sexta-feira, 10 de abril de 2015

HOMOSSEXUALIDADE: NEM PECADO, NEM DOENÇA


O QUE A BÍBLIA DIZ E O QUE ELA NÃO DIZ


HOMOSSEXUALIDADE E A IGREJA
A mais bela palavra do Evangelho de Jesus Cristo é "todo aquele". Todas as promessas de Deus são dirigidas a todos os seres humanos. Isto inclui as pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Como é trágico que a Igreja Cristã tenha excluído e perseguido as pessoas LGBT!
Fomos todos criados com um desejo de se relacionar com os outros. A qualidade de nossas vidas depende do amor que compartilhamos com os outros, seja com a família, amigos, parceiros ou colegas. No entanto, a sociedade com sua atitude hostil em relação a essas pessoas muitas vezes negam-lhes o acesso a relacionamentos saudáveis. Jesus Cristo nos chama para encontrar o sentido último da vida através de um relacionamento pessoal com o nosso Criador. Esta importante união espiritual pode trazer cura e força para todos os nossos relacionamentos.

NEM PECADO, NEM DOENÇA.
Por muitos séculos, a atitude da Igreja cristã sobre a sexualidade humana foi muito negativa: o sexo era para a procriação, não para o prazer; as mulheres e os escravos eram considerados propriedades dos homens; e muitas expressões da heterossexualidade e homossexualidade foram consideradas pecaminosas. Esta tradição, muitas vezes, continua a influenciar as igrejas contemporâneas. Muitos ensinam que as mulheres devem estar sujeitas aos homens, ainda permitem a discriminação racial e étnica e condenam as pessoas LGBT. Dizem que todos os atos homossexuais são pecaminosos, muitas vezes referindo-se a sua interpretação das Escrituras.
Outras igrejas hoje são influenciadas por um século de pensamento psicanalítico promovido através de uma minoria poderosa de médicos que consideravam a homossexualidade como um tipo de doença. Embora essa visão já tenha sido amplamente desacreditada pela ciência médica contemporânea, algumas igrejas e autoridades eclesiais ainda são influenciadas por ela. Elas dizem que os homossexuais são seres "imperfeitos" e necessitam de "cura".
A boa notícia é que, desde 1968, com a fundação da Igreja da Comunidade Metropolitana, a emergente força da comunidade LGBT e as conclusões de novos estudos científicos sobre a homossexualidade forçaram a Igreja Cristã a reexaminar estas questões. Um número crescente de estudiosos e teólogos bíblicos reconhecem que a Bíblia não condena as pessoas LGBT, relacionando-os a um uso de amor e responsabilidade. Portanto, os homens e mulheres LGBT devem ser aceitos - como são - nas igrejas cristãs, e suas relações devem ser reconhecidas e confirmadas!

QUANTO À BÍBLIA
A Bíblia é uma coleção de escritos que por mais de mil anos contam a história do relacionamento de Deus com o povo hebraico e com o povo cristão. Ela foi escrita em vários idiomas, que abrangem diferentes formas literárias, e reflete culturas muito diferentes da nossa. Esses fatores são cruciais para interpretar corretamente a Bíblia em seu contexto.
Existem grandes diferenças doutrinárias entre as várias denominações cristãs, mas todas usam a mesma Bíblia. Essas diferenças levaram alguns cristãos a afirmarem que outros cristãos não servem de molde a todos! A interpretação bíblica e teológica difere de uma igreja para outra.
Tal interpretação também muda com o tempo. Cerca de 150 anos atrás, nos EUA, alguns cristãos se agarraram ao ensino de que existia um duplo padrão: um para brancos e outro para negros. Os brancos eram superiores aos negros, portanto, os negros tinham que estar subordinados a eles e a escravidão era uma instituição ordenada por Deus. O clero apoiou tal ideia abominável de acreditarmos nisto, com base na autoridade da Bíblia. O conflito sobre a escravidão levou a divisões que produziram algumas das principais denominações cristãs hoje. Essas mesmas denominações, nitidamente, não suportam mais a escravidão. O que mudou na Bíblia? Nada. Sua interpretação é o que mudou!

