terça-feira, 28 de junho de 2016

OS HIPERTEXTOS: A EXISTÊNCIA DO INFERNO PARTE I

O "inferno" realmente existe? Existe um "inferno" na Bíblia?

Este, sem dúvidas, está longe de ser um assunto que goste de trabalhar, mas devido algumas solicitações, resolvi abordar meu pensamento, embasado no estudo de teólogos sérios e contemporâneos que se dedicaram a tirar dúvidas sobre a existência do "inferno".

O que é realmente o "inferno"? Ele está localizado aqui na terra ou em alguma outra dimensão? É real ou mito? A Bíblia pode nos conduzir a verdade? Onde o "inferno" é mencionado pela primeira vez na Bíblia, e, por que é tão difícil encontrá-lo nas traduções mais modernas e precisas? Por que a punição do "inferno" nunca foi mencionada para os pecadores originais, Adão, Eva e Caim? Ou para os incrédulos, como Faraó que por várias vezes desafiou a Deus? Existem versos bíblicos que descrevam nitidamente o "inferno", explicando sua origem e propósito? É lógico que não! Se você estudar "inferno" na Bíblia, fará uma enorme busca, infrutífera de fatos, definições e explicações. Por quê? Porque os profetas hebreus nunca mencionaram um lugar onde os seres humanos se contorcem de tormento eterno e, rangem os dentes para sempre. Os profetas nem sequer mencionaram a possibilidade de sofrimento após a morte. Isso não é muito estranho? Se realmente existisse um inferno, porque Deus quis evitá-lo? A Bíblia Hebraica (nosso Antigo Testamento) menciona um lugar chamado inferno, mas, como mencionarei abaixo, citando livro, capítulo e versículo, usa a palavra hebraica Sheol, que nitidamente tem o significado de "a sepultura" ou "a morada de todos os mortos, bons e maus". O mesmo é verdade no Novo Testamento, onde a palavra grega Hades, também significa "a sepultura" ou "morada de todos os mortos". Geena também não significa "inferno", como explicarei a seguir. Assim, "o inferno", não é totalmente um ensinamento bíblico, mas um erro de tradução angustiante usado por charlatões para fazer lavagem cerebral em crentes, que obedecem aos mandamentos que nunca se preocuparam em observar por si mesmos. (Parece que o inferno não tem a fúria que os moralistas hipócritas usam para controlar o comportamento das pessoas). Infelizmente, os inocentes que mais sofrem com este dogma infernal, são as crianças altamente impressionáveis que, confiam em seus pais, pastores, professores de escolas dominicais, que as induzem ao erro...
De Michael R. Burch, "Recovering fundamentalist".

O Inferno é um abuso infantil, puro e simples. Nós simplesmente devemos pôr fim neste abuso emocional, psicológico e espiritual das crianças. Não há absolutamente nenhuma razão para adultos ameaçarem as crianças com o inferno, isso é uma ameaça velada, mas aterrorizante que, "Jesus salva, mas só se você acreditar neste dogma cristão". As crianças crescem, fato que parece escapar aos teólogos cristãos que insistem que Jesus ama as crianças pequenas, e, inexplicavelmente viram as costas para elas quando chegam a misteriosa "idade da responsabilidade", que, ironicamente nunca foi mencionada por Jesus, Pedro, Paulo, ou qualquer outro apóstolo e profeta no que diz respeito a salvação. Se o Deus da Bíblia nunca condenou ninguém ao "inferno", em qualquer idade, não seria blasfêmia ameaçar as pessoas com o inferno, em nome de Deus?
Bem, tenho a intenção de provar, "além de uma dúvida razoável", que do começo ao fim a Bíblia é inteiramente silenciosa sobre qualquer preexistência ou criação de "inferno".

Abaixo, demonstraremos algumas formas simples e lógicas para não se acreditar no "inferno", de acordo com a própria Bíblia:

