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terça-feira, 20 de setembro de 2016

TEOLOGIA TRANS DE JESUS CRISTO (PARTE 2)

 
Jesus sobre os três tipos de eunucos
A passagem chave que muitas pessoas trans usam para compreender sua relação com as escrituras é Mateus 19:11-12:
"Mas ele [Jesus] disse-lhes [aos discípulos]: Nem todos podem receber esta palavra, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos que são assim desde seu nascimento, e há aqueles que foram castrados pelos homens; e há os que se fizeram eunucos por amor do reino dos céus. Aquele que tem ouvido para ouvir, ouça".
Os que já nasceram trans, não têm a opção de ser cisgênero, apenas a opção entre ser abertamente trans, tentando fazer o melhor para ser feliz, ou repreender sua transexualidade, tentando fingir ser cis. Sim, o próprio Jesus afirmou tal questão: "há eunucos que são assim desde seu nascimento..." Sendo esse o caso, a transição é apenas um processo de tornar manifesto o que já faz parte da pessoa desde seu nascimento. Mas, ainda mais tentador é Jesus afirmar que algumas pessoas se fazem eunucos por causa do reino dos céus. Neste caso, a transição pode ser uma resposta apropriada para sua própria participação no reino dos céus, ou para suas tentativas de ser um/uma membro apropriado/apropriada do reino dos céus. Tornando-se um/uma eunuco, não é apenas não-vergonhoso e permitido, mas pode ser uma coisa positiva realizada pela razão certa de ser ativamente agradável a Deus. Pelo menos é o que Jesus diz.

Porém, essa passagem tem rodado de diferentes maneiras por diferentes pessoas. O contexto imediato anterior é uma pergunta dos fariseus sobre casamento e divórcio e dos discípulos perguntando se devem evitar o completamente o casamento. Assim, muitos (especialmente católicos), interpretam isso como uma discussão sobre o celibato dos padres, e, o processo de se tornar "eunuco para o reino de Deus" é muitas vezes entendido ao lado do comentário de Paulo sobre o casamento (1 Coríntios 7). Mas mesmo que este seja um dos entendimentos desta passagem, não existe nenhuma razão para não pensar que Jesus também estivesse falando sobre a natureza e o papel social dos eunucos. É muito difícil ler esta passagem sem pensar nas ideias bíblicas mais amplas do comportamento LGBT. Aqui, Jesus está falando especificamente aos discípulos (não aos fariseus), que tinham se tornado alvos certos da malha do povo, pois viajavam, todos solteiros e, certamente levantavam suspeitas em seu tempo. Nenhum dos discípulos parece ter tido filhos, e, só Pedro é registrado como tendo sido casado (e mesmo esse parece que já estava viúvo quando encontrou com Jesus, e nunca se casou novamente). Mas, mesmo sendo esse um dos tons desta passagem, ela parece mais, ser sobre eunucos reais, em vez de apenas pessoas que possam ser confundidas com eunucos. Não há evidências de nenhum dos discípulos ter sido identificado publicamente como eunuco durante sua vida, apesar de existir registros dos pais da igreja os chamando de eunucos mais tarde. Certamente alguns cristãos também confundiram Jesus com um eunuco. Note também, que o resto de Mateus 19 é sobre a boa vida cristã e sobre um jovem que está sendo tentado a juntar-se ao bando de Jesus, mas decide não fazer para voltar a sua vida normal e familiar. Podemos interpretar está a luz do que vem imediatamente após, tanto a luz do que vem imediatamente antes.
Jesus e o Transportador de Cântaro
Outro conjunto de passagens que revela atitudes de Jesus para com as pessoas trans ou não conformes com seu gênero, é a história do transportador de água, imediatamente antes da Última Ceia, em Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16 e Lucas 22:7-13. Detalharei mais essa história em outra publicação. Para entender a história você precisa muito do fundo cultural. É o dia dos pães ázimo, o dia chave da Páscoa. Esse é o maior feriado judaico do ano, uma época em que todos e todas na Judéia devem visitar Jerusalém, e cada família deve consagrar um cordeiro em sacrifício no Templo, e depois comê-los juntos à noite, em um grande jantar familiar. Neste período, a cidade ficava repleta de pessoas, e todos que podiam, e se preocupavam com a tradição, se reuniam com os familiares. Mas os discípulos não estão com suas famílias, eles estão com Jesus. Eles perguntam ao mestre se estão indo celebrar a Páscoa juntos, e em caso afirmativo, onde e como? (Nesse momento, eles já estão no final de sua jornada). Jesus manda-os ao encontro de "um homem carregando um cântaro de água (Mateus é mais ambíguo). Como eles encontrariam um homem levando um cântaro de água em uma Jerusalém cheia? Não é lá que estão milhares de homens preparando uma festa com seus familiares? Bem, na verdade, não. Na cultura judaica da época, apenas mulheres carregavam cântaros de água. Os homens às vezes carregavam cantinas ou odres, especialmente quando viajavam, mas os grandes jarros de água utilizados para o fornecimento de uma casa com água de poço, era um trabalho extremamente feminino. Qualquer homem que levasse em público cântaros de água, ou era: a) um homem fazendo seu melhor para viver como mulher na sociedade; b) ou não havia nenhuma mulher naquela casa e o homem não se importava de fazer o papel feminino em público. Mas Mateus, usa uma estranha construção para tentar evitar dizer o gênero dessa pessoa (chamando de "um certo alguém", DEINA. Essa é a única vez que essa frase é usada no Novo Testamento), o que, nos faz inclinar-nos para primeira interpretação. 

