quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ADOÇÃO HOMOPARENTAL: MITOS E REALIDADE,


A adoção existe há muitos anos, mas só recentemente levantou-se a questão da adoção por pessoas LGBT.
Há muitos órfãos no mundo e não há famílias suficientes para levá-los. Não há muitas famílias que queiram adotar crianças, ou por não terem condições, ou por terem seus próprios filhos ou simplesmente por não quererem filhos. O resultado final é uma superabundância de crianças órfãs que precisam de uma família amorosa. Não há solução para este problema? Adoção LGBT. Há uma quantidade crescente de casais formados por pessoas LGBT em todos os lugares que gostariam de ter filhos, mas ainda é ilegal em algumas partes do mundo. Por todo nosso país e, em outros países, há crianças que aguardam adoção e pais e mães amorosos que gostariam de acolher crianças em suas casas, mas estão proibidos de fazê-lo. Esses pais e mães não fizeram nada de errado e possuem as mesmas habilidades e recursos que outros pais e mães em potencial, e ainda assim não estão autorizados a dar a uma criança tudo o que ele ou ela precisam, amor, proteção e segurança. Então, por que esses pais e mães potenciais são proibidos de adotar? A discriminação e o preconceito são a principal causa deste ato inconstitucional. A adoção por casais LGBT deveria ser legalizada em todos os lugares, porque qualquer um que é capaz de satisfazer as exigências de ser um pai ou uma mãe amorosa merece fazê-lo, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero, e, as crianças seriam gratas por seus pais e mães amorosos.
A última década assistiu a um forte aumento de pessoas LGBT que formam suas próprias famílias através da adoção, inseminação artificial e outros meios. Os pesquisadores estimam que o número total de crianças em todo o mundo que vivem com pelo menos um pai ou mãe LGBT varia de seis a 14 milhões.
Ao mesmo tempo, o Brasil enfrenta uma escassez crítica de pais e mães adotivas. Como resultado, centenas de milhares de crianças neste país estão sem casas permanentes. Estas crianças estão por meses, e até anos, dentro de lares de cuidados públicos ou privados e carecem de pais e mães adotivos qualificados.


PESQUISA: VISÃO DA ADOÇÃO HOMOPARENTAL¹.

Toda investigação até hoje tem chegado a mesma conclusão sobre a parentalidade de gays e lésbicas: Os filhos de casais gays e lésbicas crescem com tanto sucesso como os filhos de pais heterossexuais. Na verdade, nenhum estudo encontrou filhos de pais gays e lésbicas em desvantagens por causa da orientação sexual de sues pais e mães. Outras principais conclusões incluem:
  • Não há nenhuma evidência que sugira que gays e lésbicas sejam impróprios para serem pais ou mães.
  • Ambientes domésticos com pais gays e mães lésbicas são tão propensos a apoiar com sucesso o desenvolvimento da criança como os de lares heterossexuais.
  • Bons pais e boas mães não são influenciados pela orientação sexual. Pelo contrário, é muito mais influenciado pela capacidade de um pai ou mãe criar um lar amoroso e estimulante, uma habilidade que independe da orientação sexual.
  • Não há nenhuma evidência que sugira que os filhos de pais gays e mães lésbicas sejam menos inteligentes, sofram mais problemas, sejam menos populares, ou tenham baixa auto-estima do que filhos de casais heterossexuais.
  • Os filhos de pais gays e mães lésbicas crescem felizes, saudáveis e tão bem ajustados quanto os filhos de pais heterossexuais.
A CRISE NA ADOÇÃO E NOS LARES ADOTIVOS
Hoje, há uma escassez crítica de pais e mães adotivas no Brasil. Como resultado, muitas crianças não tem lares permanentes, enquanto outras são obrigadas a sobreviver em uma série interminável de lares adotivos desclassificados. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção estima-se que 40 mil crianças vivam em abrigos. E, 32,36% dos casais que pretendem adotar crianças optam exclusivamente por lactantes, brancas e saudáveis.
Há muitas evidências que documentam os graves danos sofridos por crianças sem casas permanentes que são colocadas em lares adotivos desclassificados. As crianças frequentemente se tornam vítimas do "embaraço assistencialista" em que são movidas de lar temporário para casas temporárias. Uma criança colocada em orfanatos pode passar por 20 ou mais casas até que chegue aos 18 anos. Não é de surpreender, portanto, que o assistencialismo a longo prazo esteja associado ao aumento de problemas emocionais, delinquência, abuso de substâncias e problemas acadêmicos².
A fim de encontrara mais e melhores famílias para crianças sem casas, a adoção e a política de assistência social está cada vez mais inclusiva ao longo das últimas décadas. Embora a adoção já tenha sido vista como serviços oferecidos aos inférteis de classe média, em grande parte, casais brancos que procuravam crianças da mesma raça e saudáveis, essas políticas têm se modernizado. Nas últimas duas décadas, as agências de bem-estar infantil mudaram suas políticas para tornar a adoção e o acolhimento familiar possível para uma gama muito mais ampla de adultos, incluindo outras famílias, indivíduos mais velhos, famílias com outros filhos, famílias monoparentais (masculino e feminino), pessoas com limitação físicas, famílias LGBT e uma ampla gama econômica. Essas mudanças são muitas vezes controversas no início. De acordo com a CWLA (Child Welfare League of América de Washington) "Em um ou outro momento, a inclusão de cada um desses grupos causam controvérsias. Muitos indivíduos bem intencionados opõem-se vigorosamente a inclusão deles como potenciais adotantes e, expressam preocupações de que as normas estão sendo reduzidas de uma maneira que poderá danificar a área da adoção".
Como resultado do aumento da abrangência da adoção moderna e de políticas assistenciais, milhares de crianças agora têm casas com pais e mães qualificadas.
MITOS VERSUS FATOS
Mito: A única casa aceitável para uma criança é a que têm uma mãe e um pai casados um com o outro.
Fato: As crianças sem casas não têm a opção de escolher entre uma mãe e um pai casados ou não ou quaisquer outros tipos de pais e mães. Estas crianças não têm nem pai nem mãe, casados ou solteiros. Simplesmente não há número suficiente de pais e mães casadas que estejam interessadas em adoção. Dados revelam que o número de autorização de adoção vem caindo (DF em 2010 foram 195 adoções, já em 2011 foram 144) segundo o Conselho Nacional de Adoção. Nossas políticas de adoção têm que lhe dar com a realidade, ou essas crianças nunca terão um lar estável e amoroso.
Mito: As crianças precisam de um pai e uma mãe que tenham modelos masculinos e femininos adequados.
Fato: As crianças sem casas não têm nem pai nem mãe como modelos. E as crianças recebem seus modelos a partir de muitos lugares além de seus pais. Estes incluem avós, tios e tias, professores e professoras, amigos e amigas e vizinhos. Em uma avaliação caso a caso, profissionais treinados podem garantir que a criança a ser adotada ou colocada em um orfanato esteja indo para um ambiente com modelos adequados de todos os tipos.
Mito: Pessoas LGBT não têm relações estáveis e não sabem como ser bons pais ou mães.
Fato: Como outros adultos neste país, a maioria dos homens e mulheres homossexuais estão comprometidos em um relacionamento estável. É verdade que algumas dessas relações têm problemas, assim como nos relacionamentos heterossexuais. O processo de triagem de adoção é muito rigoroso, incluindo visitas domiciliares e entrevistas extensivas de futuros pais. Ele é projetado para filtrar as pessoas que estão qualificadas para serem ou não aprovadas ou aprovados, por qualquer que seja o motivo. Toda evidência mostra que pessoas LGBT podem ser e são bons pais e mães. A Associação Americana de Psicologia em um relatório recente de pesquisa observou que "nem um único estudo descobriu que filhos de pais gays e mães lésbicas estejam em desvantagem em qualquer aspecto significativo em relação aos filhos de pais heterossexuais", e concluiu que "ambientes domésticos fornecidos por famílias LGBT são tão prováveis, como os prestados por famílias heterossexuais, para apoiar e permitir o crescimento psicossocial das crianças" (American Psychological Association, Lesbian and Gay Paranting: A Resource For Psychologists '1995'). É por isso que a Child Welfare League of America, a mais antiga organização de defesa das crianças dos EUA, e o Conselho Norte-Americano de Crianças adotáveis dizem que famílias LGBT que procuram adotar, devem ser avaliadas apenas como os outros candidatos a adoção.
Mito: As crianças criadas por pais gays e mães lésbicas são mais propensos a serem homossexuais.
Fato: Toda evidência disponível demonstra que a orientação sexual dos pais não têm impacto sobre a orientação sexual de seus filhos e, eles não são mais propensos do que qualquer outra criança a se tornar homossexual³. Há algumas evidências de que os filhos de pais gays e mães lésbicas sejam mais tolerantes a diversidade, mas isso certamente não é uma desvantagem. Certamente alguns filhos e filhas de lésbicas ou gays sejam pessoas LGBT, assim como alguns filhos de pais heterossexuais. Estas crianças terão a vantagem adicional de serem criados por pais e mães que os apoiem e aceitam em um mundo muitas vezes hostil.
Mito: As crianças que são criadas por pais gays e mães lésbicas serão submetidos a assédios e serão rejeitados por seus pares.
Fato: As crianças zombam de outras crianças por todos os tipos de razões: muito baixo ou muito alto, magro ou gordo, por ser de raça ou religião diferente, por falarem uma língua diferente etc. As crianças mostram notáveis resistências, especialmente se a elas for fornecido um ambiente familiar estável e amoroso. As crianças em um orfanato podem enfrentar um tremendo abuso de seus pares por serem aparentais. Essas crianças muitas vezes interiorizam o abuso, e as vezes se sentem indesejadas. Infelizmente, elas não têm apoio emocional de uma família permanentemente amorosa para ajudá-las através destes tempos difíceis.
Mito: Lésbicas e Gays são mais propensos a molestar crianças.
Fato: Não há ligação entre homossexualidade e pedofilia. Toda evidência científica legítima mostra que, orientação sexual, seja hetero, homo ou bissexual é uma atração de adulto para adulto. Pedofilia, por outro lado, é uma atração sexual de um adulto por uma criança. Um estudo mostrou que de 269 casos de abuso sexual de crianças, apenas dois infratores eram gays ou lésbicas. Dos casos estudados envolvendo abuso sexual de um menino por um homem, 74 por cento dos homens eram ou estavam em um relacionamento heterossexual com a mãe do menino ou outro parente do sexo feminino. O estudo conclui que "o risco de uma criança ser molestada por seu parceiro heterossexual ou de uma parente sua é 100 vezes maior do que por alguém que possa ser identificado como homossexual, gay ou lésbica ou bissexual4".
Mito: Crianças criadas por Gays e Lésbicas serão criadas em um ambiente "imoral".
Fato: Há todos os tipos de divergências neste país sobre o que é moral e o que é imoral. Algumas pessoas podem pensar que criar os filhos sem religião é imoral, mas os ateus estão autorizados a adotar e serem mães e pais adotivos. Algumas pessoas podem pensar que beber e jogar (jogos de azar) é imorais, mas essas coisas não identificam alguém na avaliação como pai ou mãe adotivos. Se nós eliminarmos todas as pessoas que poderiam ser consideradas "imorais", não teríamos quase ninguém neste país para adotar nossas crianças. Essa não pode ser a solução certa. O que provavelmente todos concordam é que imoral é deixar crianças sem lares enquanto há tantos pais e mães qualificados para criá-las. E isso é o que muitas pessoas LGBT podem oferecer.
NOTAS:
1 Ver: American Psychological Association. Lesbian and Gays Parenting: A Resource for Psychologists, District of Columbia, 1995; Child Welfare League of America, Issues in Gay and Lesbian Adoption; Proceedings of the Fourth Annual Peirce-Warwick Adoption Sympossium, District of Columbia, 1995.