  • Não há nenhuma menção de "inferno" ou qualquer possibilidade de sofrimento pós morte em qualquer lugar do Antigo Testamento;
  • A palavra hebraica Sheol, nitidamente significa "sepultura", não "inferno". Isso pode ser facilmente confirmado, pois, se Sheol fosse traduzida como "inferno" (indicando o dogma cristão como um lugar inevitável de sofrimento por parte de Deus), seria imediatamente refutada. Isto é verdade pois: (1) no Salmo 139:8, o rei Davi afirma ter feito sua cama no inferno, e, que Deus estaria com ele; (2) em Jó 14:13, o autor pede para ser escondido no inferno; (3) no Salmo 49:15, os filhos de Corá dizem que Deus iria resgatá-los do inferno; e, (4) tanto o profeta Ezequiel como o apóstolo Paulo, concordam que Israel será salvo, mas, em Gênesis 37:35, vemos o próprio Israel dizer que se reuniria com seu filho José no Sheol. Como Israel pode ser salvo, se ele próprio afirma que iria para o "inferno"? Em cada caso, Sheol significa nitidamente "a sepultura" ou "a morada de todos os mortos", e, não pode ser interpretada como "inferno", a menos que "inferno" signifique céu!
  • Isto é confirmado pelos estudiosos bíblicos conservadores, pois, não há nenhuma menção da palavra "inferno" no AT da Nova Versão Internacional (a Bíblia mais vendida), Nova Bíblia Americana "Edição Revisada" (publicação da Igreja Católica Romana), a Bíblia Cristã Holman (publicada pela Convenção Batista do sul dos EUA), e a maioria de outras traduções modernas.
  • Além disso, em termo de cronologia, a Bíblia abrange milhares de anos, O Deus da Bíblia e seus profetas hebraicos, nunca mencionaram qualquer possibilidade de punição após morte. Nada como "inferno" foi remotamente sugerido a Adão, Eva, Noé, Abraão, Ló, Jó, Moisés, Davi, Salomão, Daniel, entre outros.
  • Na verdade, "inferno" nunca mesmo foi mencionado às piores pessoas, no pior dos tempos. "Inferno", nunca foi mencionado a Caim (primeiro assassino), nem as pessoas culpadas da maldade que levaram ao Grande Dilúvio, nem para as pessoas de Sodoma e Gomorra, nem mesmo para Faraó, que escravizou as tribos hebraicas e, desafiou Deus repetidamente.
  • Podemos ainda verificar também o porquê de não ter avisos no AT sobre a necessidade de se arrepender para evitar o sofrimento eterno após a morte. No AT, as pessoas estavam sendo avisadas sobre a necessidade de se arrepender, a fim de evitar o sofrimento e a morte aqui mesmo, neste planeta, nesta vida.
  • É certo que não faz absolutamente nenhum sentido alertar as pessoas, apenas sobre penas (terrestres) temporais, se elas tivessem em perigo de um sofrimento eterno. Portanto, segundo a Bíblia, "inferno", nitidamente não preexiste.
  • Ainda, também não há menção da criação ou propósito de "inferno" no Novo Testamento. Não existe qualquer versículo na Bíblia inteira que, anuncie que a pena do pecado havia mudado de morte para "inferno". Deus anunciou nitidamente a pena de morte antes de promulgá-la, mas, deixou de mencionar uma pena muito mais grave antes de promulgá-la? Isso não faz nenhum sentido. 
  • O amoroso, compassivo e sábio Deus não poderia criar um "inferno eterno", e, deixar de avisar imediatamente o mundo inteiro sobre ele. Mas, obviamente, o mundo inteiro não foi avisado sobre a criação do "inferno". Os nativos brasileiros não sabiam nada sobre o "inferno" antes de 1500. Bilhões de pessoas viveram e morreram sem jamais ter ouvido uma palavra sobre o "inferno" ou Jesus Cristo. Será que alguém que nunca havia lido a Bíblia, seria considerado apto por Deus, a morrer e acordar no inferno? Certamente que não!
  • Um inferno eterno faria Deus monstruosamente injusto, se Ele o criou, ou sabia sobre ele e não avisasse imediatamente o mundo inteiro, mas de acordo com a Bíblia, "inferno" não preexiste e nunca foi criado porque do início ao fim, a Bíblia é absolutamente silenciosa sobre qualquer tipo de preexistência ou criação de "inferno".
  • Além disso, a palavra grega "Hades" não significa "inferno". Como acontece com Sheol, todos vão para o Hades, quando morrerem: ambas palavras significam nitidamente "a sepultura" ou "a morada de todos os mortos".
  • O inferno também não é "inferno", mas um local físico em Israel, conhecido em hebraico como Gehinnom, ou Vale de Hinom. Hoje, Geena é um belo parque e, atração turística. Descobertas arqueológicas maravilhosas foram feitas lá, tais como a piscina de cura de Siloé e os mais antigos versos bíblicos já descobertos, inscritos em pequenos amuletos de prata. Esses versos são a bênção "O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça o seu rosto brilhar sobre ti e tenha misericórdia". Aquelas maravilhosas palavras de conforto foram descobertas no "inferno", o que você acha?
  • O que tudo isso significa? Se você acredita em um Deus amoroso, compassivo, sábio e justo, pode concluir que "inferno" foi e é apenas um erro de tradução ou uma invenção humana pura e simples. Por que os seres humanos inventariam o inferno? Bem, como destaca o antigo filósofo grego, Celso, na origem do cristianismo, o "inferno" foi uma boa maneira de controlar o comportamento das massas plebeias, mas, nenhum ser humanos sensato acreditava nele. O "inferno" foi uma maneira muito útil para aumentar as conversões (talvez devêssemos chamar de "coerções"), à frequência a igreja e as receitas. Mas o que fazer com o bem-estar emocional, psicológico e espiritual das crianças pequenas? Certamente seus corações inocentes, mentes e almas são muito mais importantes do que a contagem das moedas que caem nos cofres das igrejas!
Mas talvez, a melhor razão para não se acreditar em inferno seja esta: Se, a qualquer tempo, Deus, Jesus, os profetas hebreus, ou qualquer um dos apóstolos tivessem conhecimento da existência de um "inferno eterno", eles teriam avisado imediatamente a humanidade para nunca mais gerar filhos, pois o risco de dar à luz é demasiadamente terrível de se imaginar. Mas, é certo que não existem tais advertências na Bíblia. Em vez disso, os profetas hebreus, como Ezequiel, confiaram previamente que todo Israel seria salvo no final, juntamente com Sodoma e outras nações gentílicas que eram historicamente suas inimigas, como Samaria. Samaria é hoje o lar de milhões de palestinos, muitos deles inimigos ou críticos ferozes de Israel. A maioria dos judeus e palestinos, nunca acreditaram em Jesus, então, como pode todo Israel e Samaria serem salvos, se apenas os cristãos são salvos? Jesus aplaudiu a compaixão do Bom Samaritano, um homem de outra religião, que praticava compaixão. Será que todos os bons samaritanos vão para o "inferno"? Jesus vai deixar de praticar o que pregava e, não ser um bom samaritano? Será que ele vai condenar os santos de outras religiões à tortura eterna? Gandhi, o grande líder de paz, por exemplo? Como são Paulo gostava de dizer: "Deus me livre!".

