sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUATRO RAZÕES PARA RECEBER PESSOAS LGBT EM SUAS IGREJAS?


Muitas discussões religiosas hoje, tem como tema a HOMOSSEXUALIDADE X RELIGIÃO. Como religioso e homossexual devo admitir que isso um tanto quanto me entristece. Porém sei, que qualquer tristeza que possa sentir em relação a esse debate, empalidece em comparação com a dor que muitos companheiros e companheiras LGBT têm experimentado ao longo da vida.
É com grande amor e respeito a todos os irmãos e irmãs que ofereço essas questões na esperança de algo construtivo para os próximos debates. O que se segue são alguns argumentos de "fé" baseados na homoafetividade.
1 - AS LEITURAS FIÉIS DA BÍBLIA QUE APOIAM A INCLUSÃO PLENA E A IGUALDADE DE DIREITOS PARA POPULAÇÃO LGBT NÃO SÃO BEM PESQUISADAS.
Mas, dirão alguns, a Bíblia diz nitidamente que a homossexualidade é uma abominação! Ou são apenas os atos homossexuais? Ou é apenas o Antigo Testamento? Espere, o que Jesus disse? Talvez não tenha sido "nítido." Enquanto muitos sejam rápidos em citar alguns versos selecionados para apoiar suas crenças anti LGBT, também se pode encontrar versículos que condenam comer camarão (Levítico 11:9-12 - outra abominação) e até mesmo uma apologia de levar seu filho rebelde à porta da cidade para ser apedrejado (Deuteronômio 21:18-21). Felizmente para os filhos, há uma impressionante falta de suporte para essa tática de criação na Bíblia.
Em outras palavras, quando nós escolhemos ou lemos textos sem contexto histórico, podemos usar a Bíblia para defender e promover qualquer questão a respeito da escravidão, direitos das mulheres, e, bater ou não em nossos filhos. O ponto aqui é que um versículo tomado fora do contexto pode ser prejudicial, e devemos ter cuidado de considerar cuidadosamente o texto à luz de nossas experiências, história e tradição.

2 - A CHAMADA BÍBLICA PARA "IR E SE MULTIPLICAR" JÁ NÃO É TÃO CRÍTICA PARA CONTINUIDADE DA HUMANIDADE.

Muitos argumentam que os casais do mesmo sexo não são capazes de terem filhos biológicos e, portanto, a sua união não é natural. Embora seja verdade que parceiros do mesmo sexo não possam procriar (sem doadores, barrigas de aluguel, e intervenções médicas etc.), também é verdade que de 10-15% dos casais heterossexuais são inférteis, segundo a ciência e muitas vezes incapazes de terem filhos biológicos sem tais intervenções. E ainda, muitos casais heterossexuais optam por não terem filhos.
Será que devemos conceder o direito de casamento apenas para aqueles que são biologicamente capazes de optar por ter filhos? Não reconhecemos o comprometimento desses casais heterossexuais sem filhos como menor que outros? É nítido que não, isso seria ridículo, certo?
Com uma população mundial de 7,2 bilhões de habitantes, e, com uma probabilidade que continue a crescer (em termos de população pelo menos), vamos nos preocupar se um casal é capaz ou não de se reproduzir?

3 - PARA MUITOS CRISTÃOS, O CHAMADO DE SEGUIR JESUS NÃO DEIXA ESCOLHAS, A NÃO SER O DE TRATAR AS PESSOAS LGBT COMO IGUAIS.

Muitos acham que isso não só é justificado, mas é exigido pelo evangelho de Jesus. Embora haja muitos debates sobre traduções e contextos de alguns versículos do Antigo Testamento, nos Evangelhos, Jesus foi realmente silencioso sobre essa questão. No entanto, Ele foi muito mais incisivo em uma chamada para justiça e o amor ao próximo acima de tudo. Muitas vezes, Ele foi o herói dos oprimidos, rejeitados e humildes.
É muito radical acreditar que Jesus gostaria de receber irmãos e irmãs LGBT na igreja de braços abertos? E acreditar que Ele possa ir além, lavando seus pés como fez com os discípulos? Talvez a falta de qualquer evidência de Jesus "curando" uma pessoa LGBT, seja a prova suficiente que Ele nos acolhe como somos.
Concentremos nossos esforços em dar atenção a esse chamado, como demonstrado por Jesus, a justiça social. Que sejamos conhecidos por isso. Afinal, não deve ser a igreja o único local realmente seguro para nós sermos quem somos? Não somos chamados por Jesus para ser a igreja?

4 - INDEPENDENTEMENTE DO QUE NOSSA INTERPRETAÇÃO INDIVIDUAL DA ESCRITURA NOS DIGA; OLHEMOS PARA O QUE ESTA ACONTECENDO NOS DIAS DE HOJE.

Indaguemos a seguinte questão: O que nós sinceramente acreditamos ser o maior pecado? Será que é estar perto e ver nossa sociedade e nossas igrejas tratarem as pessoas LGBT como menos do que igual, e, perceber que a tentativa de suicídio entre jovens LGBT tem uma taxa cinco vezes maior do que entre jovens héteros, e que devem sentirem-se satisfeitos com uma mensagem (no máximo) de "nós amamos você, mas terá que mudar."
Ou podemos cometer o pecado de tratar a todos e todas como iguais, independentemente de seu objeto de relacionamento consensual, e, chegar sinceramente para a juventude que luta com problemas de rejeição e autoestima proclamando com ousadia um "Seja bem-vindo ou bem-vinda! Venha como és. Deus ama muito você. Nós te amamos."
E eles saberão que somos cristãos por nosso amor...

BASEADO NO TEXTO DE HOLLI LONG.