2 Eagle, R., "The Separation Experience of Children in Long Term Care: Theory, Resources, and Implications for Practice," The American Journal of Orthopsychiatry. Vol. 64, pp. 421-434 (1994); Robert, G., et al., "A Foster Care Resource Agenda For the Ô90's," Child Welfare Vol. LXXIII, No. 5, pp. 525-552 (1994). 
3 Ver: Bailey, J.M., Bobrow, D., Wolfe, M. & Mikach, S. (1995), Sexual orientation of adult sons of gay fathers, Developmental Psychology, 31, 124-129; Bozett, F.W. (1987). Children of gay fathers, F.W. Bozett (Ed.), Gay and Lesbian Parents (pp. 39-57), New York: Praeger; Gottman, J.S. (1991), Children of gay and lesbian parents, F.W. Bozett & M.B. Sussman, (Eds.), Homosexuality and Family Relations (pp. 177-196), New York: Harrington Park Press; Golombok, S., Spencer, A., & Rutter, M. (1983), Children in lesbian and single-parent households: psychosexual and psychiatric appraisal, Journal of Child Psychology and Psychiatry, 24, 551-572; Green, R. (1978), Sexual identity of 37 children raised by homosexual or transsexual parents, American Journal of Psychiatry, 135, 692-697; Huggins, S.L., (1989) A comparative study of self-esteem of adolescent children of divorced lesbian mothers and divorced heterosexual mothers, F. W. Bozett (Ed.), Homosexuality and the Family (pp. 123-135), New York: Harrington Park Press; Miller, B. (1979), Gay fathers and their children, The Family Coordinator, 28, 544-52; Paul, J.P. (1986).

4 Carole Jenny, et al., Are Children at Risk for Sexual Abuse by Homosexuals?, Pediatrics, Vol. 94, No. 1 (1994); see also David Newton, Homosexual Behavior and Child Molestation: A Review of the Evidence, Adolescence, Vol. XIII, No. 49 at 40 (1978) ("A review of the available research on pedophilia provides no basis for associating child molestation with homosexual behavior.").

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

SE JESUS NUNCA MENCIONOU ISSO, O QUE O RESTO DA BÍBLIA DIZ SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE?


Aqueles que usam a Bíblia para condenar a homossexualidade não podem citar os ensinamentos de Jesus ou uma única palavra dita por Ele, pois Ele nunca falou sobre o assunto.
Jesus nunca hesitou em ensinar e comentar sobre o mundo de sua época.
Tomou uma posição forte sobre o divórcio, novo casamento, adultério, bens materiais, hipocrisia, opressão, ganância, egoísmo, estrutura de classes e acumulo de riquezas. Mas nunca mencionou a homossexualidade. Muitos acreditam que se Deus tivesse algo a dizer sobre o assunto, Jesus certamente teria falado sobre isso.
Muitos cristãos acham que é irônico que alguns líderes religiosos se concentrem tão pouco em algumas questões que profundamente preocuparam Jesus, e, falem tanto sobre uma questão que Ele nunca mencionou.
Para os cristãos, nada nas Escrituras substituem os ensinamentos de Jesus. Não há uma única palavra nos quatro Evangelhos, mesmo por inferência, sobre a condenação das relações do mesmo sexo.
A exclusão das pessoas LGBT não se baseia no ministério nem em seus ensinamentos. "Dado ao apelo à Bíblia no caso da homossexualidade", escreve o Dr. Gomes, "é de se supor que a Bíblia tenha muito a dizer sobre o assunto, mas não tem". Como observa, "nem os Dez Mandamentos, nem o resumo da Lei mencionam a homossexualidade; nem qualquer profeta discutiu o assunto. E Jesus não mencionou", e a homossexualidade também não pareceu ser de muita preocupação para as igrejas primitivas que Paulo e seus sucessores estiveram envolvidos. "Referências bíblicas sobre a atividade do mesmo sexo que existem, incluem: condenações de estupros entre pessoas do mesmo sexo, condenações de prostituições no templo, abuso sexual e nos regulamentos chamados de "Código de Santidade", que eram projetadas para manter a pureza ritual do antigo Israel. O significado desses versos no contexto de nossa compreensão atual de orientação sexual e identidade de gênero agora que estão sendo examinados. Muitos cristãos acreditam que essas referências não lançam muita luz sobre a questão da igualdade de inclusão das pessoas LGBT. Dr. Gomes diz: "Os escritores bíblicos não contemplaram uma forma de homossexualidade em que as pessoas se amam, casam e são fiéis, tentando viver as implicações do evangelho com tanta fidelidade a ele como qualquer outro cristão heterossexual. Tudo o que sabiam da homossexualidade estava ligado a prostituição cultual, a pederastia, a lascívia e a exploração". Como ele observa, tais vícios existiam entre os heterossexuais também, e, definir as pessoas LGBT modernas nesses termos "é uma calúnia cultural da mais alta ordem". Orientação sexual nunca foi mencionada na Bíblia.