De qualquer modo, a transportadora (prefiro chamá-la assim) de cântaro leva os discípulos a uma casa onde vive com um "mestre de família", que os acolhe e proporciona-lhes uma sala superior para preparação da Páscoa. Tudo bem, isso foi muito rápido, mas nos aprofundemos. Por que esta casa não está cheia com seus familiares? Talvez nem a Transportadora de cântaro, nem o mestre da casa tenham familiares vivos (exceto, talvez, um ou outro). Ou talvez suas famílias sejam afastadas deles. De qualquer forma, eles não tinham ido jantar com seus familiares, e nem suas famílias vieram ter com eles para a Páscoa. Além disso, Jesus parece saber perfeitamente que o dono da casa irá acolhê-lo, junto com seus 12 discípulos, para uma enorme refeição, mesmo no último minuto. Além disso, Jesus espera que o dono da casa tenha espaço para eles. Jesus sabe que o dono da casa e a Transportadora de cântaro não terão familiares presentes. É provável, que eles tenham sido rejeitados por suas famílias, e por isso, tenham espaço suficiente para Jesus e seus discípulos. Além disso, por que Jesus não os levou para casa de Maria, sua mãe (e de seus irmãos, ou meio irmãos, dependendo de sua interpretação), em vez da casa daquele desconhecido? Jesus escolhe simbolicamente a casa da Transportadora de cântaro e do mestre da casa para dizer que essa é sua verdadeira família, e não Maria e seus irmãos. E, este é o tema que percorre todo o Novo Testamento (incluindo Mateus 19).

Mais uma vez, permita que isso flua em sua mente. Jesus conhece uma pessoa que parece ser homem para alguns escritores, mas, que atua publicamente como mulher, e, conta com essa pessoa para tratá-los como se fossem seus familiares próximos, juntamente com seus discípulos. A Transportadora de cântaro e o mestre de família iam preparar uma festa para dois, mas para ajudar Jesus e seus discípulos, preparam uma festa para quinze em um único dia. Imagine que no natal, você e seu parceiro não são bem-vindos na casa de seus familiares, e que, eles também não estão dispostos a vir à sua casa, talvez por causa de seu estilo de vida incomum. E, em seguida, um pouco antes da refeição, um estudante, mandado por seu mestre diz: Pode treze pessoas almoçar em sua casa, para celebrar o feriado nesta noite? Falando com uma dona de casa trans, acho absolutamente anormal. Mas eles respondem sim, e abrem sua casa com um feito épico de hospitalidade. E em vez de uma refeição para dois em uma casa vazia, agora são parte de uma grande refeição de uma "família escolhida". E, de fato, está refeição torna-se tão famosa que milênios mais tarde, ela é lembrada ritualmente, repetidas vezes por muitas pessoas ao redor do mundo.

Hoje, quando pensamos na atitude cristã adequada daquela pessoa trans, percebemos com toda probabilidade, que uma trans e seu parceiro, alojaram e fizeram parte da última ceia, juntamente com Jesus e seus discípulos. E Jesus não reclamou nem um pouco disso. A maioria das pinturas da Última Ceia, não incluem a Transportadora de cântaro e seu companheiro, mas provavelmente ela estava lá.

