DOMINGO DE RAMOS: MÓRBIDA REFLEXÃO.



É Domingo de Ramos - o início da Semana Santa. O dia chamado a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. E mais uma vez, sou confrontado com meu própria cinismo e tenho pensado muito sobre arrependimento. Qual é a real combinação vencedora?
Em um ato de reflexão mórbido penso sobre algumas das decisões mais estúpidas de minha vida. Eventos e escolhas que, quando olho para trás me envergonho. O namorado que não tinha nada haver, mas que mantive durante um caminho muito longo. Uma tatuagem horrível e sem sentido que fiz. Promessas que nunca mantive. Há tantos pesares para escolher. Às vezes até mesmo as minhas boas intenções terminaram em algo dilacerado. Nós todos temos arrependimentos.
Mas me pergunto se a natureza do arrependimento e da prática da própria reflexão mórbida, é de alguma forma enraizada na ideia de que nós pensamos que somos diferentes agora. E se estivéssemos na mesma situação, sabendo o que sabemos agora, nós nunca iríamos escolher roubar um brinquedo quando tínhamos 12 anos, ou dirigir bêbado quando tínhamos 20.
Nós gostamos de pensar que isso é verdade, e, que dada a oportunidade de voltar faríamos as coisas de forma diferente. Gostamos de pensar, que, como melhoramos e nos tornamos pessoas mais sábias tomaríamos escolhas completamente diferentes. Porque nós somos as versões melhoradas de nós mesmo agora. Eu meio acho que é verdade e eu meio que não é.
Digo isso porque percebi esta semana como é sempre desconfortável a história do Domingo de Ramos. É uma sensação não muito diferente do arrependimento que sinto quando penso sobre as coisas estúpidas que fiz. E, assim como quando penso que permanecer na casa que minha mãe me deu, a história do Domingo de Ramos me faz estremecer totalmente.
Todos os anos, quando lemos sobre as multidões volúveis acenando as palmas nas mãos, estendendo seus mantos, gritando Hosana nas alturas para um homem entrando em Jerusalém montado em um jumento - ou o que queira - um animal impressionante, a respeito do primeiro dia da Semana Santa, eu me envergonho. Me envergonhado de ver como miseravelmente eles estão prestes a falhar quando postos à prova. Ouço a celebração daquele dia envergonhado, sabendo quão rapidamente os gritos da multidão inconstante transformaria-se em granizo e cuspe. Penso comigo mesmo: "eles só estão saudando-o como um rei, porque não sabem. Não sabem o que está prestes a desmoronar, de modo que realmente, todo o louvor é apenas vazio"
Naquele dia, a multidão dos discípulos - os mesmos que iriam nega-lo e abandona-lo estavam louvando a Deus com alegria, com grandes vozes pelos grandes feitos do poder que tinham visto e gritavam Hosana..., e louvando a Deus. Em seu famoso poema Assassinato na Catedral, TS Elliot diz: "Esta é a maior traição, fazer a coisa certa pelo motivo errado".
Sim, a celebração triunfal tem pesar traiçoeiro para aqueles de nós que sabe como tudo isso estava prestes a ser jogado fora.
Então, de certa forma, me encontro desejoso de volta para aquele dia fora de Jerusalém sabendo o que sei, para tentar pará-lo. Tipo como querer voltar sabendo o que sei para meus 20 anos de idade e refazer cada decisão que fiz. Ou, pelo menos, gosto de pensar que se eu fosse um dos seus discípulos, seria um pouco mais razoável e não me perderia em um louvor estático ao homem certo antes de virar as costas para ele.
Isso é o que é tão melancólico sobre o Domingo de Ramos para mim. Nós sabemos o que está prestes a acontecer. A traição, negação e abandono. O julgamento, o espancamento e o exercício da cruz. Os pregos, a lança e o vinagre.
Então, todos os gritos de alegria sentem-se embaraçados a sombra do que está por vir.
Podemos ser tentados a pensar que somos diferentes dos discípulos hesitantes. Podemos nos assustar com o chamado a entrada triunfal em Jerusalém, porque estamos na especial posição de saber o que está prestes a acontecer.