Fonte: wix.com.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

JOAO 3:16 - O QUE REALMENTE SABEMOS SOBRE ELE?


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que de seu Filho unigênito para todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele" João 3:16-17.
É como se João 3:16 fosse a estrela do rock dos versículos da Bíblia. É como um vocalista de banda, cujo nome todo mundo conhece. Se fosse um cantor, só precisaria de um nome, como Madonna ou Cher. Sabemos o número do versículo por ele ser famoso.
Mas, talvez, como acontece com todas as celebridades, pensamos conhece-la por causa da imagem encontrada em nossos cérebros, que é onipresente, prima dos versículos. Mas, no final, talvez nenhum de nós realmente saibamos algo sobre João 3:16, como não sabemos sobre Cher. Exceto Chaz Bono (Filho Transexual de Cher). Chaz Bono pode saber muito sobre Cher.
Pergunto a vocês, o que vem em mente quando ouvem João 3:16?
É nítido que muita gente responderia amor. E haveria um punhado de pessoas que escreveria sobre a inclusão das pessoas LGBT com seu lindo arco-íris. Mas a grande maioria das pessoas falaria de exclusão, julgamento e da tirania de você nunca saber se tem a crença certa, na quantidade suficiente, a fim de ser salvo. Em outras palavras, por algum motivo, um verso sobre o amor de Deus é ouvido por muitos de nós como um verso sobre julgamento e, isso produz uma tremenda ansiedade e torna-se uma chatice.
Portanto, ofereço um breve, mas incrível entendimento alternativo sobre ele.
Então, primeiro uma sarcástica sinopse de Escola Dominical:
Basicamente Deus criou a nós e tudo o que existe, mas, por ter a primeira mulher comido algo que não deveria, ficamos parafusados por toda a eternidade. E já que nos encontramos terríveis perante a glória de Deus, Ele precisou nos punir. Mas aqui é onde vemos Jesus em Jesus... muitos de nós fomos informados ao longo da história de Jesus como o filho de Deus. E Ele só tinha um! Não sei se por problemas de fertilidade, talvez... mas o ponto é que Deus tinha esse garotinho... e amou muito essa criança... mas, Ele tinha que matar esse garoto, pois você roubou uma barra de chocolate, ou mentiu para sua mãe, ou disse palavrões ou mesmo olhou pornografia. O importante é saber que Deus matou seu filhinho ao invés de punir você, pois encaremos, alguém tinha que pagar e você deve sentir-se muito grato sobre tudo isso que você acredita e (mais importante) comportar-se. Mas a boa notícia é que se você realmente acredita em tudo isso e tentar realmente ser bom, então, quando morrer, receberá um pacote de férias com tudo incluso para a Vida Eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
OK, eu avisei, isso foi muito duro.
Não estou dizendo que todos e todas vocês carregam essa visão de Escola Dominical, mas para maioria de nós parece ser essa versão que entendemos quando ouvimos falar em João 3:16.
Mas honestamente preciso de algo bonito e não assustador.
Preciso de algo que não pareça tão baseado no medo para me controlar. Pois controle baseado apenas no medo soa como algo que pudesse depender apenas de mim, e eu preciso desesperadamente depender de Deus e não de mim.
Então, se você me der licença, gostaria de oferecer uma interpretação alternativa de João 3:16. Não é algo definitivo, é, apenas para nós hoje, como quem somos neste lugar e como são as pessoas. Desde que li o livro de Francis Spufford (Unapologetic: Why Despite Everthing, Christianity Can Still Make Surprising Emotional Sensesem) que fala de Deus como uma música de amor, não consegui afastar essa imagem. Aqui esta outra maneira de entender João 3:16:
No princípio Deus, fonte e fundamento de todo o ser, cria o universo através do som e auto-doação, e, como uma canção de amor faz tudo movimentar-se, dizendo: Faça-se a luz.
Deus amou o mundo de tal maneira que deu sua própria respiração para trazer a existência aquilo que não existia, e, em seguida, amou tanto esse mundo que soprou outra vez, respirando no pó para criar a humanidade. Através da poeira e do próprio sopro de amor divino fomos criados. À imagem do compositor fomos criados, e, também recebemos voz e linguagem, respiração e música.
A canção de amor da criação continuou, mas, nós, cuidamos de criar nossas próprias melodias em outro ritmo, em outra chave, em nossa própria escala.
Portanto, existem as canções de vida que tocam por toda a eternidade e canções temporárias suplentes geradas pelo homem. Com nossa própria respiração, linguagem, voz, e, ainda tendemos a criar nosso próprio ritmo e melodia. Canções que penso que vão me salvar, canções de dominação, violência, ganância e poder.
E assim, mais uma vez o sopro de Deus foi dado a nós... através do som e auto-doação: só que desta vez, o som interrompeu o dim do império romano. Desta vez, a canção do amor divino de Deus foi ouvida no choro de um bebê recém-nascido. Porque Deus amou o mundo de maneira tal que se auto doou na forma de uma criança. Foi uma coisa tão grande que os anjos cantaram fazendo um back up. As hostes celestes unidas na canção do amor divino interromperam nosso programa regularmente agendado de soldados, impostos e códigos de pureza.
Deus amou este mundo corrupto de impérios, vítimas e violência que auto se deu por nós. Deus amou tanto o mundo que veio da forma mais vulnerável e frágil possível. Deus amou tanto o mundo que criou um Deus que andou entre nós com amor.
Mas não nosso tipo de amor. Nosso amor é limitado pelo auto-interesse, biologia e tempo. Não, esse amor não leva em conta a opinião ou a história, mas insiste em ignorar informações que consideramos importante: os dados sobre valores, beleza e status.
Porque Deus amou o mundo. Deus deu-se na forma de Jesus pelos soldados, prostitutas, traidores, mães solteiras, presidiários, religiosos, LGBT etc. Jesus é como o conjunto mais nítido das letras, que veio para que pudéssemos ser salvos do barulho do pecado e da auto-preservação. De modo que nós não pereçamos. Mas devemos lembrar novamente da verdadeira batida, o ritmo real, as letras claras da canção da criação e da salvação que é a vida, e, que é eterna.
Aqueles que ouviram esta música começam a cantá-la para os outros e escreveram sobre estes hinos nos Evangelhos, e nós, talvez apenas por um momento, uma respiração tremula, podemos ouvi-los em nós mesmos e sabermos que é a vida, e que Ele esta aqui, sempre esteve e sempre estará. É a vida eterna que é para você. Não tente acreditar. Basta ouvi-lo. Afinal de contas, o irmão Martin Luther King disse uma vez: "uma pessoa se torna cristão, não pelo trabalho, mas pelo ouvir".
Porque é inevitável que se você vai junto, cantando a coisa errada, pensando que é bonita, começe a não mais ouvir a canção do amor de Deus. É oferecida tantas alternativas na vida que superam a canção de amor no ritmo de Deus. Outras músicas, outros gritos, outras canções... como as que nos dizem que estamos sozinhos ou a canção que nos impede de chegar em sua própria glória, uma canção de condenação que diz que não somos dignos de ser chamados de filhos e filhas de Deus - há na verdade, muitos ruídos que formam uma camada que abafam a voz mansa e delicada de nosso Senhor. Mas as coisas que abafam sua voz nunca duram muito tempo, as músicas concorrentes realmente não tem nenhuma consequência, elas nunca podem durar mais do que o que tem sido tocado desde o início dos tempos. Pois não são eternas e nem são vida.
Mas o que era desde o início o é neste exato momento e será para sempre, a canção do amor divino nos chama de volta. Uma e outra vez. Leva tempo para ouvir esta música, e, isso não é motivo de preocupação, mas de alegria.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que se deu por nós como Jesus, de modo que todos e todas que ouvem a música do que é real, verdadeiro e eterno vai saber que é a sua música e, que não pode ser tirada.
Nenhum dos nossos hinos alternativos podem competir com a verdade de Deus, e, em resposta a isto, o que podemos fazer é cair de joelhos em adoração!
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele.