Fonte: Estudos do Rev. Cindi Knox (homem trans).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

TRAVESTILIDADE, TRANSEXUALIDADE E BÍBLIA


Existe um verso na Bíblia que causou muita aflição nas pessoas travestis e transexuais cristãs/cristãos que cresceram dentro de uma igreja. É o versículo que parece ser mais usado por aqueles que se opões a ideia de que uma pessoa possa ser Trans e cristã, ou seja, acreditam que a travestilidade e a transexualidade seja pecado. Deuteronômio 22:5, que diz:
"Uma mulher não deve usar qualquer coisa que pertença a homem, nem o homem vestir-se como mulher; pois quem comete tal coisa, comete abominação ao Senhor Seu Deus".
Mas, o que eles não conseguem fazer é colocar o versículo dentro do contexto da época em que foi escrito. No momento em que este livro foi escrito, o povo israelita estava ocupando uma terra que não compartilhava de suas crenças. Os cananeus acreditavam em vários deuses e tinham muitos rituais que os cercavam. Um desses rituais necessários para os homens era o de "se vestir como uma deusa", e, servir como "prostituta em seu templo". A proibição prevista em Dt. 22:5 aborda um dos atos mais visíveis de adoração a ídolos pagãos da época.
Deus usou a lei para criar uma separação entre os israelitas e os povos de culturas pagãs da época. Ao seguir a lei, eles nitidamente assumiam que eram diferentes e que, não acreditavam nos deuses pagãos. Quando se coloca este verso no contexto, tanto esta lei, quanto as demais de Deuteronômio e Levítico perdem o contexto para o mundo atual.
Somente nos últimos anos comecei a ter consciência de que, como cristãos, não devemos julgar uns aos outros. Não me importo com quem você seja, sei que em algum momento da vida, você também foi julgado e julgou a outros. Depois de ter sido vítima de muitos julgamentos, inclino-me para a passagem de Tiago 4:10-12 das escrituras:
"Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará em honra. Não faleis mal uns dos outros, queridos irmãos e irmãs. Quem critica ou julga o outro, julga a lei de Deus, e se julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Só Deus que deu a lei, é Juiz, só Ele tem o poder de salvar ou destruir. Então, que direito você tem de julgar seu vizinho?"
Se nós desaprovamos, condenamos, denunciamos ou julgamos qualquer coisa, e não amamos nosso próximo, pecamos aos olhos de Deus. Uma pergunta vem à mente: "Se cremos em Cristo, importa quem ou o que somos?" Nitidamente a resposta é NÃO. Deus nos vê como filhos e filhas, somos todos e todas iguais a seus olhos. Gálatas 3:26-29 e I Samuel 16:7 diz:
"Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há mais judeus ou gregos, escravo ou livre, macho ou fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E agora que pertencem a Cristo, são verdadeiros filhos de Abraão, e herdeiros conforme a promessa". (Gálatas 3:26-29).
"Mas o Senhor disse a Samuel: Não consideres sua aparência nem sua altura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não olha para as coisas que as pessoas olham. As pessoas olham o exterior, porém o Senhor olha o coração". I Samuel 16:7.
Você pode ser a presidenta do Brasil ou uma pessoa sem-teto implorando na rampa do Palácio da Alvorada, ou ainda, uma mulher fugida da opressão no Afeganistão, se está em Cristo, é uma filha de Deus. Deus não nos olha com nossos olhares, nossa posição na vida ou o que fazemos. Deus não quer saber se nascemos com um corpo masculino ou feminino. Ele vê nosso verdadeiro eu. Ele vê nossos corações. Será que somos humildes? Será que estamos cuidando? Estamos amando nosso próximo? Isto é o que deve ser nossos corações.

Nós somos todo o trabalho prático de Deus. Ele tem dado a todas e todos, e a cada um e uma de nós, uma combinação exclusiva de presentes. Nós, todas e todos somos suas filhas e filhos. Somos irmãs e irmãos em Cristo. Não deveríamos colocar nosso foco nisto?
A Igreja da Comunidade Metropolitana acredita que todas as pessoas são iguais perante Deus e, por isso, neste dia 29 de janeiro (Dia Nacional da Visibilidade Trans) homenageamos todas as pessoas Travestis e Transexuais através de nossa querida diaconisa Trans, Maria Laura dos Reis.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

UM MENINO NO CORPO DE UMA MENINA

Não sou UMA "menina no corpo de um menino" SOU UMA GAROTA. Este é meu corpo. MENINAS têm todos os tipos de corpos.

