terça-feira, 2 de setembro de 2014

Graça de Perdoar

Mateus 18: 21-35


"O que é tão surpreendente sobre a Graça?" Temos que lidar com uma definição básica de graça de Paulo e ouvir a história surpreendente da graça de Jesus. Ambos os sermões focados em Deus e na graça que nos é oferecida. Deus nos ofereceu seu favor imerecido motivado pelo amor. Hoje nós veremos a transição da graça de Deus para nós, para a graça que se estende para o outro. Deus oferece-nos a graça para realizar a restauração e reconciliação.
Mas Ele também quer que o imitemos, seguindo seu exemplo. Deus quer que nós ofereçamos graça para os outros. Uma das melhores maneiras de fazer isso é oferecer o perdão para aqueles que nos feriram e nos maltratam. E, assim, o perdão está no centro da comunidade cristã. Ele derrama no cristão e na comunidade a paz para as pessoas alienadas com o outro. É uma necessidade de absoluta relação. Nenhum casamento pode durar sem Ele. Nenhuma igreja pode prosperar sem Ele. Não há um dia sequer que passe, onde não somos confrontados com a necessidade de oferecer a graça de perdoar alguém ou alguma coisa. Pode acontecer em um lugar inocente como um parque ou estacionamento no shopping. Sem o espírito da graça que perdoa os pecados dos outros nos tornamos porta de entrada para nosso próprio inferno. Dê uma olhada.
"Errar é humano, perdoar é divino." Seus instintos carnais, partem da condição humana que triunfa sobre os instintos mais elevados de oferecer perdão e graça. Jesus contou uma parábola sobre o dia do perdão. Ele foi motivado por um questionamento de Pedro: “Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?".
A pergunta de Pedro segue o ensinamento de Jesus sobre o pecado na igreja, e a necessidade de perdoar aqueles que pecam. Não havia dúvidas que a igreja seria um local de pecadores. Não só de pecadores que precisam do perdão de Deus, mas que precisam do perdão um do outro. Quantas vezes você deve perdoar alguém? Quantas vezes você deve levá-lo de volta? Pedro compreendia a tradição rabínica de perdão, como disse Jesus: Perdoe um homem três vezes. Você não está obrigado a perdoá-lo pela quarta vez. Então, quando Pedro se expande no ensino, movendo-se de 3 atos de perdão para 7, acha que está sendo muito generoso. Ele sabe que Jesus é um homem bondoso, e, espera ter sido bastante generoso com sua interpretação liberal da tradição. Mas Jesus supera e aumenta a misericórdia de Pedro com uma misericórdia sem ressalvas. Diz Ele: "Eu te digo, não sete vezes, mas 77 vezes". Algumas traduções usam a frase "70 vezes 7", que acaba por ser 490. Jesus não está apenas tentando aumentar o sentimento da misericórdia de Pedro, Ele está fornecendo uma resposta quantitativa. Jesus está dizendo, em essência: "Pedro, você deve perdoar quantas vezes for necessário. Não há um número final para o perdão. você deve perdoar sem limites".
Talvez Jesus tenha visto um olhar de perplexidade no rosto de Pedro. Um olhar confuso que pensou: "Você deve estar brincando”. Não está indo um pouco longe demais? “Então Jesus conta uma parábola sobre o perdão”.
Havia um poderoso rei que tinha um servo que lhe devia 10.000 talentos. Bem, é certo que você sabe que isso é uma história fantasiosa, pois 10 mil era uma quantidade astronômica de dinheiro. É difícil dizer exatamente quanto era, pois talento era uma medida de peso geralmente traduzida em cerca de 150 dias de trabalho. Então 10.000 talentos eram equivalentes a cerca de 1,5 milhões de dias de trabalho. Se você viver 100 anos e começar a trabalhar a partir do dia que nasceu e ir até o dia de morrer, seriam apenas 36.500 dias, ou seja, três por cento da dívida nomeada nesta parábola. Esta é uma dívida impossível de pagar.