Fonte: www.patheos.com.

domingo, 20 de setembro de 2015

RUTH AMAVA NOEMI COMO ADÃO AMAVA EVA!



A mesma palavra hebraica que é usada em Gênesis 2:24 para descrever como Adão se sentiu em relação a Eva (o sentimento que os cônjuges devem ter um pelo outro) é usada em Ruth 1:14 para descrever como Ruth se sentia em relação a Noemi. Seus sentimentos são comemorados e não condenados.
Ao longo da história cristã o voto de Ruth a Noemi foi usado para ilustrar a natureza do convênio de casamento. Estas palavras são frequentemente lidas em cerimônias de casamentos cristãos e usadas em sermões para ilustrar o amor ideal que os cônjuges devem ter um pelo outro. O fato de que estas palavras tenham sido originalmente faladas de uma mulher para outra nos diz muito sobre como Deus se sente a respeito de relacionamentos do mesmo sexo.


DISCUSSÃO
Em toda a Bíblia há apenas dois livros com nomes de mulheres. Um deles é Ester, que conta a história de uma mulher que se torna rainha da Pérsia e salva seu povo da destruição "apresentando-se" como judia para seu marido, o rei. A outra é Ruth, que conta a história de duas mulheres que se amam e se apoiam em tempos difíceis. Ambos os livros contêm mensagens poderosas para as pessoas LGBT, mas, é a história de Ruth que aborda a questão que levantamos no começo: Pode duas pessoas do mesmo sexo viverem uma relação amorosa com a bênção de Deus?
No início do livro de Ruth somos apresentados a Noemi e seu marido Elimeleque. Eles são de Belém, onde uma terrível fome acomete no local. Sem condições de encontrar comida, eles e seus dois filhos passam para Moabe, uma terra estrangeira, onde acreditam serem capaz de sobreviver. Infelizmente, Elimeleque morre pouco tempo depois de chegar a Moabe. Vários anos se passam e os filhos de Noemi se casam com Ruth e Orfa, duas mulheres de países circundantes. Mas antes que possam ter filhos, seus maridos (filhos de Noemi) também morrem. Ruth e Orfa são deixadas sozinhas, sem maridos e nenhum filho.
Para compreender o impacto total do acontecido temos que nos colocar na mentalidade da época. Quando esta história foi escrita, as mulheres tinham apenas dois lugares aceitáveis na sociedade: Podiam ser uma filha na casa de seus pais ou uma mulher na casa de seu marido. Uma mulher sem um homem não tinha legitimidade social. Há várias histórias do Antigo Testamento sobre viúvas que quase morreram de fome por não terem um homem para cuidar delas. O constante mandamento bíblico para "cuidar dos órfãos e viúvas" decorre do entendimento de que as viúvas estavam entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade.
Este contexto faz com que a próxima cena seja quase inacreditável. Noemi, ainda de luto e reconhecedora de seu destino como viúva, decide voltar para Belém, onde mora a família de seu pai, e onde espera encontrar comida. Ela aconselha as "filhas-de-lei" fazerem o mesmo, voltar para suas famílias. Ela sabe que não pode oferecer apoio, como mulher, e teme ser um fardo para elas. Orfa, de forma sensata, volta para casa.
Mas Ruth não pode suportar fazê-lo. Seus sentimentos são profundos demais. A palavra hebraica usada em Ruth 1:14 para descrever esses sentimentos é bastante reveladora. O texto diz: "Ruth se apegou a [Noemi]." A palavra hebraica para "apegar" é "dabag". Esta é precisamente a mesma palavra hebraica usada em Gênesis 2:24 para descrever como Adão se sentiu em relação a Eva.
Você provavelmente se lembra da história de Adão e Eva, registrada em Gênesis 2. Após Deus criar Adão, ele se sente terrivelmente solitário. Nenhum dos animais que Deus criou, magníficos como eram, pode atender a profunda necessidade de Adão por uma companhia. Então Deus colocou Adão em um sono profundo, tirou uma costela de seu lado, e criou Eva. Quando Eva é apresentada a Adão, ele exclama: "Esta é, realmente, ossos dos meus ossos e carne de minha carne...". Finalmente Adão tinha uma companhia humana. O próximo versículo do texto, chama para uma importante conclusão teológica a partir da experiência de Adão. Ele diz que, por esta razão (ou seja, a necessidade de companheirismo), um homem deve deixar seu pai e sua mãe quando cresce e se "agarrar" (dabaq) com sua esposa. (Gênesis 2:24). E, é nítido, para a grande maioria dos seres humanos, que a vontade de Deus para eles é que um homem e uma mulher deixem a casa de seus pais e formem uma relação com outro, tão próxima, tão íntima que pode ser descrita como "agarrados" um ao outro.
Mas o que dizer das pessoas que não são heterossexuais? É possível, para elas, com a bênção de Deus, formar um tipo de relacionamento íntimo com alguém do mesmo sexo?
O Espírito Santo responde definitivamente a essa questão em Ruth 1:14. As Escrituras dizem, sem desculpas, vergonha ou qualificação que Ruth sentiu o mesmo carinho que os cônjuges devem sentir um pelo o outro em relação a Noemi. Longe de serem condenados, os sentimentos de Ruth são comemorados.
Na verdade, de modo a eliminar qualquer dúvida sobre o que Ruth sentia em relação a Noemi, as Escrituras passam a registrar os detalhes do voto que ela faz. Aqui estão as palavras:
"Não me pressione para deixá-la ou virar as costas para ti! Onde você for, irei eu, onde pousares, pousarei eu; o teu povo será o meu povo; e o vosso Deus, o meu Deus. Onde quer que morras, ali morrerei eu e serei sepultada. Que o Senhor faça assim entre mim e ti, e muito mais, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti." (Ruth 1:16-17).
Quando Ruth falou essas assombrosas palavras, "Onde quer que morras, ali morrerei eu e serei sepultada" não falava de um teórico futuro distante. Ela dava voz a uma possibilidade muito real de que a decisão de colocar sua vida nas mãos de outra mulher poderia resultar em morte. A coisa sensata a se fazer era ter permitido Noemi voltar para sua família e voltar para a dela. Mas Ruth não fez a coisa sensata. Ela jogou o cuidado para o vento e vai contra cada instinto de sobrevivência. Apenas uma palavra poderia explicar suas ações - o amor.
Após esse discurso falado no primeiro capítulo, a história vai em direção da vida de Ruth e Noemi juntas. O foco é sobre a qualidade de seu relacionamento. O narrador bíblico narra como Ruth cuidou de Noemi, tendo como único trabalho disponível para uma mulher sem marido, ser colhedora. Quando o autor fala do eventual casamento de Ruth com um homem mais velho, o casamento é retratado como um pacto de conveniência, planejado para que Ruth e Noemi pudessem sobreviver as duras condições de viuvez. Nenhuma menção é feita ao amor de Ruth por seu marido. E, quando finalmente Ruth carrega um filho de seu casamento, o texto enfoca a grande reação de Noemi à notícia, e não a do pai. Na verdade, as mulheres da aldeia (e o autor) ignoram completamente o pai, dizendo: "Nasceu um filho para Noemi" (Ruth 4:17). Elas lembram "pois tua nora, que te ama... te é melhor que sete filhos" (Ruth 4:15). Todo mundo parece entender que, para Ruth e Noemi, a relação que compartilham é mais importante.
Isso é o que a Bíblia diz: O sentimento que Ruth tinha por Noemi era como o sentimento que Adão tinha por Eva, ela desistiu de tudo para poder estar com sua amada; colocou sua própria vida em risco para por ela, e, mesmo depois de se casar com um homem, seu relacionamento mais importante continua a ser o que compartilhava com Noemi. Essas ações e emoções dificulta, tornando quase impossível se explicar essa relação como mera amizade. Se deixarmos de lado nossos preconceitos do que seria possível na Bíblia, veremos que o livro de Ruth conta a história de duas mulheres apaixonadas.
Instintivamente, e talvez inconscientemente, os cristãos ao longo do século reconheceram a validade dessa interpretação. O voto que Ruth fez a Noemi (supra citado) foi e é lido em casamentos cristãos por séculos, pôr captar a essência do amor que deve existir entre os cônjuges. Parece tão pouco inconsciente usar tais palavras para definir e celebrar o amor esponsal, e, logo depois insistir que quem falou as palavras originalmente não amava como cônjuge.
Na primeira edição de seu livro Nossa Tribo a Rev. lésbica Nancy Wilson, falou de um tempo em que apresentou uma peça que incluía a história de Ruth e Noemi:
"Depois da primeira ou segunda apresentação, um jovem casal heterossexual veio timidamente até mim dizendo que adoraram a peça, especialmente a parte sobre Ruth e Noemi que eu tinha explicado em diálogo com o público logo após. Eles gostaram tanto da passagem de Ruth que pediram a minha permissão para usá-la em sua cerimônia de casamento! Eu estava tão emocionada que quase começo a rir, mas, muito séria dei a permissão solicitando que de alguma forma eles indicassem que tais palavras foram originalmente faladas de uma mulher para outra. Eles alegremente concordaram com meus termos e me agradeceram. Eu (agora) tenho fantasias de interromper inocentes casamentos heterossexuais com um 'STOP em nome de Ruth e Noemi...! Parem de roubar nossas histórias e depois fazer delas relações ilegais ou caracterizá-las como imorais!'".
Isso é precisamente o que muitos têm feito nas igrejas, condenado veementemente todas as mulheres que se atrevem a compartilhar o mesmo voto feito por Ruth a Noemi. No entanto, como pode ser errado duas mulheres fazerem tais votos se temos o exemplo bíblico de Ruth e Noemi fazendo exatamente isso?
Alguns podem objetar dizendo: "Mas a Bíblia não vem a público dizer que Ruth e Noemi eram amantes. Apenas que é bom para as mulheres viverem juntas e cuidarem umas das outras... nada mais que isso!". Essas pessoas parecem pensar que a principal diferença entre a relação lésbica moderna (que tanto condenam) e a descrição bíblica de Ruth e Noemi (que aceitam) é que a Bíblia não menciona explicitamente que elas eram sexualmente intimistas. Mas desafiamos essa noção. Tendo ou não Ruth e Noemi um relacionamento íntimo e físico, acreditamos que muitos cristãos se opõe a mera ideia de duas mulheres terem vivido um relacionamento amoroso.
Imagine um televangelista conservador aconselhando duas mulheres de sua congregação. As mulheres falarem: "Queremos viver juntas e comprometermos nosso amor uma pela outra aos olhos de Deus e dessa congregação. Queremos que nossa família da igreja celebre nosso relacionamento. E, como palavras de nosso voto, usaremos Ruth 1:16-17".
Ele dirá: "Não posso permitir isso. Nossa igreja é contra o homossexualismo".
As mulheres dizem: "OK, tudo bem, nós permaneceremos celibatárias. Pense nisso como um casamento espiritual".
Você acha que o televangelista diria: "Tudo bem, nesse caso, vamos marcar a data!"
Longe disso! A própria noção de duas mulheres fazerem tais votos uma a outra é socialmente repugnante para ele. Seus preconceitos dizem-lhe que esse tipo de amor é "nojento". Mas a Bíblia está em oposição direta ao preconceito do televangelista.
A Bíblia é nítida. Encontramos aqui duas mulheres que fizerem votos de viverem juntas por toda a vida, se amavam profundamente, adotando-se como sua própria família, dependendo uma da outra para seu próprio sustento como fazem os casais de lésbicas hoje. Em vez de condenar essas relações, a Bíblia celebra-a, dando-lhes um livro próprio nas Escrituras Sagradas.