Os sexista, heterosexistas e a sociedade cissexista são os/as responsáveis por controlar que nada escape de seu padrão; neste exercício de monitorização dos corpos e da sexualidade das pessoas, têm sido negado às mulheres a sexualidade e a autonomia de seus corpos, assim como tudo o que não podemos explicar ou que não está em conformidade com os padrões de regulamentação de expressão de gênero, são eles, marginalizados e qualificados de anti naturais.
A "genitalização" como o mais alto órgão de controle de expressão, é baseado na predeterminação da identidade sexual de homens e mulheres em termos de órgãos genitais; se for mulher, vagina e se for homem, pênis. A invisibilidade na história da arte a partir de outros corpos de mulheres e homens como expressão da diversidade humana, reforça essa "regra", contribuindo assim para o tabu de corpos sexuados e outros apenas como objeto de desejo.
Contemple outros corpos de homens e mulheres como essencial para a sociedade e para os próprios indivíduos se tornarem conscientes de que a natureza é diversa no modo de ser, representando gênero e orientação sexual.
Internalizar a "genitalização" de organismos em relação à identidade sexual dos indivíduos, torna homens e mulheres transexuais não ajustados(as) a esta regra imposta, obrigando-os(as) a viverem sua sexualidade e a visualização de seus corpos como tabu. Isto não está em oposição àqueles(as) que desejam para sua felicidade e equilíbrio emocional, e, em última análise, para sua saúde, ter um órgão genital de acordo com sua identidade sexual: Eies parte também da diversidade.
Uma sociedade diversificada e respeitosa deve assegurar a que todos indivíduos se expressem e se desenvolvam livremente, portanto, nenhuma regra deve ser aplicada como única, autêntica, natural sobre as diferentes expressões da natureza humana. Existem outros corpos de homens e mulheres que são perfeitos como uma expressão da diversidade humana!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