No entanto, este servo é trazido à presença do rei que afirma que ele deve 10.000. Claro, ele reconhece que não pode pagar. Assim implora por piedade. Faz a ridícula afirmação que, com paciência será capaz de pagar todos os talentos de volta. O rei sabe, no entanto, que ele nunca será capaz de devolver o dinheiro, e, tem misericórdia dele. O rei não reduz a dívida. Podia pensar: "Bem, se me pagar 100 por semana durante os próximos 25 anos". Ou "Se ele servir no meu exército e prometer que seu filho também servirá”. "Não, ele simplesmente cancela a dívida”. Ele edita os registros para que o servo não deva mais um centavo.
Teria sido uma grande história se tivesse acabado aqui. O ponto foi bem feito. Deus perdoa a dívida que nunca poderíamos pagar por conta própria. É um ato de graça. Mas Jesus se estende na parábola, pois a parábola não é apenas sobre o homem de Deus que perdoa, mas o chamado do homem a perdoar o homem. O servo perdoado sai e vê alguém que lhe deve 100 denários, o que é cerca de um dia de salário. Lembre-se da matemática? 1500000 de dias de trabalho contra um dia, não chega nem perto. Evidentemente, ele não tinha aprendido qualquer tipo de lição com o rei. O homem que deve um dia de trabalho pede paciência e misericórdia. Mas o servo do rei recusa e coloca o homem na prisão.
O rei, observava tudo e, coloca o servo anteriormente perdoado na prisão, onde é torturado até pagar tudo o que devia. E, claro, nós sabemos quanto tempo levaria para pagar tudo o que devia. Para sempre e sempre.
O ensino claro da parábola é um convite para que os cristãos perdoem. A razão pela qual devemos perdoar é que Deus já nos perdoou uma dívida que não podíamos pagar. A Bíblia diz: "O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6:23). Nosso pecado nos separou de Deus, resultando em morte espiritual e separação. Nós não podemos pagar o suficiente para nos reunir com Deus. O grande abismo que foi criado pelo nosso pecado não pode ser superado com uma vida inteira de boas ações. Somos impotentes para pagar a dívida. E assim Deus nos fornece o dom da graça. Ele tomou nossos pecados sobre si mesmo. Pagou a dívida. Ele limpa a ardósia.
Então, nos chama a perdoar os outros. Ele não nos pede para morrer na cruz por seus pecados, mas, nos diz para fazer a nossa parte perdoando quantas vezes nos fizerem mal.
Agora pode ser algo tão simples como perdoar alguém que bateu em seu carro. Neste nível, perdoar alguém significa descartá-lo. E, no entanto este é realmente o nível mais fácil de perdoar. É mais fácil perdoar o desconhecido. Não há investimento neste tipo de relacionamento. Não há compreensão de que seja obrigado a viver em uma relação juntos. Você pode esquecer o incidente e continuar com sua vida, e assim será melhor.
O chamado a perdoar não é apenas uma alternativa recomendada, ele é um estilo de vida obrigatório para o cristão. Quando Jesus ensinou a seus discípulos a oração do Senhor, disse: "Perdoa-nos as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. No Sermão da Montanha ensinou: "Bem-aventurado são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia". O irmão de Jesus, Tiago, em suas cartas as igrejas escreveu: "Porque o juízo é sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia" (Tiago 2:13).
Nós realmente não podemos nos chamar de seguidores de Jesus, se não perdoarmos aqueles que pecam contra nós. Jesus demonstrou perdão para aqueles que o feriram e chamou aqueles que afirmavam segui-lo, para fazer o mesmo.
A chamada a perdoar é um mandamento para o cristão. A graça do perdão,
Agora uma coisa é perdoar um estranho que bate no seu carro em um estacionamento. Mas se entrarmos na água em um nível mais profundo, vamos sentir a dificuldade do perdão aumentada. Este é o nível em que perdoamos os mais próximos, onde residem as relações mais íntimas. Marido e mulher, mãe e filha. Pai e filho. Amigos próximos de anos. Quanto mais profundo o amor e o nível de intimidade, maior a possibilidade de dor e maior necessidade de perdão. O investimento de amor e de energia em relação cria um nível mais elevado de vulnerabilidade. A exposição ao sol pode criar um bronzeado bonito, mas também pode levar a um perigoso câncer de pele.
Há também os níveis mais profundos de perdão, como quando somos confrontados com os mais traiçoeiros atos de pecado. Uma coisa é perdoar alguém para bateu no meu carro no shopping. Outra coisa é quando alguém mata nosso pai, ou estupra nossa filha, ou abusa do nosso neto no parque. Quanto mais próxima a intimidade ou maior a perda, mais difícil se torna o perdão.