Fonte: www.wouldjesusdiscriminate.org

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO NO ANO 100 DC.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo soa como uma ideia contemporânea. Mas há quase 20 anos um estudioso católico de Yale chocou o mundo ao publicar um livro repleto de evidências de casamentos entre pessoas do mesmo sexo que foram sancionados pela igreja cristã primitiva durante uma era comumente chamada de Idade das Trevas.

Ilustração de Sergio e Baco em uma união do mesmo sexo.

John Boswell foi historiador e religioso católico que dedicou grande parte de sua vida acadêmica estudando o fim do Império Romano e o início da Igreja Cristã. Debruçado sobre documentos legais da igreja a partir desta época, descobriu algo incrível. Havia dezenas de registros de cerimônias da igreja, onde dois homens se uniam utilizando os mesmos rituais de casamentos heterossexuais. (Não foi descoberto quase nenhum registro de uniões lésbicas, provavelmente afetada por uma cultura que mantinha mais registros sobre a vida dos homens em geral).
Amparado por essa evidência, Boswell publicou em 1994, um ano antes de sua morte em decorrência da AIDS, um livro chamado de Same-Sex Unions in Pre-Modern Europe (Uniões do mesmo sexo na Europa pré-moderna). O livro atraiu controvérsias, atraindo críticas tanto da Igreja Católica quanto de comentaristas e sexólogos.
Dada as visões atuais da Igreja sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os detratores argumentaram que a história de Boswell parecia mais uma desejosa maneira de ver a história.
Mas não era, Boswell havia realmente começado sua pesquisa na década de 1970 e publicou outro trabalho igualmente controverso em 1980, intitulado de Christianity, Social Tolerance, and Homossexuality: Gay People in Westrn Europe from the Beginning of the Christian Era to the Fourteenth Century (Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade: Pessoas Gay na Europa Ocidental desde o início da era cristã ao século XIV). As uniões reservadas e refinadas do mesmo sexo expandiram muito sua aprendizagem ao longo da vida de pesquisa em fontes primárias em bibliotecas e arquivos espalhados.