EXPLORAÇÃO PSICOLÓGICA E ESPIRITUAL DA EXPERIÊNCIA TRANS


Pessoas Trans e suas questões ainda são novas e desconhecidas para muitas pessoas da comunidade LGBT e seus aliados. Enquanto há décadas informamos e ensinamos as experiências sobre orientações sexuais em nossas igrejas, estamos apenas recentemente quebrando o gelo sobre a questão da identidade de gênero. Muitas pessoas estão apenas começando a fazer perguntas sobre este setor mais esquecido e estão aprendendo sobre os dons que as pessoas transexuais trazem para nossas comunidades civis e de fá.
Agrupamos dois artigos escritos recentemente por católicos com ênfase em questões transexuais a partir de duas perspectivas diferentes: o psicológico e o pastoral. Em ambos, é nítido, incluem uma dimensão de fé para as suas discussões.
O artigo psicológico foi escrito por Sydney Callahan como um post para a revista América. Callahan é um psicólogo Católico respeitado e escritor que há muito defende novos entendimentos sobre o papel da sexualidade em nossas vidas.
Refletindo sobre um ensaio da New York Times da ativista transexual Jennifer Finney Boylan, e também sobre a recente morte trágica da adolescente Leelah Alcorn (Matéria completa abaixo), Callahan sugere que é importante para todos nós compormos nossa própria "autobiografia de gênero" diz - todos nós temos que apreender a aceitar nosso gênero. Afirma:
"... Quando refletimos sobre nossa própria história de desenvolvimento, podemos ver melhor as várias complexidades envolvidas. Tanta coisa acontece por baixo e antes da percepção consciente. A identidade de gênero emerge, agora concluo, a partir de uma interação inter-relacionada de genes, influências bioquímicas no ventre materno, infantil e experiências pessoais da criança e da pressão social. O cérebro parece ser conectado cedo, talvez em diferentes graus. Mas, sem dúvida, os eventos do acaso determinam o resultado dos desenvolvimentos individuais. Enquanto Deus não comete erros trabalha através de causas secundárias, como mutações e variações aleatórias da evolução."
Ao refletir sobre nossas próprias viagens seremos capazes de ver como várias influências e lições formam nossa própria identidade de gênero. Cllahan toma nota da evolução pessoal que todo mundo passa:
"Reflexões autobiográficas nos confrontam com a questão misteriosa: 'Como é que a autoconsciência' o EU SOU 'se relaciona com o' EU 'do meu corpo mudando ao longo do tempo?'"
Independentemente da origem da identidade de gênero, os cristãos são chamados a mostrar respeito por todas as pessoas:
"Felizmente, os cristãos não têm de esperar por um consenso científico para compreender e afirmar as verdades religiosas. Sabemos que Deus nos ordena a tratar cada vida humana com justiça e amor. Em particular, devemos proteger os vulneráveis e aliviar o sofrimento. Além disso, toda identidade, atos e caráter da pessoa encarnada são mais importantes que a identidade de gênero."
Callahan termina apontando para uma nova direção que a teologia católica precisa tomar:
"Agradeço a Deus que os cristãos valorizam e protegem todas as fases e condições de vida encarnada. Nós valorizamos o embrião, feto, criança, adulto, idoso, deficientes e moribundos. E a nós tem sido prometido o dom de fazer a transição para a vida ressuscitadas como membros do corpo de Cristo. Podemos esperar agora por uma nova teologia expandida do corpo das pessoas para entender melhor o sexo e a transexualidade?"
É com esta nota espiritual e teológica que o segundo artigo que li decola. Escrito por "Sra. Mônica", um pseudônimo para uma freira católica que está no ministério pastoral com pessoas transexuais desde 1999, o ensaio Huffington Post olha para as lições pastorais que ela aprendeu com esta comunidade. (Ela preferiu permanecer anônima em sua publicidade, de modo a não atrair a hierarquia católica).
Ela descreve seu ministério como, em primeira instância, uma experiência de aprendizado, já que não tinha conhecido anteriormente quaisquer pessoas transexuais. Mas os princípios e ações ministeriais reais eram as mesmas que outras formas de ministério acompanham:
"Acredito que, quando estamos tentando viver nossas vidas de forma honesta e com integridade, estamos nos movendo em direção a Deus e não para longe dEle. Seja em um ambiente formal como em um retiro ou nas muitas maneiras informais junto a suas companheiras, devo lembrá-las de que são preciosas e amadas por Deus."
Em uma nova dimensão de sua extensão, incluía ser uma advogada e uma "ponte" para as pessoas transexuais onde quer que precisasse ser:
"...O meu grande privilégio é trazer minhas amigas transexuais para fora da escuridão, das margens da sociedade para a luz, onde possam ser vistas como são - talentosas, seres humanos que lutam como todos nós. Tenho mediado diálogo com suas famílias, quando pedido por elas. Já coordenei durante muitas noites o transporte de pessoas com mentes e corações abertos, oferecendo uma oportunidade de conhecer e conversar com minhas amigas trans."
Como Callahan, Sra. Mônica vê que a viagem transexual de auto aceitação é principalmente uma viagem espiritual:
"Nos últimos 16 anos, conheci bem mais que duas centenas de pessoas transexuais. Desde o início tive uma paixão para ser uma companheira solidária delas na jornada profundamente espiritual de reivindicar e viver em sua verdade. Meu mantra sempre foi 'Dar glórias a Deus é para nós é ser a pessoa que Deus nos fez pra ser. Quando estamos tentando viver da forma mais honesta que pudermos, nossas vidas louva a Deus.'"
Sra. Mônica reflete sobre o que o ministério com as pessoas transexuais trouxe a si mesma:
"Estou com 71 anos e tive o privilégio e a alegria de estar presente entre a comunidade transexual desde 1999. Nunca poderia ter imaginado à medida que minha vida seria moldada por elas. Elas me ensinaram muito sobre coragem, sobre o valor e o custo de serem honestas consigo mesmas, com os outros e com Deus."
Sexo tem sido muitas vezes uma influência restritiva para todas as pessoas. Os papéis de gênero raramente correspondem a complexidade individual da vida de qualquer pessoa, e podem inibir o desenvolvimento pessoal. Estou começando a aprender que as pessoas transexuais têm o dom especial de ajudar outras pessoas a superar suas expectativas de gênero e construções que prejudicam ou amortecem o indivíduo. Elas ajudam a todos tornarem-se o povo que Deus fez por amor.
Baseado no texto de Francis De Bernado, New Ways Ministry.