Então, quando a dor ocorre em casa...
Quando um padrasto abusa sexualmente de uma enteada...
Quando pequenos e grandes pecados se acumulam ao longo de anos, sem perdão... Um grande abismo é cavado.
O dom do perdão é necessário mais do que nunca, mas não sabemos como. A diferença parece tão grande. O relacionamento parece além do reparo. Deus talvez possa perdoar, mas Ele não pode esperar muito de nós, conectados para perdoar algumas coisas. Há momentos em que só um milagre fará. Precisamos da intervenção graciosa de Deus para nos permitir perdoar em Seu poder, quando não somos capazes só por nós mesmos.
Na autobiografia escrita por Corrie Ten Boom, intitulada: “O Esconderijo”. Neste livro poderoso, Corrie Ten Boom, que foi preso pelo regime nazista, fala de sua experiência de pregar em uma igreja sobre o mesmo assunto do perdão após o fim da guerra, ele tinham acabado de ser liberados do campo de prisioneiros. Quando saiu do púlpito para o centro do santuário, notou um homem vindo em sua direção com a mão estendida e um sorriso brilhante no rosto, imediatamente o reconheceu como o chefe da guarda no campo, onde ele e sua irmã foram presos e onde sua irmã tinha morrido. O rosto do guarda estava radiante naquela noite após o culto na igreja. "Oi, Fraulein", disse ele, "como sou grato por sua mensagem poderosa. Pensar que Jesus lavou os meus pecados.". Corrie se viu paralisado com o guarda estendendo a mão em sua direção.
Ele não podia levantar a mão. E escreve: "Assim como os pensamentos vingativos fervia através de mim, vi o pecado dele ...e ainda assim não pude fazer nada sobre isso. Não conseguia sentir a menor centelha de amor ou de caridade. E assim, recitei esta oração em silêncio. ‘Jesus, eu não posso perdoar ele, por favor me dê o seu perdão.'" E com essa oração, foi capaz de levantar a mão e tocar a mão do homem que o perseguiu. Ela escreve, "ao longo do meu braço e na minha mão passou uma corrente de mim para ele... e naquele momento descobri que não é do nosso perdão e, mais do que nossa bondade a cura do mundo depende de Deus. Quando nosso Senhor nos diz para amar nossos inimigos, ele nos dá, junto com o comando para fazê-lo, o próprio amor" [New York: Bantam Livros, 1971; p. 238].
Aqui está o que eu gostaria de dizer a você hoje. Perdão - em seu nível mais profundo - não é um ato de vontade; é uma função da graça divina. Você não pode perdoar ninguém, mas você pode fazer a conexão intelectual entre sua própria dependência de aceitação de Deus e toda a sua fragilidade e inadequação, e sua reação para aqueles que você têm ferido - mesmo você profundamente, terrivelmente ferido. E se hoje você está em um ponto em que você simplesmente não pode perdoar, sei de uma coisa que você pode fazer. Orar para que chegue o tempo em que você possa perdoar [Garrett Keizer, Christian Century, 31 de julho de 2002; p. 23].
Lembro-me da confissão pungente de Golda Maier, "Eu posso perdoar os árabes por matar meu filho, mas não posso perdoar os árabes por ensinar meu filho a matar árabes". Ou seja, algumas coisas não podem ser feitas por simples decisão. Nós não estamos mais falando de arranhões no nosso carro no shopping. Devemos nos abrir para receber de Deus aquilo que achamos humanamente impossível de realizar por conta própria. E se pudermos finalmente, receber o dom de ser capaz de perdoar aqueles que nos fizeram lesão grave, o cônjuge que nos traiu, talvez, um pai que abusou, um motorista descuidado que matou, teremos seguido o ensinamento difícil de nosso Senhor. Perdoar não é negar a dor ou a injustiça do ato. Perdoar não é desculpar o que é injusto ou cruel. Perdoar significa precisamente isto: fazer uma escolha consciente de se desassociar do mal. Quando alguém faz um prejuízo em nós, a primeira lesão fazem é culpa deles, mas se nos agarrarmos a um sentimento de vingança e de ódio em nossos corações, em seguida, e a pessoa nos faz uma segunda lesão, a culpa por isso é nossa.
