Igrejas de Picos se posicionam sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo

No próximo dia 19 de dezembro o movimento LGBT de Picos marcará a data como histórica no calendário das conquistas de direitos homossexuais, na oportunidade será realizado o primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tornado público para a sociedade picoense.

Lana Krisna
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    Pastor Gilvan Gomes e Padre Flávio Santiago
No próximo dia 18 de dezembro o movimento LGBT de Picos marcará a data como histórica no calendário das conquistas de direitos homossexuais, na oportunidade será realizado o primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tornado público para a sociedade picoense.
A notícia do primeiro casamento gay de Picos já estampou a manchete do Jornal o Povo e foi um dos assuntos mais acessados no portal, além de comentado pela população nas ruas e através das redes sociais. 
Sobre o assunto o Jornal O Povo ouviu representantes religiosos da cidade de Picos, que baseados nas doutrinas cristãs reprovaram a união entre pessoas do mesmo sexo.
Padre Flávio Santiago, Vigário Geral da Diocese de Picos, afirma que a Igreja Católica não reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que respeita, mas não sanciona este tipo união. 
“Na realidade o que vai acontecer é um contrato de união estável, terminologia que se usa no direito civil, para a Igreja casamento só pode existir entre homem e mulher e esta compreensão decorre da doutrina que nós temos enquanto católicos em relação ao matrimônio, que tem como objetivo a felicidade de quem se casa e os filhos”, disse.
O Pastor Gilvan Gomes, da Igreja Batista Nacional, afirma que o posicionamento evangélico acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo tem como base os princípios bíblicos.
“Neste posicionamento precisamos diferenciar pessoas de atitudes, na posição da Igreja esta atitude é para nós algo antibíblico, que quebra os princípios da fé, os princípios da Bíblia e os princípios divinos, por isso somos contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo”, ressalta.
Desconstrução da família tradicional
O Pastor Gilvan chama atenção para os perigos gerados à família, lembrando que as decisões tomadas por esta geração devem afetar as próximas.
“Tudo aquilo que vai contra os princípios de Deus gera uma consequência e esta consequência pode durar muito nas gerações futuras. A Bíblia já exorta sobre este assunto, hoje o que é aplaudido, apoiado pela mídia e pelos poderes, lá na frente causará consequências diante do rompimento de um princípio e nós como cristãos sabemos que o que é semeado será colhido”.
Já o Padre Flávio Santiago ressalta que a sociedade humana sempre se construiu a partir da união entre homem e mulher, de onde vieram os filhos, o lar e inúmeros outros fatores que estão na base da cultura ocidental.
“Nós como católicos lamentamos que se chegue a esse tipo de situação, evidentemente quando duas pessoas decidem morar juntas elas podem construir patrimônios, com o esforço de seus trabalhos e criar estruturas econômicas, isso enquanto católicos nós acreditamos que deve ser respeitado e protegido, agora independente do patrimônio, a união de duas pessoas do mesmo sexo é para nós uma decisão que se distancia do plano de Deus, eu considero um atentado contra a família tradicional”, disse.
Respeito ao direito de escolha
Mesmo com posicionamentos contrários à união entre pessoas do mesmo sexo, o Pe. Flávio Santiago e o Pr. Gilvan Gomes ressaltaram a importância de respeitar a decisão do próximo e prezar pela vida. Também acrescentaram não apoiar manifestações agressivas ou violentas.
“Eu não acredito que vá haver manifestação, a nossa sociedade já é muito tolerante em relação a esse tipo de comportamento, sem dúvida vai suscitar estranhamento e eu como católico, como sacerdote e como animador de uma comunidade eclesial não estimulo ninguém a se manifestar de maneira violenta diante de uma pessoa que tenha uma opção que difere da sua, sobretudo quando esta orientação se distancia daquilo que a Igreja ensina. Eu discordo de quem toma essa posição, mas defendo o direito deles serem protegidos, respeitados, terem a integridade da sua opção respeitada, embora não concorde com este tipo de escolha”, pontua o Pe. Flávio.
“Nós vivemos num país livre, cada pessoa é livre para expressar seus pensamentos, seja em oposição ao outro ou não. O que não podemos é fazer mau uso dessa democracia e atingir as pessoas, a nossa oposição ocorre no campo das ideias, eu posso construir os meu argumento e me expressar dizendo aquilo que acredito, não posso é confundir isso com agressão. Nós não somos a favor de violência, a nossa posição é de zelar pela vida. Se essa é uma decisão deles, não podemos de maneira nenhuma odiá-los, persegui-los ou tê-los como inimigos, precisamos ter a maturidade para saber discordar e mesmo assim caminhar juntos como amigos”, afirma o Pr. Gilvan.