Foto: Boswell em 1980

Como esses casamentos foram esquecidos pela história? Uma resposta fácil é que, como argumenta Boswell, a Igreja reformulou a ideia de casamento do século 13 para ser apenas com fins de procriação. E isto, batia a porta para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Acadêmicos e funcionários da Igreja trabalharam duro para suprimir a história desses casamentos a fim de justificar a sua nova definição.
É evidente, a história é mais complicada do que isso. Boswell afirma que parte do problema é que nós definimos o casamento entre heterossexuais de forma tão diferente hoje que é quase impossível que os historiadores reconheçam documentos de 1800 anos de idade. Muitas vezes, esses documentos referem-se a unir "irmãos", que na época teria sido a maneira de descrever parceiros do mesmo sexo, cujo estilo de vida era tolerado em Roma. Além disso, os casamentos de mais de um milênio atrás não eram baseados na procriação, mas na partilha da riqueza. Assim, "casamento" ás vezes significava uma união não sexual de duas pessoas, ou da riqueza das famílias. Boswell admite que alguns dos documentos que encontrou pode referir-se simplesmente a união não-sexual de fortunas de dois homens, mas muitos se referem ao que hoje chamaríamos de casamento gay.
O jurista Richard Ante escreveu um artigo para um jornal explicando que o livro de Boswell pode até ser usado como evidência para a legalidade do casamento entre pessoas homossexuais, uma vez que mostra evidências de que as definições de casamento mudaram ao longo do tempo. Ele descreve algumas evidências (de Boswell) destes ritos de casamento do mesmo sexo no início do primeiro milênio:
O rito de enterro dado a Aquiles e Pátrolo, ambos homens, era um rito de enterro para um homem e sua esposa. As uniões de Hadrian e Antinous, de Polyeuct e Nearchos, Felicidade e Perpétua e dos Santos Sérgio e Baco, todas foram semelhante a dos casamentos heterossexuais de suas épocas. A iconografia de Sérgio e Baco foi a usada em cerimônias nupciais do mesmo sexo pela Igreja Cristã Primitiva.
A principal evidência de que as uniões do mesmo sexo eram casamento é o fato da semelhança íntima das cerimônias heterossexuais. O estudioso literário Bruce Holsinger descreve detalhes das cerimônias do mesmo sexo das histórias de Boswell:
[Boswell] postula habilmente o desenvolvimento dos escritos nupciais heterossexuais e de casais do mesmo sexo como um único fenômeno, acompanhando o crescimento do último de "apenas um conjunto de orações" no início da Idade Média para seu florescimento como um "escrito cheio" no século XII, que envolvia "queima de velas, a colocação das mãos dos dois cônjuges sobre o Evangelho, a união de suas mãos direitas, a ligação de suas mãos... com um padre de estola, uma coroação com uma ladainha introdutória, a Oração do Senhor, a Comunhão, um beijo e as vezes um circular ao redor do altar." Boswell dedica um capítulo inteiro comparando esses rituais a seus homólogos heterossexuais, revelando uma série de semelhanças extraordinárias entre os dois; em vários apêndices, totalizando quase 100 páginas, ele compilou numerosos exemplos dos próprios documentos (incluindo cerimônias de matrimônios heterossexuais e rituais de adoração para comparação) para permitir que "os leitores... julguem por si mesmos", como diz ele. (Boswell traduziu a maior parte das cerimônias, por isso os leitores não terão que se preocupar em ler em eslavo da Velha Igreja).
Eram as uniões do mesmo sexo da Idade Média a mesma coisa do casamento LGBT de hoje? Provavelmente não. As pessoas da época não teriam visto a união de dois homens como algo fora do comum. O próprio casamento significa algo diferentes a milhares de anos atrás, e os tabus sociais contra a homossexualidade ainda não tinham se solidificado. Ainda assim, no trabalho de Boswell encontramos registros de instituições onde os casais do mesmo sexo foram honrados com as mesmas cerimônias que os casais do sexo oposto. Dois homens poderiam viver como "irmãos", partilhando riqueza, casa e família. E sim, eles também podiam se amar uns aos outros.
Embora Boswell tenha morrido antes de seu país começar a permitir o mesmo tipo de união, ele pôde desenhar a esperança de saber algo que a maioria das pessoas não sabiam. Até mesmo os tipos mais fundamentais das relações humanas mudam com o tempo. Aqueles que são banidos hoje podem ser abençoados amanhã, assim como eram a mais de mil anos atrás.

Fonte: io9.com.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O QUE AS PESSOAS REALMENTE QUEREM DIZER QUANDO AFIRMAM: "MAS EU ACREDITO NA BÍBLIA POR INTEIRO"

"Mas eu acredito na Bíblia por inteiro"

É uma frase muito comum de si ouvir nos círculos cristãos.
No curso de ensinar aos outros a viver como Jesus viveu, fazer o que Jesus fez e seguir o que Ele ensinou não há escassez de objeções a ideia. Infelizmente, aqueles que na maioria das vezes se opõe a noção radical do dever de realmente seguir o que Jesus fez e obedecer o que Ele ensinou, são companheiros cristãos.
Embora possamos amar cantar: "Eu decidi seguir a Jesus, não tem volta, não tem volta". Mas, quando entramos no âmago da questão de emular como Jesus viveu e obedecer as coisas que Ele ensinou, tropeçamos em coisas que não parecem muito sensatas para nós.
Amai vossos inimigos?
Morrer pelos inimigos em vez de matá-los?
Bem-aventurado os mansos?
Ponha de lado sua espada?
É muito pouco para alguns cristãos. E assim, aqueles que lutam com o compromisso de seguir Jesus tiram um ás de sua manga: "Mas eu acredito em toda a Bíblia".
Admito, soa bem na superfície, mas aqui está o que realmente significa: "Eu particularmente não me importo com o que Jesus disse nessa passagem, mas, sei de uma do Antigo Testamento que entra em contradição com ela, então sigo o Velho Testamento."
Já ouvi isso expresso um pouco mais diretamente: "Sim, Jesus disse para amar seus inimigos, mas Ele é o MESMO Deus que comandou a morte dos bebês cananeus, certamente, não significa que não possamos matar nossos inimigos. Caminho olhando para frente, e acredito na Bíblia por INTEIRO, obrigado."
É um jogo fácil de se jogar por existir uma abundância de textos para escolher. Como disse Brian Zahnd recentemente: "o caminho mais inteligente para se esconder de Jesus está por trás de uma Bíblia." Infelizmente, é verdade. Se você deseja executar completamente o exemplo e os ensinamentos de Jesus, pode fazê-lo sem sair das páginas das Escrituras.
Se esconder de Jesus usando a Bíblia, não é nada original, tem sido assim desde que Ele andou entre nós. De fato, encontramos no evangelho de João 5:9, Jesus repreendendo os líderes religiosos por usarem a Bíblia como um escudo para evitar esta nova forma radical de vida que Ele propunha. Ele diz que eles perderam todo o propósito das Escrituras: Ele mesmo.
Jesus adverte que pode-se conhecer o Antigo Testamento por dentro e por fora, e ainda assim perder o ponto de tudo isso. Adverte que se alguém usa a Escritura para evitar a sua nova maneira de viver, se alguém a usa para encontrar razões para não seguir seus ensinamentos e exemplo, terão perdido a própria vida.
Jesus explica-os usando a analogia de um edifício, uma história que muitos de nós aprendemos em canções quando éramos crianças. Havia um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha, e um imprudente que edificou sua casa sobre a areia. A história segue e descem "as chuvas, e correm os rios, e assopram os ventos..." Qual delas durou? O da rocha, é nítido. No final da analogia Jesus explica: "Portanto, quem houve estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha" (Mateus 7:24).
Note que Ele não diz: "todo mundo que lê a Lei de Moisés e a põe em prática é como o homem prudente...", mas diz: "todo aquele que ouve estas minhas palavras...".
Quando alguém se depara com algo que Jesus disse e responde com: "Mas eu acredito na Bíblia inteira", está se engajando em uma tradição de mais de 2000 anos de idade, a de usar a Bíblia para se esconder de Jesus, e torna-se o construtor de tolice da história que se recusou a construir sua casa sobre a única coisa que realmente vale a pena: o exemplo e o ensinamento de Jesus.
Mais tarde, no Novo Testamento, encontramos uma prova que é um aviso Deus de que devemos imitar o exemplo de Jesus: "Aquele que diz que esta nEle, também deve andar como Jesus andou." (I João 2:6).
Observe que a evidência de que nós pertencemos a Deus não é vivermos como Moisés ou Josué, ou qualquer outro personagem da Bíblia: é vivermos como Jesus.
Veja, o ponto da história de Deus é Jesus. Ele sempre foi uma história sobre Jesus. Nunca foi sobre qualquer outra coisa. O momento em que os líderes religiosos perdem a verdade é quando usam o Antigo Testamento para se esconder da nova coisa que Deus queria mostrar-lhes.
Todo o propósito da vida cristã é viver como Jesus, aqui e agora.
É o Antigo Testamento útil? Certamente. Mas sempre há uma tensão entre algo que Jesus disse e algo de outras partes da Bíblia, o desempate é sempre de Jesus. SEMPRE. Isso porque Jesus disse que todo o ponto do Antigo Testamento era trazer-nos para segui-lo. Apenas Ele. Ninguém e nada partilha seu lugar. Não há outros personagens da Bíblia, nem mesmo a própria Bíblia. Se Jesus é o Senhor, nada mais pode ser.
Assim, quando alguém responde aos ensinamentos de Jesus com: "Mas eu acredito em toda a Bíblia", geralmente é um sinal de que está fugindo dEle e usando a própria ferramenta para apontar-nos um novo caminho.
Mas é nosso trabalho levar as pessoas de volta a Jesus, até mesmo os companheiros cristãos, mesmo que nos tornemos impopular.
Porque seguirmos os ensinamentos e o exemplo de vida de JESUS sempre foi o ponto de tudo isso.