Não acho que esse tipo de nível profundo de perdão acontece durante a noite. Não basta ir ao igreja num domingo, recitar a oração do Senhor: "Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido." e ir para casa inteiro. Às vezes, leva anos para que a graça de Deus possa ter efeito sobre nós. CS Lewis, professor de Inglês Britânico excelente e apologista cristão escreveu certa vez: "Na semana passada, enquanto em oração, de repente descobri que tinha finalmente perdoado alguém que vinha tentando perdoar por mais de trinta anos. Não tenho explicação, meus amigos, para este tipo de coisa, exceto ver nas palavras do Apóstolo Paulo, escrita ao longo de dois mil anos atrás: "Tudo isso vem de Deus."
O Poder do Perdão.
Quando perdoamos decretamos o Reino de Deus no mundo. A orante petição, "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu", se enraíza na nossa vida e na vida dos outros. A pessoa que perdoa é libertada da escravidão do pecado, e talvez, tão importante quanto isso, somos libertados da escravidão da nossa raiva e amargura.
O Autor Frederick Buechner nos adverte sobre os perigos de reviver mágoas do passado, quando diz: "Dos sete pecados capitais, a ira é possivelmente o mais divertido. Para lamber suas feridas, a palmada seus lábios mais mágoas passadas longas, para rolar sua língua sobre a perspectiva de confrontos amargos que ainda estão por vir, para saborear o último pedaço gostoso tanto da dor que está dando e a dor que estão te dando volta em muitos aspectos, é uma festa digna de um rei. O principal inconveniente é que o que você devora a si mesmo. O esqueleto na festa é você."
Uma mulher sul-Africana ficou com uma carga emocional na sala de tribunal, ouvindo policiais brancos reconhecerem as atrocidades que haviam perpetrado em nome do apartheid. O Diretor Van de Broek reconheceu sua responsabilidade na morte de seu filho. Junto com os outros, ele tinha atirado em seu filho de 18 anos de idade, à queima-roupa. Ele e os outros festejaram, enquanto eles queimavam seu corpo, tornando-o mais e mais sobre o fogo até o reduzir a cinzas.
Oito anos depois, Van de Broek e outros pegaram seu marido. Algumas [horas] mais tarde, pouco depois da meia-noite, Van de Broek veio buscar a mulher. Ele a levou para uma pilha de lenha onde seu marido estava amarrado. Ela foi forçada a assistir eles jogando gasolina sobre seu corpo e acender em chamas que consumiram seu corpo. As últimas palavras que ouviu seu marido dizer foram "Perdoa-lhes."
Agora, Van de Broek estava diante do julgamento. A Verdade da África do Sul e a Comissão de Reconciliação perguntou o que ela queria.
"Eu quero três coisas", disse calmamente. "Quero que o Sr. Van de Broek me leve para o lugar onde queimaram o corpo de meu marido. Gostaria de recolher a poeira e dar-lhe um decente sepultamento. "Em segundo lugar, gostaria que duas vezes por mês ele viesse para o gueto e passar um dia comigo para que eu pudesse ser uma mãe para ele. "Em terceiro lugar, gostaria que Sr. van de Broek soubesse que é perdoado por Deus, e que eu o perdoo também. Gostaria de alguém para me levar para onde ele está sentado, para que possa abraçá-lo, para que ele possa conhecer o meu perdão é real ". Como a mulher idosa foi conduzida através do tribunal, van de Broek desmaiou, oprimido. Alguém começou a cantar "Maravilhosa Graça". Aos poucos, todos se interligaram.
Esta mulher entendeu que se reconciliar com Deus e se reconciliar com os vizinhos e inimigos é ser livre de fato. O perdão significa que não se preocupe com a justiça? Será que o perdão significa que não há conseqüência para o mal? Não! O que significa é que deixamos a justiça e a vingança nas mãos de Deus. Só Ele pode julgar corretamente. Nosso trabalho, como agentes do seu reino na terra, é de quebrar o ciclo de ódio e se deslocar de um julgamento legalista para a conclusão do perdão e da graça.
Qual é a mensagem mais importante de Jesus para um mundo cheio de vingança, amargura, e de violência? Acredito que a mensagem é de perdão e graça. Amém.