que permite ver os personagens bíblicos como eles realmente são, sem assumir mentirosamente que todos são heterossexuais? Encontramos frases ou referências a interpretações homofóbicas na história de Sodoma e Gomorra, ou nas regras de Levítico? Em vez disso, eles convidam os LGBT a lerem a Bíblia sem medo e aplicar a sua vida uma mensagem opcional.

Notas

1. Consulta do Conselho Nacional das Igrejas de Cristo, EUA, sobre "Problemas e Homossexualidade bíblica", inédito, 1987. Cerca de seis passagens bíblicas citadas fora de contexto são usadas contra pessoas LGBT. Veja o folheto, Homossexualidade: Nem pecado, nem doença do Reverendo Donald Eastman (1990).
2. Esta seção, "as relações entre pessoas do mesmo sexo", baseia-se em Tom Horner, Jonatas amou Davi: Homossexualidade em Tempos Bíblicos (Filadélfia: Westminster, 1978).
3. Esta seção, "questões relevantes", baseia-se em Judy Graham, Outra Língua Materna (Boston: Beacon, 1984).

Panfleto escrito pela Reverenda Nancy Wilson, pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana de Los Angeles - Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana (ICM). © 1992 Nancy L. Wilson.