Novas informações refutam velhas ideias.
Quais são as influências que nos guiam para entender as Escrituras de novas maneiras? Novas pesquisas científicas, a mudança social e as experiências pessoais são talvez os maiores motores de mudança na forma de como se interpreta a Bíblia e desenvolve nossas crenças. O conceito científico de orientação homossexual não existia até o século XIX.
A maioria das igrejas cristãs, incluindo a Igreja da Comunidade Metropolitana, acredita que a Bíblia foi inspirada por Deus e é também uma das principais fontes de autoridade para a nossa fé. Portanto, o que a Bíblia ensina sobre qualquer assunto, incluindo a sexualidade, é de grande importância. O problema, porém, é que às vezes a Bíblia diz muito pouco sobre alguns assuntos; e as atitudes populares sobre essas matérias são determinadas muito mais por outras fontes, e tais atitudes são então tomadas como sendo declarações bíblicas. Isto é o que aconteceu especialmente com o tema da homossexualidade. Mas, felizmente, estudos recentes refutam a maioria destes pressupostos e conclusões.

Gênesis 19:1-25
Qual foi o pecado de Sodoma? Alguns pregadores descuidadamente proclamam que Deus destruiu as antigas cidades de Sodoma e Gomorra por causa da "homossexualidade". Embora alguns teólogos considerem a homossexualidade como o pecado de Sodoma, uma leitura cuidadosa das Escrituras corrige tal ignorância.
No capítulo 18 de Gênesis, anuncia juízo sobre essas cidades, Deus enviou dois anjos a Sodoma, onde Ló, sobrinho de Abraão, ora e convence-os a permanecer em sua casa. O capítulo 19 nos diz que "os homens da cidade, todas as pessoas" "cercaram a casa de Ló exigindo a libertação de seus visitantes", "queremos conhecê-los". A palavra hebraica para "conhecer" é neste "caso yadha" o que geralmente significa "ter conhecimento profundo de." Poderia também expressar a intenção de examinar as credenciais dos visitantes ou, em raras ocasiões, o termo implica em relação sexual. Se o último foi o significado pretendido pelo autor, teria sido um caso nítido de tentativa de estupro grupal.
Horrorizado com esta grave violação das regras antigas de hospitalidade, Ló tenta proteger os visitantes, oferecendo suas filhas para a multidão enfurecida, uma ação moralmente atroz para os padrões de hoje. O povo de Sodoma se recusa, por isso os anjos torna-os cegos. Ló e sua família são resgatados pelos anjos e as cidades são destruídas.
Note alguns pontos. Em primeiro lugar, o julgamento destas cidades por sua maldade havia sido anunciado antes do suposto incidente homossexual. Em segundo lugar, todas as pessoas de Sodoma participaram do assalto à casa de Ló; em qualquer cultura sobre a população homossexual não vai além de uma pequena minoria. Em terceiro lugar, o fato de Ló oferecer suas filhas sugere que ele sabia que seus vizinhos tinham interesses heterossexuais. Em quarto lugar, se o problema era sexual, por que Deus poupou Ló e suas filhas, que imediatamente em seguida cometem incesto? O ponto mais importante: por que em nenhum outro lugar as escrituras se refere a este episódio, fazendo qualquer referência à homossexualidade?

Qual foi o pecado de Sodoma?
 
Em Ezequiel 16:48-50 afirma-se nitidamente: os habitantes de Sodoma, como muitas pessoas hoje, tinham abundância de bens materiais, mas não conseguiam atender às necessidades dos pobres e adoravam ídolos. Os pecados de injustiça e idolatria atormentam todas as gerações. Nós seremos julgados da mesma forma, se criarmos falsos deuses ou praticarmos a injustiça.

Levítico 18:22 e 20:13
Os cristãos de hoje não seguem as regras e rituais descritos em Levítico. Mas alguns ignoram as suas definições em torno de sua própria "impureza" quando usam Levítico para  condenar "homossexuais". Tal abuso da Escritura distorce o significado do Antigo Testamento e negam a Nova mensagem.
"Não te deitarás com outro homem como se fosse mulher: é abominação." Estas palavras ocorrem exclusivamente no Código de Levítico, um manual de ritos para a santidade dos sacerdotes de Israel. Seu significado só pode ser totalmente apreciado no contexto histórico e cultural do antigo povo hebreu. Israel, em uma posição única como o povo escolhido de um único Deus, assim fez para evitar as práticas de outros povos e deuses. A religião hebraica, caracterizada pela revelação de um Deus, ficou em tensão contínua com a religião dos cananeus que a cercavam, que adoravam vários deuses nos cultos de fertilidade. A adoração de ídolos cananeus era um culto de prostituição de homens e mulheres (Deuteronômio 23:17), que, repetidamente comprometiam a lealdade de Israel ao seu Deus. qadesh, a palavra hebraica para um homem prostituto cultual é pessimamente traduzida como "sodomita" em algumas versões da Bíblia.

