terça-feira, 19 de novembro de 2013

Homossexualidade - Abordagens Psico-teologicas


As igrejas cristãs brasileiras e o movimento internacional que prega a transformação de homossexuais em heterossexuais tratam, de maneira geral, o tema da homossexualidade sobre três prismas:
1- A Homossexualidade como Possessão Demoníaca,
2- Como Desvio de Comportamento e
3- Como Estilo de Vida Alternativo


Pretendemos com este trabalho refutar estas três perspectivas quanto a sua conceituação, sua falta de fundamentação bíblica, seu desprendimento com a psicologia e seu prognostico e resolução infundados.

"Uma mentira não se torna verdade por meio de ampla divulgação, nem a verdade se torna um engano porque ninguém a enxerga."   M.K.Gandhi
A homossexualidade como Possessão Demoníaca
Este primeiro enfoque diz respeito à perspectiva de que a homossexualidade é causa por demônios. Parte-se do pressuposto de que a existência dos demônios seja capaz de explicar muitos dos problemas que as pessoas enfrentam. Ou seja, as pessoas podem ter demônios e serem possuídas por eles ou ser propriedade deles. Os demônios não passariam de inquilinos ou invasores que precisariam ser confrontados e expulsos. Em resumo, acredita-se, nesta perspectiva que:
1- Há demônios;
2- Que eles podem "invadir" pessoas;
3- Algumas correntes do cristianismo admitem a possibilidade de cristãos poderem ter demônios enquanto que outras correntes não admitem, visto que o “corpo do crente é o templo do Espírito Santo” e não poderia haver comunhão entre luz e trevas, num mesmo corpo.
Esta perspectiva acredita que há muitos tipos de demônios, que vão desde os demônios de amargura até os demônios de impureza sexual (onde eles incluem os homossexuais). Segundo estes a homossexualidade seria causada pela presença de demônios no corpo da pessoa. O demônio da homossexualidade causaria tal comportamento. Desta fora a causa da homossexualidade seria espiritual. Esta perspectiva  é muito corrente em denominações pentecostais.
A homossexualidade como Desvio de Comportamento
Esta posição é a mais defendida por “psicólogos” cristãos. Acreditam que a homossexualidade é um comportamento aprendido. Para afirmar que tal comportamento humano é aprendido há várias teorias para isso:
1- Relacionamentos pais/filhos: Mães dominadoras e pai omisso e ausente. Não tendo uma figura masculina forte com a qual se identificar a criança começa a perder sua habilidade com as moças e adquirir um pavor a relacionamentos íntimos com mulheres. Pais ameaçadores ou rejeitadores fazem com que as meninas tenham poucas oportunidades de se relacionar com homens. Pelo acesso difícil com o pai as meninas descobrem assim que se relacionam melhor com mulheres. 


2- Outros relacionamentos familiares: a- mães que desconfiam dos homens e ensina isso as filhas (vice-versa), b- filho que vive somente com mulheres e aprende a pensar e agir como elas, c- pais que criaram o filho como sendo menina (vice-versa), d- o filho é rejeitado pelo genitor do mesmo sexo e sente-se assim inadequado em seu papel sexual.



3- Medo:  Muitos temem contato heterossexual por não terem tido contatos freqüentes com o sexo oposto ou por haverem vivido situações traumáticas envolvendo pessoas do sexo oposto (estupro por exemplo)