VONTADE DE SER UMA TRANS (EPIFANIA 2015)

 
Uma pergunta está ocupando minha mente nessa odierna festa da Epifania: a ruptura de Deus para com a humanidade significa o suicídio de uma menina trans de 17 anos?
Leelah Alcorn caminhou até uma rodoviária e terminou sua vida indo de encontro a um caminhão, três dias após o Natal. Enquanto os cristãos em todo o mundo celebravam o nascimento de Jesus, os Alcorns eram confrontados com a morte de seu próprio filho. Leelah tinha escrito sobre o suicídio em seu blog pouco antes. Essa nota encontrada aqui, na ítegra, diz o seguinte:
"A vida que eu vivo não vale a pena viver...porque sou transexual. Eu poderia entrar em detalhes explicando por que me sinto assim, mas esta nota provavelmente seria longa o suficiente como já é. Coloco simplesmente que me sinto como uma menina presa no corpo de um menino, me senti assim desde que tinha 4 anos. Eu nunca soube que existisse uma palavra para esse sentimento, nem que era possível um menino se tornar menina, então nunca disse a ninguém e, apenas continuei a fazer tradicionalmente coisas de menino" para tentar se encaixar.
"Quando tinha 14 anos aprendi o que significava transexualidade e chorei de felicidade. Após 10 anos de confusão eu finalmente entendi o que eu era. Disse imediatamente a minha mãe, e ela reagiu muito negativamente, dizendo-me que era uma fase e que eu nunca seria verdadeiramente uma menina, que Deus não comete erros e que eu estava errada. Se vocês pais estão lendo isso, por favor, não digam isso a seus filhos. Mesmo sendo cristãos ou contra as pessoas trans, nunca digam isso para alguém, especialmente a seus filhos. Isso não vai adiantar nada, a não ser fazê-los odiar a si mesmos. Isso é exatamente o que fizeram para mim."
Leelah descreve as terapias cristãs que tentaram "curá-la" e o isolamento social imposto por seus pais após sua retirada da escola. Em vez de libertar Leelah, a fé cristã daqueles que não podiam amá-la, nem entender como ela havia sido criada por Deus tornou-se cúmplice de sua morte. Ao exigir que ela estivesse de acordo com as expectativas de gênero que são irrelevantes para a verdadeira fé, e em conformidade com uma identidade falsa ante a si mesmo e diante de Deus, discípulos auto identificados de Jesus não conseguiram amar esta criança. Talvez não conheciam o que Paulo escreveu aos Gálatas que "já não há homem nem mulher, para que todos vós que são um em Cristo Jesus." Talvez simplesmente tenham esquecido que a maior Lei além de tudo é o amor. Talvez tenham sido bem intencionados, boas pessoas que simplesmente não conseguiram, como todos nós. Ao contrário de muitos, não culpo apenas os Alcorns. Simplesmente não sei os detalhes suficientes para entender suas vidas e suas relações com Leelah. Meu foco é mais amplo: este suicídio e dos mais milhares de jovens LGBT são indiciamentos de que nossas comunidades cristãs não amam de maneira concreta e real. É evidente que sua morte é o resultado de mensagens prejudiciais e intolerantes da igreja, e, concordo com Melinda Selmys sobre isso:
"Quaisquer que sejam nossas crenças ideológicas sobre gênero e sexualidade, tais crenças não devem se traduzir em isolar uma criança, privar-lhe de esperança, rejeitada por seus pais, cortadas de suas redes de apoio, negando-lhe a possibilidade de saber que não é a única pessoa a ser como ela. O amor de Deus não deve traduzir-se na matança dos inocentes. Essa nunca foi sua obra."
E sobre a festa hoje da Epifania em meio a tudo isso? "Epiphany" significa avanço. Nos tempos antigos, a revelação de Jesus 'divindade rompendo a todo mundo' era vista não só como a visita dos Reis Magos, mas no batismo de Jesus e nas bodas de Caná, casos em que Cristo quebra preconceitos e expectativas para revelar Deus em novos caminhos para novos povos. Essa ruptura divina na história humana é o evento mais radical. O suicídio de Leelah também foi uma epifania. Ele provocou conversas nacionais e uma hashtag no twitter, #RealLiveTransAdult, onde pessoas trans compartilharam suas histórias e suas vidas diante do mundo. Pessoas de todo mundo estão respondendo ao chamado de despedida de Leelah que diz que as pessoas transexuais devem ser "tratadas como seres humanos, com sentimentos válidos e direitos humanos... A minha morte deve significar alguma coisa... a sociedade deixo um POR FAVOR." Agora é hora de uma epifania sobre questões trans na Igreja Católica, bem como em outras igrejas cristãs. Devemos ajudar nossas comunidades locais e nossa igreja global a avançar do medo e da ignorância para acolher a todas as pessoas como Deus as conhece e as chama. Devemos romper nossos próprios preconceitos e desconfortos para aprender mais e crescer no amor por aquele que consideramos "outro". Vamos resolver fazer dessa epifania uma realidade. Resolver fazer que a próxima jovem trans não contemple o suicídio, mais encontre vozes de fé positiva e comunidades inclusivas. Resolver apoiar os pais a amar seus filhos e filhas trans. Resolver desafiar preconceitos anti-transexuais e corrigir informações falsas sobre gênero em nossas comunidades de fé. Resolver ser abertos ao poder de Deus que invade o nosso mundo através da divindade de Jesus e permanece até hoje por meio do Espírito, porque para Deus tudo é possível e, de fato, a surpresa é muitas vezes a maneira de Deus.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