O que é uma "abominação"?
Uma abominação é aquilo que Deus via como detestável porque era impuro, desleal ou injusto. Várias palavras hebraicas foram traduzidas desta maneira, e toevah, a única encontrada em Levítico, é geralmente associada com a idolatria, como em Ezequiel, onde aparece muitas vezes. Dada a estreita relação de toevah com a idolatria e a prática religiosa de culto e prostituição cananéia, o uso de toevah sobre atos sexuais entre homens em Levítico questiona qualquer conclusão de que tal condenação também se aplica às relações gays feitas com amor e responsabilidade. Os ritos e regras encontrados no Antigo Testamento foram dados para preservar as características distintivas da religião e da cultura de Israel. Mas, como afirmado em Gálatas 3:22-25, os cristãos já não estão vinculados por estas leis judaicas. Pela fé, vivemos em Jesus Cristo, não em Levítico. Na verdade, as preocupações éticas aplicam-se a todas as culturas e povos em todas as idades. Tais preocupações foram refletidas em seu melhor por Jesus Cristo, que não disse nada sobre a homossexualidade, mas conversou muito sobre o amor, a justiça, a misericórdia e a fé.

Romanos 1: 24-27
A maioria dos livros do Novo Testamento, incluindo os quatro Evangelhos não dizem nada a respeito de atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo, só Paulo menciona o assunto. A declaração mais negativa é encontrada em Romanos 1:24-27, onde, no contexto de uma discussão mais ampla tem-se a necessidade de recorrer para o evangelho de Cristo, quando se determina comportamentos homossexuais como exemplo de "sujeira" de idólatras gentios. Esta passagem se refere a todos os atos homossexuais, ou a um determinado comportamento homossexual conhecido pelos leitores de Paulo? A Carta aos Romanos foi escrita para cristãos judeus e gentios residente em Roma que estavam familiarizados com os excessos sexuais e infames de seus contemporâneos, especialmente dos imperadores romanos. Eles também tiveram notícias de tensão na Igreja primitiva sobre os gentios e a observância da lei judaica, como vemos em Atos 15 e na carta de Paulo aos Gálatas. As leis judaicas de Levítico relacionada a atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo, é feita em um contexto de idolatria.

O que é "natural?"
É significativo que para Paulo estes gentios "impuros" trocaram o que era natural para eles (em grego: physis) por algo "não natural" (por physin). Em Romanos 11:24, Deus age no "não-natural" (physin) para aceitar os gentios. Nessas passagens a palavra significa "Contra Natureza", não se refere a violação das chamadas leis da natureza, mas sim implica em uma ação contradizendo a própria natureza. Vendo isso, temos de reconhecer que o que é "não natural" (physin) hoje para uma pessoa com orientação homossexual, é tentar viver uma vida heterossexual. Romanos 1:26 é a única passagem na Bíblia com uma possível referência ao comportamento lésbico, embora a intenção específica deste versículo não seja nítida. Alguns autores têm visto nesta passagem uma referência as mulheres que adotam um papel dominante nas relações heterossexuais. Dada a situação cultural repressiva das mulheres na época de Paulo, essa interpretação pode ser possível. As práticas homossexuais citadas em Romanos 1:24-27 foram consideradas como o resultado de idolatria e foram associadas a alguns crimes muito graves, como vemos em Romanos 1. Tomada em um contexto mais amplo, seria óbvio que tais atos eram substancialmente diferentes de amar, responsável pelas relações LGBT de hoje.
1 Coríntios 6: 9 e 1 Timóteo 1:10
Qualquer consideração sobre as declarações do Novo Testamento a respeito de atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo deve ter em conta o contexto social da cultura greco-romana, em que Paulo ministrou. Prostituição e pederastia (relações sexuais de homens adultos com meninos) foram os atos sexuais masculinos mais comumente conhecidos. Em 1 Coríntios 6:9 Paulo condena "efeminados" e "abusadores de si mesmos com a humanidade", como traduziu a versão de King James, ou "sodomitas" na versão Nacar-Colunga. Infelizmente, algumas novas traduções são piores, trocando estas palavras por "homossexuais". A bagagem desmascara a homofobia que está por trás de tais erros de tradução. A primeira palavra, malakos no texto grego, que foi traduzida como "efeminado" ou "macio", provavelmente se refere a alguém que não tem disciplina ou controle moral. A palavra é usada em outras partes do Novo Testamento, mas nunca com referência à sexualidade. A segunda palavra, arsenokoitai, encontramos uma vez em 1 Coríntios e 1 Timóteo novamente, mas em nenhum outro texto da época. Derivado de duas palavras gregas significando "homens" e "camas" como um eufemismo para o sexo. Outras palavras gregas eram comumente usadas para se referir ao comportamento homossexual, mas não aparecem aqui. O contexto mais amplo de 1 Coríntios 6 mostra Paulo extremamente preocupado com a prostituição, por isso, é muito possível que esteja se referindo à prostituição masculina. Mas muitos especialistas que agora tentam traduzir estas palavras chegam a uma conclusão simples: o seu significado é incerto.

