quinta-feira, 2 de junho de 2016

HOJE LIVRE SOU

No deserto


Já deixamos o Egito, não somos mais escravos, por isso, suas ordens e mandatos, suas convicções e baixarias não nos afetam mais. Já deixamos o Egito, somos livres! Agora somos diferentes, sabemos que não somos escravos, que não nascemos para dizer sim à maneira que você vê o mundo. Temos vergonha se algum dia acreditamos e colaboramos com sua injustiça, tendo interiorizado suas mentiras. Agora somos livres! Agora, decidimos por nós! Cada um é o que é, sente e pensa. Não somos divinos ou poderosos e influentes, simplesmente, somos livres!

E a nossa liberdade não pode ser vivida no Egito, não há lugar ou significado. Nossa liberdade, nos leva diretamente para o nada, para o deserto. Nós nos conhecemos, nos apoiamos e nos ajudamos. Nos reconhecemos enquanto irmãos e irmãs, para a construção de uma nova família, uma comunidade de diferentes, que sempre lembrará que um dia foi escravizado no Egito. Vozes absurdas nos convidam a voltar ao Egito, para esperar que seu mundo mude e, a sorte mude com ele. Mas não queremos, não gostamos desse mundo. Não queremos estar em lugares onde os seres humanos não são respeitados, onde seus maravilhosos talentos são guardados em nome de uma ideologia opressiva. Seu mundo não é para nós, e, decidimos ir em busca de um mundo melhor. Em busca de uma nova terra, onde "o lobo e o cordeiro apascentarão juntos, o leão comerá palha como o boi, e o pó será comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor" Isaías 65:25.

Na caminhada no deserto, encontraremos tentações, enganos ou pequenas coisas disfarçadas de vontade divina. Lembraremos que precisamos ser alimentados, corrermos riscos, para enfim ver saciada nossa fome de justiça. Diremos que Jesus, o Verbo de Deus, é quem nos justifica de qualquer coisa ou pessoa. Teremos que explicar que é preciso testar nosso Deus, mesmo sabendo que ele nos salvou como somos. Finalmente, teremos que colocar seu mundo a nossos pés, para depois desprezá-lo, voltando-nos para nós mesmos. Teremos que repreender o diabo que nos oferece tal coisa, depois, dizer que nós adoramos apenas o Deus verdadeiro, que nos encoraja a ser e viver a verdade.

O deserto da esperança também é Deus, sabíamos disso desde o início, pois, foi Ele nos empurrou para fora do Egito, para nos testar. Deus está do nosso lado, revelado numa maneira nova e diferente. Agora descobrimos um amigo como nosso aliado. Sabemos quem ficará com a gente para construir o Tabernáculo. Não será como os grandes templos do Egito, será uma construção humilde e rústica, que é o que o deserto pode nos oferecer. Mas será neste lugar que Ele se revelará a nós e, em nós. Será o lugar que escolheu para nos mostrar quem Ele é, e, excluir todos os enganos que havíamos crido como sua exigência e seu querer. Tiremos todos os pensamentos que aprendemos nos locais religiosos, que Ele se revelará a nós no deserto. É o lugar que Ele escolheu para vir à nós. Construiremos um Tabernáculo, embora não sejamos dignos e dignas, Ele nos chamou para fazer. Um Tabernáculo inclusivo, onde todos e todas possam encontrar um novo caminho para Deus, onde todos e todas possam curar suas feridas que as chicotadas egípcias deixaram em seu corpo.

Caminhemos em direção da Terra Prometida. Mas, certamente, ainda enxergamos o Egito. Podemos transformar o deserto que ainda não se encontra pronto. Devemos esperar por aquelas pessoas que ainda não se atreveram a atravessar o Mar Vermelho. Nós chegamos mais cedo e, mais tarde nossa esperança ficará satisfeita. Enquanto isso, vivemos onde Deus queria que vivêssemos, no deserto da tentação, mas, também da revelação. No deserto, somos mais livres e felizes do que nunca. Mas as nossas necessidades ainda não foram satisfeitas em tudo, pois, embora saibamos que, temos conosco nosso Salvador, estamos conscientes de que a promessa de Deus é muito maior. Não estamos satisfeitos, nós ansiamos ainda mais para nós, e para outros milhões de pessoas.

Baseado no texto de Carlos Osma
homoprotestantes.blogspot.com