A homossexualidade como Estilo de vida Alternativo
Esta perspectiva é a mais cômica para não dizer incabível. Algumas correntes cristãs acreditam que homossexualidade é uma escolha consciente de comportamento. Afirmam isso com o argumento de que muitas pessoas hoje em dia estão experimentando relacionamentos homossexuais por curiosidade, modismo ou por convicções liberais. Também acreditam que algumas pessoas se tornam homossexuais circunstanciais, ou seja, pessoas vulneráveis acabam tendo uma experiência homossexual eventual que as acaba levando a um padrão de comportamento permanente. E que outros escolhem um comportamento homossexual porque parceiros sexuais do sexo oposto não estavam disponíveis.
Analise Critica – Refutação
Diante da perspectiva da homossexualidade ser causada por possessão demoníaca teremos de recorrer às explicações e soluções teológicas. Diante do discernimento de que a causa da homossexualidade seja espiritual, procede-se então uma explicação espiritual.
Se a homossexualidade realmente fosse um caso de possessão demoníaca a cura deveria ser instantânea! Com o exorcismo ou a expulsão do demônio a pessoa sararia imediatamente. Diante da oração muitas vezes acompanhada de jejum, o suposto demônio da homossexualidade deveria ser expulso, e a pessoa liberta, após a oração, assumiria uma postura heterossexual. Vemos, portanto que diante dessa perspectiva onde a homossexualidade é encarada como possessão demoníaca a transformação e “libertação” da homossexualidade deveria ser certa e instantânea.
Quantos homossexuais implorarão a DEUS, com lágrimas, orações e jejuns para se transformarem em heterossexuais e essa transformação não ocorreu?
Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?” (Mateus 7:7-11)
No caso da homossexualidade ser um comportamento aprendido a solução de um modo simplista seria aprender a ser heterossexual. E é isso que muitos grupos e igrejas tentam impor aos homossexuais; que eles sigam e aprendam a se comportar heterossexualmente. A Associação Americana de Psicologia e o Conselho Americano de Psiquiatria alertam que esta prática não é científica nem ética. E que a reversão põe em risco a saúde mental da pessoa, podendo causar danos irreparáveis aos pacientes.
 Esta tentativa de "cura" pode desencadear algum tipo de doença mental - se o paciente tiver alguma predisposição genética - bem como provocar depressão, baixa auto-estima, ansiedade, suicídio e comportamentos auto-destrutivos, como: uso de drogas, prática de sexo sem segurança, etc.
Não há provas científicas que demonstrem que as terapias de reversão ou de cura são eficazes na modificação da orientação sexual de uma pessoa. Há, contudo, provas de que este tipo de terapia pode ter resultados destrutivos”. Quem escreveu esta frase foi o Dr. Rodrigo Munoz, Presidente da APA (Associação Americana de Psiquiatria). Em 1999, foi publicada uma resolução do Conselho Federal de Psicologia do Brasil que normatiza a conduta dos psicólogos frente a esta questão: "os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades".
A APA retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais” (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. A homossexualidade é, portanto, uma forma de orientação sexual. Em 1985, o Conselho Federal de Medicina do Brasil passa a desconsiderar o artigo 302.0 da classificação Internacional de Doenças, que considerava a homossexualidade uma doença. Em 1991, a Organização Mundial da Saúde passa a desconsiderar a homossexualidade como doença.
Além de todo embasamento cientifico, todo homossexual tem consciência de que sua condição não foi aprendida e muito menos influenciada por alguém ou algo. 

"Acaso pode o etíope mudar sua pele ou o leopardo mudar as suas manchas?"Jeremias 13:23

Quanto a terceira perspectiva hoje já se sabe que ser gay ou ser lésbica não é uma opção. Este é mais um mito: as pessoas são gays por opção! Optar significa escolher em ser ou não ser gay. Assim como o heterossexual não escolhe em ser ou não ser heterossexual, o mesmo acontece com o homossexual. Existem vários fatores que determinam esta orientação, que é independe da vontade das pessoas, por isto não é uma opção. Muitos falam, erradamente, sobre “opção sexual”.
Não existe opção, fato de quem “opta” por algo. Nem tampouco condição. O que existe em termos de classificação é a orientação sexual, onde o desejo sexual e afetivo está direcionado para um objeto externo (no caso de homossexuais, mesmo sexo e no de heterossexuais, sexo oposto).
Devido todas as dificuldades e implicações em se assumir homossexual se torna incabível dizer que as pessoas escolhem ser homossexuais. E se realmente tudo não passa-se de uma escolha seria fácil voltar a trás nessa escolha assumindo outros posicionamentos.