Não há nenhuma lei contra o amor
A raridade com que Paulo se refere a qualquer forma de comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo são referências ambíguas, o que invalida qualquer conclusão definitiva sobre a posição do Novo Testamento a respeito da homossexualidade, especialmente no contexto de relações vividas com amor e responsabilidade. Uma vez que quaisquer argumentos devam ter em conta a falta de dados, é muito mais confiável transformá-los nos grandes princípios do Evangelho ensinados por Jesus e os apóstolos. Amar a Deus com todo o teu coração, e amar o próximo como a si mesmo. Não julgar os outros, de modo que Deus não julgará vocês. O fruto do Espírito é: amor... não há nenhuma lei contra isso.
Uma coisa é absolutamente nítida, como Paulo diz em Gálatas 5:14 Toda a lei se resume neste único mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo . "

OUTROS COMENTÁRIOS
"A homossexualidade à qual se opõe o Novo Testamento é a pederastia da cultura greco-romana, as atitudes em relação à ela e, em parte, a linguagem utilizada para se opor a ela são dadas pela tradição judaica."
Robin Scroggs, Professor de Teologia Bíblica,
Seminário Teológico Union, New York
 (EUA).

"O argumento mais forte do Novo Testamento contra a atividade homossexual é intrinsecamente imoral que tem sido tradicionalmente a partir de Romanos 1:26, onde esta atividade é indicada como physin. A tradução comum para esta frase era "antinatural" que pode ser interpretada de duas formas no sentido que Paulo queria dizer com esta frase. Por um lado pode se referir ao indivíduo pagão, que vai além de seus próprios apetites sexuais para desfrutar de novos prazeres. A segunda possibilidade é que physin refere-se a "natureza" do povo eleito, que de acordo com Levítico, foi proibida relações homossexuais ".
John J. McNeill, Professor Adjunto de Psicologia,
Seminário Teológico Union, New York (EUA).
"Uma leitura cuidadosa sobre a discussão de Paulo em Romanos 1 sobre atos homossexual não apoiam a interpretação moderna comum do texto. Paulo não negou a existência de uma distinção entre puros e impuros e até mesmo supôs que os cristãos judeus continuariam a observar o código de pureza. No entanto, ele se absteve de identificar a "impureza" física como pecado ou de exigir que os gentios aderissem a esse código".
William Coutryman, professor de Novo Testamento
Igreja Divinity School of the Pacific, Berkeley, Califórnia
 (EUA).
"O toevah hebraico, traduzido aqui como "abominação" não significa necessariamente algo intrinsecamente mau, como estupro ou roubo (discutida em Levítico), mas algo que é impuro para os judeus, como comer carne de porco ou relações sexuais durante a menstruação, ambos proibidos nesses capítulos."
John Boswell, Professor de História,
Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut (EUA).
Panfleto escrito pelo Rev. Don Elder Eastman - Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana (ICM).