sexta-feira, 24 de abril de 2015

PERDENDO MINHA BRECHA: MEDITAÇÃO SOBRE O PERDÃO


"Se teu irmão ou irmã pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo que pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes voltar dizendo 'Estou arrependido', você deve perdoá-lo". - Jesus (Lucas 17:3-4).
 
"Bingo".
 
isso ai." Pensei comigo mesmo. "Esta é minha brecha." Por muito tempo estive procurando uma saída para fazer algo que não precisasse fazer nada. Estava à procura de uma desculpa para não perdoar um grupo de pessoas que me feriram, e ter prazer em descobrir que foi o próprio Jesus que me deu a deixa (o gancho).
Disto é formado os sonhos de um(a) irritada(o) e rancorosa(o) cristã(o).
 
"E se eles se arrependerem?..."
Esse é o momento nos dramas de tribunais de cinema em que o advogado começa a falar... e nós começamos a roer as unhas até que BOOM, alguém desfalece e rolam os créditos.
Aquelas palavras soaram para mim como um escape. Senti-me aliviado.
 
Por um breve momento fiquei mais leve. Me considerei recebedor da deixa (gancho); isento de perdoar aqueles que me fazem sentir tanta dor. Por um ou dois segundos estive mais uma vez livre para segurar o rancor que pesava sobre meus danos, até o dia em que viessem rastejando a mim com seus corações arrependidos e sem restrições de palavras chorosas de contrição.
 
(Então pensei sobre isso).
 
Mas a minha nova liberdade não durou muito tempo. Lembrei-me de que isso não é o que estamos fazendo aqui.
Viver uma vida de fé não é sobre procurar brechas.
Não se trata de torcer uma pequena frase das Escrituras para facilitar a vida ou para evitar o sacrifício.
Não se trata de explorar a letra da lei para acomodar a minha raiva.
 
O cristianismo não é sobre descobrir como obter o consentimento de Jesus para justificar minha estupidez e idiotice para com as outras pessoas.
 
O mundo tem idiotas o suficiente que perambulam pela bíblia tentando justificar e eternizar um pouco mais de tempo sua insensatez.
Isto não é sobre eles, e não é sobre mim.
Meu padrão de amor para com as pessoas não pode vir da capacidade do meu próprio coração cheio de mesquinhez, orgulho e egoísmo.
 
A Cruz me lembra que o padrão de um seguidor de Jesus deve estar em cultivar em nós o coração de Cristo.
 
Você não precisa de textos que provem isto. Não precisa decorar citações bíblicas para usar como arma. Você só sabe disto quando a lê. Só sente isso quando a vive.
A fé é encontrada quando perseguimos um tipo de vida que desafia o que se espera ou se ganha em troca do merecimento do outro.
É o que se esforça para não simplesmente dar de volta o que recebeu, mas dar algo imerecido, melhor e maravilhoso em troca.
 
Este negócio de Graça é tudo. Ele remove todas as minhas lacunas.
 
E isso é uma coisa boa, porque a verdade é que este perdão liberta-nos. Ele remove de nossos próprios ombros o peso da necessidade de ouvir as palavras certas ou discernir o coração de outra pessoa ou acreditar que seu remorso seja genuíno, para perdoar.
Na verdade, ele nos liberta da necessidade de alguém estar totalmente arrependido.
 
Se eu tentar imitar Jesus não terei mais que catalogar cada reclamação daqueles que me trouxeram dor no passado. Não terei que ter um inventário de cada relacionamento e manter o controle dos pontos de ruptura para perdoa-los. Isso é um desperdício de tempo e energia.
Brechas podem ser armadilhas.
Ultimamente percebo que "não deixar alguém de molho" não é um sinal de fraqueza.
Não existe essa história de que se eles ganharem eu perco.
Na verdade, o cenário de liberdade não é deixá-los fora do molho em tudo, mas o de me libertar da difícil e cansativa tarefa de avaliar todos esses ressentimentos até determinar quais desses objetos de rancores são dignos de remoção.
É dar ao meu coração mais largura para fazer algo de bom no mundo.
 
Ao perdoar, não estou concordando com aqueles que me machucaram. Não vou tolerar sua conduta ou sancionar as terríveis coisas que fizeram e nem concordar com seus motivos e métodos. Olhando para tudo isso magnífica e honestamente digo: "Isso é muito terrível, mas não é o suficiente para me destruir. Não vai me endurecer".
O perdão nunca foi sobre aquele que o recebe. Jesus sabia disso. Sua vida deu testemunho. Sua morte o fez. Sua ressurreição o fez.
O verdadeiro amor é o sacrifício. O real perdão também.
Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem." - Lucas 23:34.
 
Minha vocação é clara: Nesta vida, não consigo jogar Deus, eu recebo imitar Jesus.
Estou lentamente aprendendo a perdoar algumas pessoas que realmente não tenho vontade de perdoar, que nunca me pediram o perdão, e talvez nunca pedirão.
Vou contar isso como um crescimento pessoal das evidências de que a verdadeira fé nos estende para além do que podemos fazer sozinhos.
Estou à procura de brechas que me façam amar melhor as pessoas.

BASEADO NO TEXTO DE JOHN PAVLOVITZ.