sábado, 10 de setembro de 2016

DIALÉTICA DA RECONCILIAÇÃO


Paulo foi um ótimo professor dialético. A palavra dialética originalmente se referia a arte grega do debate. A dialética (diferente de nossos debates políticos) não se move nas duas maneiras de si pensar. É quando você joga dois pensamentos fora, e, em seguida, chega a um tertium quid, uma terceira coisa, o que as tradições de sabedoria interior chamam de "Terceira Força". É o processo de superação de aparentes opostos, descobrindo uma terceira reconciliação, que é maior que ambas as partes, e, que não exclui qualquer uma delas. Essa verdade move sua conversa a um nível diferente. Pessoas Sábias geralmente ensinam de uma forma dialética, pois conhecem a experiência interior, invariavelmente julgadas por imenso sofrimento, não por autoridades externas. Pense em Madre Teresa, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi.

Paulo joga fora aparentes contradições ideológicas como carne e espírito, lei e liberdade, macho e fêmea, retendo ambos, não eliminando nenhum dos dois, até chegar à conciliação terceira, ou um ótimo e espaçoso lugar chamado de misericórdia ou graça, que resulta em uma "Nova Criação", (Gálatas 6:15). Mas a maioria tenta entender Paulo no nível dos binários iniciais que ele apresenta, interpretando um como totalmente bom e outro como totalmente ruim. Infelizmente é por isso que muitas pessoas não gostam de Paulo.

Cynthia Bourgeault. Professora do Center for Action and Contemplation, explica a nuance da Terceira Força:
A interação de duas polaridades suscita uma terceira, que é a "mediação" ou princípio "reconciliador" entre elas. Em contraste com um sistema binário, que encontra estabilidade no equilíbrio dos opostos, o sistema ternário estipula uma terceira força que emerge como a mediação necessária desses opostos e que, por sua vez (e este é o ponto realmente crucial) gera uma síntese em um nível totalmente novo. É uma dialética cuja resolução cria simultaneamente um novo reino de possibilidades.
[Por exemplo] como disse Jesus: "a menos que [a semente] caia na terra e morra, [ela] continuará a ser uma única semente" (João 12:24). Se esta semente cai no chão, ela entra em um processo sagrado de transformação. Veja, a primeira força, o chão "afirma", a segunda força, "nega" (O terreno tem que ser úmido, a água sendo seu primeiro componente mais crítico). Mas, mesmo neste encontro, nada acontecerá até a luz solar, a terceira força ou "reconciliação", entrar na equação. Em seguida, as três forças que geram o broto, realizam a possibilidade latente na semente, e, surge um novo "campo" conjunto de possibilidades.

Bourgeault vê a terceira força na ação de Jesus ante à situação da mulher apanhada em adultério. Quando apresentada com as polaridades de libertação ou apedrejamento da mulher, Jesus diz: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire a pedra" (João 8:7). Escreve ela: "Ele acha a coisa que transforma os dois terríveis binários em um completamente novo relacionamento, e cria um novo reino... chamado de compaixão, perdão. Continua:

A manifestação do amor está na situação, mas você precisa encontrá-la... A terceira força está lá porque a Trindade é real, e, se você estiver alerta, será capaz de encontrá-la... O problema é que a maior parte do mundo é cego para a terceira força... A capacidade de gerar a terceira força ou a santa reconciliação é para mim o mais poderoso fruto de uma prática espiritual contemplativa. Sem uma prática contemplativa, enxergar a terceira força é praticamente impossível... mas com uma prática espiritual, você será melhor e bem mais equipado para entrar na dança e permitir apresentar a terceira força em qualquer situação.

Texto de Richard Rohr's.