E SE JESUS TIVESSE SIDO UMA PESSOA TRANS?

Não é sempre que somos contempladas, mas como Jesus teria vivido se tivesse nascido travesti ou transexual? Uma vez que seja apenas uma especulação, não podemos







Não é sempre que somos contempladas, mas como Jesus teria vivido se tivesse nascido uma travesti ou transexual? Uma vez que esta é apenas uma especulação, não podemos realmente saber ao certo, mas podemos olhar para seu personagem e ver mais profundamente como o seu exemplo relaciona-se com nossas vidas.

Jesus não teria deixado sua travestilidade ou transexualidade afetar seu trabalho.
Travestis e Transexuais têm inimigos suficientes neste mundo, assim como Jesus. As pessoas no poder não as respeitam e nem lhes dão favores especiais. Ele enfrentou o ridículo, o ataque, abuso físico e a humilhação, às vezes, no entanto, mesmo na cruz, na hora de sua morte, ainda fez boas ações e levantou-se para o que era correto. [Lucas 23:42-43]. Jesus também sabia o custo de ser um de seus discípulos: "Quem não carregar sua cruz e não me seguir não pode ser meu discípulo" [Lucas 14:27]. Se Jesus fosse uma pessoa trans teria lembrado consistentemente de seu objetivo principal: servir ao Senhor em todas as coisas. Teria se lembrado que sua identidade primária estava em Deus, o Pai, e, como nós, o abastecimento de Jesus esta nessa mesma identidade primária. Como resultado, podemos viver livres, fazer boas ações, e ser envolvidas no amor de Deus.

Ele não teria feito nenhuma diferença no que sua aparência exterior parecia, mas teria focado em se relacionar com pessoas de maneiras que elas entendessem.

Jesus, embora fosse o mestre de toda a criação, de forma consistente apareceu para as pessoas na aparência externa de um homem comum, revelando apenas um vislumbre de sua verdadeira aparência para Pedro, Tiago e João. Em seguida foram a uma montanha onde estavam sozinhos. Lá, ele foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. [Mateus 17:2]. Quando Jesus volta como um homem comum, ele instruiu-os: "Não conte a ninguém o que viram, até que eu tenha ressuscitado dentre os mortos". [Mateus 17:9b]. Assim como nós, inicialmente, levamos apenas as pessoas de nossa confiança para compartilhamos nosso segredo mais íntimo sobre  nosso estado trans, assim Jesus escolheu cuidadosamente apenas alguns de seus amigos mais próximos com os quais pudesse compartilhar este íntimo momento.
Além disso, quando se considera a transfiguração de Cristo - sua única alteração física durante sua vida terrena, vemos que ele não decidiu que, por ser Deus de toda a criação, forçaria a imagem de seu corpo glorificado sobre aqueles que não conseguiriam entender. Esta parece ser outra razão para que Pedro, Tiago e João jurassem segredo. Acho que podemos nos identificar um pouco com Ele.

Ele teria se sentido tão solitário como nos sentimos às vezes.