Mas a coisa é, eles fizeram. Pelo menos eles fizeram, eles deram, mesmo que em pouca quantidade, atenção a Jesus. Ele lhes disse mais de uma vez que isto tudo iria acontecer. Ele fez algo muito bom como curar alguém ou algum outro ato de poder que para seus seguidores soava como o inferno! E então aproveitava a oportunidade para dizer que ia ser entregue nas mãos das autoridades e, em seguida, sofrer e morrer. Nós não sabemos mais o que eles fizeram, porque ele continuava a dizer-lhes que isto estava prestes a acontecer. E antes de culpar os discípulos, devemos nos lembrar de que houve um homem em cena que tentou pôr fim a essa morte tão patética e evitável. Foi Pedro. Pedro tomou nosso impulso que seria o de dizer: Deus me livre. Não entrai em Jerusalém Jesus. Porque é lá que matam os profetas e tu, é bom demais para perdermos. Muito tranquilo. Tão amoroso para esse tipo de cena. Certamente nós podemos fazer algo assim. Mas a Semana Santa era uma marcha imparável de eventos e quando Pedro tentou falar para que Jesus sair dela, Ele não deu tapinhas nas costas e disse: Você sabe que está certo. Obrigado amigo. Muito longe disso. Ele disse: Afasta-se de mim Satanás.
Porque nenhuma quantidade melhorada da humanidade poderia tê-lo parado. Sem boas intenções, sem nobreza, não se evita o pecado, sem piedade.
Nada poderia ter impedido esse mistério Pascal de Deus e da humanidade. Nenhuma quantidade super avantajada de discipulado, sabedoria ou retrospectiva faria um pingo de diferença na determinação de Deus de chamar todos os povos ao Seu auto através de Jesus exaltado em uma cruz.
Veja, nós não somos diferentes das multidões gritando - aqueles que fazem a coisa certa pelo motivo errado ou aqueles que fazem a coisa errada pela razão certa. Não há melhor classe de melhores pessoas. Há apenas pessoas.
Nós pensamos que a boa notícia é que nós sabemos mais do que aqueles que foram pegos nos trágicos acontecimentos da primeira Semana Santa, estamos enganados. Nós pensamos que a boa notícia é que agora sabemos como fazer as coisas certas e pelos motivos certos, mas estamos enganados.
Porque isso tinha que acontecer assim. Quando os fariseus disseram que Jesus parasse seus discípulos a partir de uma exposição tão embaraçosa, ele disse que se eles parassem até as pedras clamariam. Então, tinha que haver multidões gritando louvores, amigos que traíam, seguidores que negavam, mulheres que choravam, soldados que zombavam e ladrões que acreditavam. Teria acontecido assim mesmo o evento, se estivesse acontecendo agora. Mesmo que soubéssemos tudo com antecedência - nós também gritaríamos Hosana e poucos dias depois gritaríamos crucifica-o. E essa é a boa notícia quando se trata deste evento. Essas pessoas da história da Semana Santa somos nós. E nós, somos o desejoso objeto da salvação de Deus. Deus não se tornou humano e habitou entre nós como Jesus para salvar apenas uma pessoa melhor, não faz o tipo escolhas entre pessoas erradas e certas. Não existe uma versão melhorada da humanidade que poderia ter feito de forma diferente. Então vá em frente. Não espere até que ache que suas motivações estão corretas. Não espere até que esteja certo de que acredita em cada linha do Credo Niceno-Constantinopolitano (ninguém esta). Não se preocupe em ir à igreja nesta semana pelas razões certas. Basta acenar ramos. Gritar louvores pelo motivo errado. Cear. Tenha seus pés lavados. Agarre em moedas. Grita Crucifica-o. Vá embora quando o galo cantar. Porque nós, somos como somos e não como uma versão melhorada de nós mesmos... nós somos quem Deus veio salvar. E nada pode parar o que vai acontecer.

BASEADO NO SERMÃO: A PARÁBOLA DO PAI PRÓDIGO.