E aqui está outra boa razão para não se acreditar no inferno: o batismo infantil e o da "idade da responsabilidade" não foram mencionados por Jesus, Paulo ou qualquer outro apóstolo. Estes ensinamentos não bíblicos só foram necessários depois que a igreja cristã primitiva foi infiltrada pela Cultura do Inferno. Se Jesus amava as crianças e, percebesse que elas estavam em perigo de irem para o "inferno", uma vez que chegaram a uma certa idade, e não haviam passado pelo batismo, como poderia ter falhado em não dizer a seus discípulos o que precisava ser feito para salvá-las? É certo que não havia "inferno" no momento em que Jesus e Paulo pregavam. O "inferno" foi desajeitadamente inserido na Bíblia, logo após Jerusalém ter sido destruída em 70 d.C. e, a igreja cristã ser centrada na Grécia e em Roma, onde as pessoas acreditavam em um inferno de uma mitologia pagã. Neste tempo, Jesus e Paulo já não estavam mais entre nós, para contradizer o Culto ao Inferno.

Outra boa razão para não acreditar no "inferno" é muito fácil de entender. Um Deus que é capaz de criar um paraíso, onde sofrimento e morte são impossíveis, não precisa de um inferno. Afinal, quando o sofrimento e a morte são impossíveis, atos malignos também são. Isso poderia explicar porque os profetas hebreus, como Ezequiel e o apóstolo Paulo falaram de todos serem guardados no final. Se Deus pôde criar uma dimensão onde o leão se deita em paz com o cordeiro, não havendo necessidade de punir os leões, que matam os cordeiros aqui na terra. Se nenhum ser humano foi perfeito aqui na terra, qual a necessidade de punir desnecessariamente alguns, uma vez que nenhum deles poderá fazer mal nenhum? Parece que muitos cristãos realmente querem que haja um inferno, para que as pessoas que os desprezaram possam sofrer por toda eternidade. Mas, certamente, nenhum ser amoroso, verdadeiramente iluminado pode concordar com isto. E, de acordo com os profetas hebreus, como Ezequiel e Pedro, em seu segundo sermão, depois do Pentecostes, e Paulo em muitas passagens, todas as pessoas serão salvas no final.

Então, como o "inferno" entrou na Bíblia? Ironicamente, os únicos judeus que acreditavam no "inferno", no tempo de Jesus, eram os fariseus. Sabemos disso a partir do historiador judeu Josefo, um contemporâneo de Paulo. Os fariseus, provavelmente, "tomaram emprestado" o conceito de "inferno" dos gregos pagãos, depois de Alexandre o Grande, conquistar o Oriente Médio, durante o período de "silêncio" entre a escrita do VT e do NT. Como os gregos, os fariseus, sem dúvidas, descobriram que a ameaça do "inferno" aumentava seu poder, sua receita e seus lucros. Mais tarde, quando o imperador romano pagão Constantino, exigiu que os bispos católicos se reunissem, fato que ficou conhecido como Credo Niceno, ele encomendou cinquenta Bíblias, um empreendimento enorme e muito caro para aqueles dias. É bem possível que os versos mais infernais tenham encontrado a Bíblia naquele tempo, pois, o "inferno" seria uma ótima maneira de colocar mais dinheiro e poder nas mãos da igreja e do estado. Os versos sobre escravos obedecerem seus mestres e, cidadãos obedecerem a governos injustos poderiam ter sido adicionados no mesmo período, por razões semelhantes. Algum cristão pode acreditar que Jesus tenha endossado a escravidão, ou obrigar pessoas obedecerem cegamente a governantes como Hitler (ou Constantino)? 

Mas em qualquer caso, o inferno grego era Tártaro, não Hades. Como veremos, há apenas um versículo na Bíblia inteira que contém uma palavra que realmente significa o inferno, mas que não é para nós seres humanos, nem é eterno.

Este é o fim da "prova simples", que não há nenhuma razão para se acreditar em inferno, de acordo com a própria Bíblia. Mas, se o assunto lhe interessa, no próximo estudo citarei livro, capítulo e versículo, então, se for de seu interesse, leia a próxima matéria.