sábado, 23 de novembro de 2013

CRISTIANISMO E "ÓDIO" BÍBLICO


Cristãos fundamentalistas são bons em um monte de coisas: ajudar os outros vestir-se no domingo, citar a Bíblia, cuidar dos membros da igreja, casamentos, funerais, adoração. Mas talvez a coisa em que são mais persistentemente e excepcionalmente muito bons é na má interpretação da Bíblia. Pegando a história como testemunha, percebemos a quantidade de vezes em que a Bíblia foi usada para apoiar, promover e agir de acordo com algumas coisas bem “não-cristãs”, como: a escravidão, o holocausto, a segregação, a subjugação das mulheres, o apartheid, a violência doméstica, e outros tantos tipos de exploração, poderíamos continuar e continuar com essa lista por horas. Mas, curiosamente se pedíssemos a qualquer um desses teólogos que escolhessem um tema bíblico para guiá-los, com certeza a maioria diria "amor"... bem, amor e graça. Tudo bem, amor, graça e perdão. Belas palavras. Provavelmente discordariam especificamente quanto ao uso dos termos, uns usariam um tipo de palavra e outros usariam outras, mas com toda certeza, todos os termos usados teriam sentidos opostos à opressão, o rebaixamento, ou ódio.

Essas marginalizações representadas pelas inúmeras atrocidades cometidas pela Igreja Cristã, quase sempre são o resultado da tentativa de se brincar de Deus, fingem que um grupo de pessoas possui o conhecimento completo de Sua vontade, e é mais abençoado ou escolhido do que outros. Não surpreendentemente, as pessoas que veem o mundo desta maneira são sempre pessoas que pertencem ao grupo que acreditam ser os super-bem-aventurados. Sorte a deles.  Várias vezes Jesus deixou nítido que não devemos nos colocar no lugar de Deus e que, ao contrário dos demais seres humanos, Ele acolhe e ama a todos igualmente. Ainda assim continuam a fazê-lo, mesmo depois de muito argumentar, suprimir textos e lutar por séculos falsamente desempenhando o papel de juiz e júri celestial, perceberem lentamente que entenderam errado, que, de fato, Paulo não promovia a escravidão. Só assim aprendem a contextualizar suas declarações e cartas. Tornam-se mais hábeis em interpretar o original grego e, ao longo do tempo decidem parar de citar a Bíblia para apoiar a escravidão (ou a subjugação das mulheres, ou racismo etc) porque finalmente chegam a conclusão bíblica de que no final o amor vence. Sempre.  Então encontram-se novamente aqui. Fazendo a coisa que fizeram de melhor: interpretar mal a Bíblia e arruinar a vida de outros. Estão, mais uma vez, ignorando o viés bíblico para aqueles que são marginalizados, abusados, depreciados e julgados negativamente. Ignorando a diretiva bíblica para mostrar que todos são filhos de Deus de amor (e de graça ... e perdão). Ódio dos outros,  ah, claro, desta vez a abordagem foi "suavizada", a frase agora é "odiar o pecado, e amar o pecador ", mas deixam de reconhecer que o que estão chamando de "pecado" é na verdade a pessoa que chamam de "pecador", no fundo os dois são a mesma coisa. Uma pessoa cuja orientação sexual é homossexual, ou bissexual não pode separar-se de sua sexualidade, como uma pessoa heterossexual não pode. É como dizer "amo esse perfume, mas odeio sua essência." Não existe o perfume sem sua essência. Simplesmente não se ama uma pessoa, se não a amar por inteiro.  Suspeito que o "amolecimento" da linguagem que usam tem tudo a ver com o fazer-se sentir melhor e não com o que sentem as pessoas LGBT, porque não é de seu desejo fazê-los sentir-se melhor. Por uma questão de fato, a relação de amor/ódio (ênfase em ódio) que a Igreja continua tendo, só serve para empurrá-los e jogá-las para armários e outros locais ainda mais escuros, o que às vezes leva ao suicídio. A Igreja e seu tipo de  abordagem a esta questão está causando cada vez mais dor, angústia, insegurança, abuso e morte associado ao ser LGBT. Não há muito amor nisso. Não há muita graça preenchendo os corações. Mas certamente os deixa na necessidade de perdão.  Muitos cristãos perderam-se no caminho deste sinuoso labirinto que é a pratica de sua fé. Seria muito melhor reforçar as coisas que acreditam do que pregar as “difíceis” palavras de amor de Jesus. Sim, ele nunca disse uma só palavra de condenação sobre a homoafetividade, mas nos disse para arrancar os olhos concupiscentes. O que parece ser mais provável e que nos deixa todos cegos do que o "olho por olho".
Pastor João Leite baseado no texto: "Christianity and “Biblical” Hatefulness" do Rev. Mark A. Sandlin