Fonte: www.patheos.com.

O GIGANTE ADORMECIDO DO CRISTIANISMO PROGRESSISTA

É ESTE O FIM?

Phyllis Tickle sempre argumentou que a luta sobre o casamento e a sexualidade humana seria a última batalha da guerra cultural. É a última pasta da plataforma política conservadora cultural; e a pasta está desmoronando. É por isso que a luta foi tão brutal. Ele argumenta que os cristãos conservadores veem isso como o fim, e estão, portanto, dispostos a lutar até o último suspiro para defender o status quo.
Na última década uma vasta erudição emprestou o argumento progressista para a igualdade no casamento e no tratamento das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais - LGBT, hoje há muito mais consenso entre os cristãos e estudiosos do que em uma década. As "passagens Clobbers" foram dizimadas nos últimos anos e por isso totalmente desacreditadas e, a influência sobre sua discussão tem cada vez menos efeito fora dos limites dos cantos extremos da fé e de seu resíduo em nossas tradições.
A maré nitidamente mudou e ficou anos atrás. Estamos apenas sentindo as correntes agora. Assim, não é de se admirar que os guerreiros da cultura se sintam tão perturbados e ameaçados, dada a mudança dramática e aparentemente rápida (Embora, o que levou a isso, tenha sido um trabalho de base através de décadas) na cultura. A decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em 2013 e também da Suprema Corte Americana não foram momentos isolados, mas, um divisor de águas em meio a uma luta de meio século.
De certa forma a preocupação conservadora é correta. As coisas mudaram. Mas não de repente, e não para o mal. De muitas maneiras, essa era uma guerra cultural, lançada na década de 1980 sobre o chamado inimigo de dentro, que raramente lutou contra, mas que nos trouxe até aqui. A organização e os ralis da causa conservadora unificada não vem dos opressores não liberais, mas, de uma cultura moderada e normatizada que luta contra a pós-modernidade, esta guerra e todo seu campo de batalha são com as questões que constroem nosso mundo. Uma guerra pela fé, pela própria definição de verdade.
Isso significa que o único alvo desacreditado nesta guerra são os outros cristãos. Está nítido que é um movimento estranho, uma vez que parece ser um comportamento decididamente não-cristão.
Também é ilógico em propósito. Nenhuma parte da igreja foi mais duramente atingida pela queda da modernidade do que a linha progressista de centro. Ela tem lutado para levantar sua voz e reivindicar sua ética cristã com força e nitidez, mas, fica muito atolada e misturada a enigmas filosóficos, dicção e doutrinas.
Os cristãos conservadores têm ridicularizado as igrejas progressistas e a linha principal de suas lutas, criticando e humilhando em fóruns públicos por décadas, sempre sugerindo que seu declínio coincidirá com o declínio do liberalismo. Ás vezes indo tão longe, a ponto de chamá-lo de castigo de Deus. Nos últimos anos houve a maior taxa de declínio entre os evangélicos conservadores e os progressistas em muito tempo. Embora o cristianismo conservador tenha sido um pouco mais forte que há uma década atrás, o cristianismo progressista nunca foi tão fraco.
Por que então, os conservadores o escolheram como valentão? Em suas próprias medidas de auto-avaliação eles têm ganhado. Se a tendência continuar, eles terão vencido em questão de décadas. Então, como pode isso? O membro mais fraco da família cristã é, na realidade, o mais perigoso? Os progressistas, os mais insignificantes, ignorados e ridicularizados é, simultaneamente, o inimigo mais assustador que a igreja já enfrentou? É ambos, insignificante e aterrorizante ao mesmo tempo. Mas, e se os conservadores sabem algo que nós não sabemos? E se eles realmente sentem algo sobre o resto de nós que não percebemos ainda? Ou, mais importante, não estamos dispostos a reconhecer em nome de nossas igrejas?
Os progressistas tem desempenhado o papel de gigante adormecido que recusa-se a despertar, mesmo diante de todos os acontecimentos. Recusa-se a despertar mesmo após o 11/09 nos EUA. Recusa-se a ser despertado mesmo após a tortura de Abu Ghraib. Recusa-se a despertar após o colapso econômico. Recusa-se a despertar em meio a desigualdade de gênero, geracional e racial, a lgbtfobia, em meio ao aumento da mortalidade infantil, corrupção, desigualdades no acesso a justiça, educação e saúde.
Talvez o gigante adormecido seja lento para acordar, despertou a décadas atrás, mas é lento para ficar em pé. Mas, é difícil de controlar e impossível de parar.
E talvez, apenas talvez, eles o nomeiam de gigante, o verdadeiro gigante, o da transformação; que não são as igrejas progressistas em si, mas a ética teológica progressista que desperta muitos para abraçá-la. Pois é o próprio gigante que as igrejas conservadoras temem.
O gigante, tão aterrorizante para os privilegiados que vivem confortavelmente, para os ricos e igualmente ignorantes. Ele veio trazer o Reino, virando as coisas de cabeça para baixo, de dentro para fora. As grandes igrejas abatidas e as pequenas levantadas. Um gigante de transformação e inovação de gostos que a humanidade não via durante gerações, com novas expressões e reflexões de graça ainda não nomeamos. Este gigante vem com amor e esperança. Mas não será gentil com a supremacia branca, a justiça desigual e as contas bancárias bilionárias.
Essas coisas são fato.
Os evangélicos conservadores estão certos: a fé mais poderosa e transformadora está nascendo. Uma fé que anseia por incluir todas e todos nós.

Fonte: http://drewdowns.net

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VOCÊ SABE O QUE É CRISTIANISMO PROGRESSISTA?