A maioria das pessoas transexuais têm experimentado a sensação de ser um espetáculo público, uma celebridade instantânea que acompanha a sua sexualidade. Jesus não era um estranho ao escrutínio e debate público! Seu ministério estava cheio de exemplos de pessoas a persegui-lo com a intenção de condená-lo religiosamente e matá-lo. Os judeus planejaram matá-lo!
E quando Jesus não estava sendo procurado por assassinato, ele estava sendo cercado por pessoas que queriam tocá-lo e ficar perto dele por várias razões, por vezes, nem sempre puras. Mesmo entre os seus amigos mais próximos, os apóstolos, Jesus muitas vezes foi incompreendido ao descrever quem ele era. Ele era a personificação de Deus, mas era também um ser humano. Com uma vida de tal incrível celebridade, solidão e ansiedade eram suas constantes companheiras.
Por exemplo, ele confessa sua ansiedade para alguns gregos durante a Páscoa, pouco antes de sua morte. Ao prever a sua morte iminente, Jesus diz: "Agora meu coração está perturbado, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Não, foi por essa razão que eu vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome!" [João 12:27].
Jesus verdadeiramente só encontrava a paz quando tinha tempo para comungar com Deus, o que acontecia várias vezes. "A notícia a respeito dele se espalhou ainda mais, de modo que multidões de pessoas vieram para ouvi-lo e serem curadas de suas doenças. Mas Jesus muitas vezes, retirava-se para lugares solitários e orava". [Lucas 5:15-16].

Ele teria exercido a sua vida diária, apesar de rumores selvagens e incorretos sobre ele.

Imagine por um momento. Jesus está dizendo a centenas e milhares de pessoas sobre como livre pode ser aquela que acreditar que ele é o Filho de Deus. O tempo todo ele está lidando com uma autoridade religiosa a conspirar para matá-lo, os governantes ameaçados por seu ensinamento, as pessoas por não serem muito apegadas a seus conceitos, era celebridade instantânea onde quer que fosse. No nosso mundo, onde há celebridade, há falsos rumores, e Jesus teve sua parte, assim como nós.
As autoridades religiosas o acusaram publicamente na sinagoga de ser possuído pelo demônio Belzebu, uma vez que Jesus tinha expulsado com sucesso os demônios das pessoas. [Mateus 12:24] O próprio Jesus perguntou a discípulos o que as pessoas estavam dizendo sobre ele. [Mateus 16:13-14] Então, ele aplaude Pedro por estar firme e declarar que ele é o Filho de Deus. [Mateus 16:16]. É nítido que Pedro o nega mesmo sabendo quem ele é, depois que é levado cativo.
Jesus teve sua cota de amigos de todas as horas, e sabia que tinha que seguir em frente, apesar do que as pessoas diziam sobre ele. Sua missão era mais importante do que a plena aceitação das pessoas. É um tema que conhecemos muito bem.

Ele não teria saído para agradar as pessoas, mas faria o que precisava ser feito.

A maioria das afirmações de Jesus em Mateus 16 e 17 são repreensões dirigidas a seus próprios discípulos, que iriam ser os responsáveis ​​por espalhar a notícia sobre ele depois que voltasse para o céu. Jesus se preocupava profundamente com eles, amava-os tanto quanto ama a qualquer um de nós, mas também não se importava se tinha que discipliná-los, acusando-os, por vezes, de serem infiéis, descrentes, perversos, pedra de tropeço, e geralmente equivocados. Se Jesus fosse uma pessoa trans não teria desviado de seus valores e plano, mesmo que fosse para agradar alguém.

Ele ainda teria focado nos outros, em vez de se embrulhar em si mesmo.

Qualquer pessoa pode ver Jesus Cristo parando sua missão de servir a Deus em todos os sentidos - parar de ser obediente até à morte de cruz - por causa de uma questão de gênero? Isso não minimiza o que passamos como indivíduos travestis e transexuais, mas enfatiza que Jesus não teria permitido que seu ministério paralisasse por uma questão pessoal. Ele ainda teria curado os doentes, feito os cegos ver, expulsado demônios, levantado pessoas da morte, feito deficientes andar, alimentado 9.000 pessoas com o equivalente a uma sacola de compras, e muito mais. Nós não temos esse poder divino, mas podemos lembrar de estar a serviço dos outros, não importando as nossas questões de sexualidade ou gênero.

por Michelle Dee

FONTE: http://www.transfaithonline.org/