O Cristianismo Progressista é uma forma de cristianismo que se caracteriza pela vontade de questionar a tradição, a aceitação da diversidade humana, forte ênfase na justiça social e no cuidado dos pobres e oprimidos, e gestão ambiental da Terra. Cristãos progressistas têm uma profunda crença na centralidade da instrução do "amor uns aos outros" (João 15:17), dentro dos ensinamentos de Jesus Cristo. Foca-se na promoção de valores como a compaixão, a justiça, a misericórdia e tolerância, muitas vezes através do ativismo político. Embora proeminente, o movimento não é de forma alguma o único significativo do pensamento progressista entre os cristãos (Estudaremos outros movimentos mais a frente).
O Cristianismo progressista baseia-se nas ideias de múltiplos fluxos teológicos, incluindo evangelicalismo, liberalismo, neo-ortodoxia, pragmatismo, pós-modernismo, reconstrucionismo progressivo e teologia da libertação. Embora os termos Cristianismo Progressista e Cristianismo Liberal sejam muitas vezes usadas como sinônimo, os dois são movimentos distintos, apesar de muita sobreposição.
Algumas características do cristianismo progressista, embora nenhuma seja exclusiva dele, são:
  • A vitalidade espiritual e expressividade (incluindo a participativa, adoração com infusão de artes, bem como uma variedade de disciplinas e práticas espirituais como oração e/ou meditação).
  • Integridade Intelectual e criatividade (incluindo uma abertura para questionamentos e uma insistência no rigor intelectual).
  • Compreensão da espiritualidade como um afetivo e real estado psicológico ou neural (Veremos mais na frente Neuroteologia).
  • Interpretação crítica da escritura como um registro de experiências históricas e espirituais humanas e uma reflexão teológica sobre isso em vez de uma composição de fatos literais ou científicos. Aceitação de uma crítica moderna e histórica da Bíblia.
  • Aceitação (embora não necessariamente de validação) de pessoas com diferentes entendimentos do conceito de "Deus" (como o panteísmo, deísmo, não-teísmo) como uma construção ou uma comunidade.
  • Compreensão da comunhão da igreja como um símbolo ou reflexo do corpo de Cristo.
  • Uma afirmação de fé cristã com um sincero respeito simultâneo de verdades existentes em outras tradições.
  • Uma afirmação de ambas unidades humana e espiritual na diversidade social.
  • Uma afirmação do universo, e mais imediatamente da Terra, como contexto natural e primário de toda espiritualidade humana.
  • Um compromisso inflexível com a opção pelos pobres e uma solidariedade constante com eles como sujeitos de sua própria emancipação, em vez de objetos de caridade.
  • Compaixão por todos os seres vivos.
  • Suporte para a afirmação e os direitos LGBT, incluindo, mas não limitado ao suporte para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a afirmação das pessoas LGBT como cristãs autênticas, afirmação da identidade trans e assim por diante.
8 pontos do cristianismo progressista.
1 - Acredita que seguindo o caminho e os ensinamentos de Jesus podemos tomar uma consciência e experiência do sagrado e a unicidade e unidade de toda a vida;
2 - Afirma que os ensinamentos de Jesus fornecem apenas uma das muitas maneiras de experimentar a sacralidade e a unidade de vida, e que podemos chamar diversas fontes de sabedoria em nossa jornada espiritual; 
3 - Procura uma comunidade que seja inclusiva para todas as pessoas, incluindo, mas não limitada a:
  • Cristãs convencionais e céticos questionadores,
  • Crentes e agnósticos,
  • Mulheres e homens,
  • As pessoas de todas as orientações sexuais e identidade de gênero,
  • Aqueles de todas as classes e habilidades.
4 - Saber que a forma como nos comportamos em relação uns aos outros é a expressão mais plena do que acreditamos;
5 - Achar graça na busca de compreensão e acreditar que há mais valor em questionar do que no absoluto;
6 - Esforçar-se pela paz e justiça entre todos os povos;
7 - Esforçar-se para proteger e restaurar a integridade da nossa Terra;
8 - Comprometer-se a um caminho de aprendizado, compaixão e amor altruísta ao longo da vida.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A BÍBLIA NÃO PRESCREVE APENAS UM MODELO DE CASAMENTO!


Muitos dizem ter a Bíblia como base em sua recusa de aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eles e elas afirmam: "Acredito que o casamento é entre um homem e uma mulher, pois assim diz a Bíblia."
No entanto, o casamento na Bíblia, assume várias formas. Ela não oferece um "modelo único" ou "uma única versão".
Na verdade, os casamentos bíblicos diferem muito significativamente das entendidas uniões contemporâneas entre homem e mulher.
É nítido que ela pode ser pautada pelo amor de um marido por sua esposa (Efésios 5:22). Mas, se formos copiar as normas sociais da época, os casamentos deveriam ser marcados pela submissão da esposa ao marido (Efésios 5:22-24). Ao contrário, o que vemos hoje é que muitas relações são marcadas por uma parceria e igualdade entre os cônjuges, em vez de uma submissão.
Comumente as uniões bíblicas eram arranjadas. Uma mulher "era dada" em casamento por seu pai (Lucas 20:28-34). O arranjo era muitas vezes mais motivado por uma aliança entre as famílias do que baseado em nossos valores de escolha individual, amor ou realização pessoal.

O casamento bíblico também podia ser fundamentado na violência. Se um soldado (homem) capturasse uma mulher em uma batalha, ele poderia se casar com ela um mês mais tarde, depois de seu sofrimento. Seu cativeiro e estupro são nomeados como "casamento". (Deuteronômio 21:11-24).
Uma mulher que fosse estuprada devia se casar com seu estuprador (Deuteronômio 22:28-29). Certamente ficamos amedrontados com esses cenários de casamentos bíblicos entre homem e mulher.

A Bíblia também se refere ao "casamento espiritual". O casal que se deu em matrimônio mas decide não ter sexo. Paulo reconhece os desafios de um homem permanecer como "virgem" (I Coríntios 7:37-38). "Virgem" é o significado literal da palavra grega, muitas vezes erroneamente traduzido como "noivo".

Refletindo sobre sua sociedade centrada no homem, Paulo ignora os desafios da mulher. Mas não desaprova seu casamento.

A Lei do Levirato também era uma forma bíblica de casamento (Deuteronômio 25:4-10; Mateus 22:23-33). Se um homem morresse sem produzir herdeiros, seu irmão devia se casar com sua esposa para que ela desse a luz um herdeiro masculino. O herdeiro continuaria com o nome, a linhagem e as posses do morto. É de si presumir que se o irmão fosse casado, ganharia outra esposa.

Uma outra forma de casamento bíblico é a poligamia, em que um homem possuí várias esposas ao mesmo tempo. Abraão, Gideon, Davi e Salomão estão entre os homens com mais esposas. Já não há nada que fale sobre uma mulher ter vários maridos.

Poderíamos falar em uma numerosa citação de relações, possivelmente íntimas, na Bíblia que não são reconhecidas como casamento, mas, como este é um breve resumo do complexo tema sobre se o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser validado, ficamos por aqui.
É nítido a imprecisão de fazermos apelos arrebatadores sobre o "casamento bíblico", como se suas sanções fossem apenas aquelas que entendemos hoje. Isso não é possível!

Temos de reconhecer que, como sociedade, rejeitamos alguns arranjos de casamentos bíblicos, como o da Lei do Levirato e os casamentos polígamos.
Não exigimos legalmente, graças a Deus, que as mulheres capturadas e/ou estupradas se casem com seus captores/estupradores.
Não temos uma decisão legal sobre "casamentos espirituais" ou "casamentos assexuados".

Como sociedade, abraçamos uma forma de casamento entre homem e mulher que compreenda uma livre escolha, através do amor e da parceria, não de uma hierarquia dominada pelos homens (há exceções).
Agora nossa sociedade tem reconhecido o casamento entre pessoas do mesmo sexo. As passagens bíblicas frequentemente citadas contra as uniões do mesmo sexo referem-se predominantemente a relações do mundo antigo que diferiam significativamente dos atuais relacionamentos comprometidos através do amor.
Os textos bíblicos geralmente se referem a relações de pessoas do mesmo sexo marcada pelo poder explorador que abusava de jovens e escravos do sexo masculino.
Eles não se referem aos compromissos e relacionamentos amorosos que cumprem a forma base dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo que o mundo contemporâneo declara legal.


Baseado no texto de Warren Carter.